Esta rubrica dá a conhecer a toponímia portuense, através de interessantes artigos publicados em “O Primeiro de Janeiro”, na década de setenta do século passado. Assina…
Cunha e Freitas (*)
“A Rua de S. Pedro de Miragaia começa no largo do mesmo nome, ao canto, onde era o chão da antiga cerca do Hospital do espírito Santo, que servia para enterramento dos afogados. Foi aquele aforado em 1815 pelo capitão António José Borges, que nele edificou as suas casas e uma fonte pública.
A Rua de S. Pedro chamava-se antes Rua do Rio Frio, nome do ribeiro também denominado Rio das Virtudes, que servia de limite entre os Coutos do Porto e de Cedofeita, como afirmam as «Inquirições» de D. Afonso III, em 1258, e a sentença que em 1354 alcançou o bispo D. Pedro Afonso contra o rei D. Afonso IV. Este monarca sustentava que o «canal maior», mencionado na confirmação de D. Afonso Henriques, em 1138, de carta do couto portuense, era o chamado Rio da Vila e não o Rio Frio. Parece-nos bem que a razão estava com o bispo.
Diz-nos Pinho Leal que nesta rua, abaixo da Fonte das Virtudes, estava a «pedra escorregadia», que encontramos mencionada já em documento do cabido de 1412 e noutro da Misericórdia, de 1555.
A Rua de S. Pedro de Miragaia termina na Rua dos Armazéns e chamava-se, num prazo de Santa Casa de 1794, Calçada de S. Pedro. A Travessa de S. Pedro de Miragaia é apontada como existindo em 1553, noutro emprazamento da Misericórdia também. A Quinta do Rio Frio, que ficava próximo das Virtudes, pertencia, em 1828, a António Maia, fidalgo da Casa Real, e a sua mulher. D. Ana Joaquina Maia.”
(*) Artigo publicado em “O Primeiro de Janeiro”, na rubrica “Toponímia Portuense”, em 15 de julho de 1974.
Na próxima edição de “RUAS” DO PORTO destaque para a “RUA DE S. ROSENDO”
Foto: pesquisa Google
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