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Teatro Municipal do Porto volta à vida ativa! Nova Temporada está aí… com 69 espetáculos até fevereiro de 2021, nos quais a Dança é predominante…

O Café Rivoli foi, uma vez mais, o palco escolhido para a apresentação, na manhã do passado dia 08 de setembro, de uma Nova Temporada do Teatro Municipal do Porto (TMP), desta feita a de 2020-21, que, entretanto, já se iniciou e terminará em fevereiro do próximo ano.

Seis meses depois de um interregno forçado pela pandemia criada pela Covid-19, o Rivoli e o Teatro do Campo Alegre voltam a ganhar vida, e logo com o primeiro espaço a comemorar, em 2021, 89 anos de existência.

 

José Gonçalves                     Francisco Teixeira

(texto)                                              (fotos)

 

O presidente da Câmara Municipal do Porto e também responsável pela “pasta” da Cultura, Rui Moreira, ladeado de Tiago Guedes, diretor do TMP, traçou as linhas-mestras da Nova Temporada do TMP, onde se destacam 69 espetáculos, 22 dos quais estreias absolutas e oito nacionais. Trinta e três coproduções são com aristas que trabalham a partir do Porto e três de âmbito internacional, destacando-se ainda, uma forte aposta: o “TMP-Onine”, através do qual serão transmitidas 14 sessões…

A nova temporada do Teatro Municipal do Porto iniciou-se já, no passado dia 17 de setembro, mas uma semana e dois dias antes, Rui Moreira fez questão de apresentar o “programa para o limiar de setembro de 2020 e fevereiro de 2021”, sem que antes, levasse os presentes a, como disse, “a entrar na «máquina do tempo» e voltar a março deste ano: no dia 07 de março foi apresentado no Teatro Campo Alegre, o último espetáculo antes de nos vermos forçados a fechar as portas dos teatros devido à pandemia da Covid-19”.

Estava feito o convite a uma viagem que a ninguém deixou boas recordações.

“Atendendo da impossibilidade de um regresso aos palcos a curto prazo, todos os esforços, do Município, da Ágora e também do Teatro Municipal se concentraram na recalendarização dos espetáculos que se encontravam previstos daí em diante, e até ao final do mês de julho. Recordar-se-ão, que, logo, dissemos, que não prevíamos que a programação na cidade pudesse começar antes do final de agosto, altura em que pretendíamos e conseguimos começar com a Feira do Livro”.

Rui Moreira realçou “todos os esforços levados a cabo em concordância com o estabelecido pelas entidades oficiais, nacionais e locais, e tendo sempre em mente, como condição de partida e objetivo final a máxima salvaguarda das condições dos artistas e companhias, que a nível logístico, quer a nível financeiro”.

A IMPORTÂNCIA DO “ONLINE”

Assim sendo, e ainda de acordo com o presidente da CMP, “a temporada que se anuncia resulta pois de uma conjugação do desenho de programação que estava previsto há muito tempo, e esses projetos que se viram adiados num puzzle complexo e muito desafiador, tendo em conta a situação atual e o desconhecido com quem ainda estamos confrontados. Resulta também de uma profunda reflexão artística que não pode deixar de existir e que incidiu sobre o contexto que atravessamos, e que nele também se observou no recurso às plataformas virtuais, para a transmissão e partilha de espetáculos e outras atividades”.

Para o efeito, Rui Moreira enfatizou o facto de “na sessão online das Quintas de Leitura, realizada no passado mês de maio, terem-se registado cerca de onze mil visualizações, de pessoas que acompanharam a sessão, no momento da sua transmissão, e aqueles que, nos dias seguintes, a quiserem ver, gerando, aproximadamente, 23 mil partilhas nas redes sociais, e cerca de mil comentários e interações. Estes são dados que atestam o elevado potencial de disseminação destas plataformas e que tornaram acessíveis conteúdos que, de outra maneira, não poderiam ser visualizados julgo que com maior número de público e maior abrangência territorial.

Assim sendo, “foi a pensar nisso que, alguns momentos da programação futura, terão uma transmissão online, num total de catorze sessões entre setembro de 2020 e fevereiro de 2021, já identificadas na agenda que hoje (08set20) lançamos.

Devido à limitação em cinquenta por cento da capacidade total das salas do Rivoli e do Campo Alegre, o número de bilhetes disponíveis será menos, assumindo-se, assim, o online como alternativa de relação entre público e a programação artística”.

Ora, “neste período, entre setembro e fevereiro, serão apresentados 69 espetáculos, dos quais 22 serão estreias absolutas e oito nacionais. Quarenta e quatro serão espetáculos de artistas e figuras que trabalham a partir da cidade, e 44 serão coproduções, 33 das quais realizadas com artistas e estruturas que trabalham a partir da cidade.

Como já foi referido, existirão 14 sessões online. O investimento na programação do Teatro Municipal do Porto, nestes seis meses, é de, aproximadamente, 700 mil euros”, referiu Rui Moreira.

OS DESTAQUES DO PRESIDENTE

Quanto à programação, ou melhor, aos destaques de Rui Moreira quanto à mesma, “desta extensa programação, há a destacar, então, alguns momentos que a compõem e que vão gizando a nossa temporada: o Festival Internacional de Marionetas do Porto, que apresentará muitos dos seus espetáculos no Rivoli e no Campo Alegre. Na sua 31.ª edição, o FIMP continua a contribuir de forma fundamental para a cena e formação artísticas contemporâneas, quer na cidade, quer no País. Este ano, a exemplo do que tem vindo a acontecer a cada duas edições, um fator de interesse acrescido será apresentado: o trabalho vencedor da quarta edição “Bolsa de Criação” de Isabel Alves Costa, uma Bolsa promovida pelas Comédias do Minho e pelo FIMP-TMP e que evoca Isabel Alves Costa uma figura incontornável dessas estruturas e das artes performativas na cidade do Porto”.

E os destaques de Rui Moreira não ficam por aqui…

“Em dezembro, decorrerá o encerramento do programa anual Cultura em Expansão, este ano já na sua sétima edição. Em 2020, o programa volta a cruzar diversas disciplinas artísticas e centra-se em quatro polos principais: a Junta de Freguesia de Campanhã, o Grupo Musicai de Miragaia, a Associação de Moradores do Bairro Social da Pasteleira, e a Associação de Moradores da Bouça.

O encerramento decorrerá neste teatro (Rivoli), no dia 19 de dezembro, num concerto dos Blind Zero com a Orquestra Juvenil da Bonjóia.

Destaque também para o 89.º aniversário do Rivoli, a ser celebrado no fim-de-semana de 23 e 24 de janeiro de 2021, serão oito espetáculos, que ocuparão – esperamos! – muitos dos espaços do Rivoli, envolvendo, novamente, maioritariamente artistas e estruturas que trabalham a partir do Porto”.

AS “PARCERIAS”

Apresentados os destaques, Rui Moreira não se esqueceu de salientar a importância das parcerias para a realização de todos os espetáculos inseridos na nova temporada do TMP.

“Este programação apenas é possível estando alicerçada em parcerias e colaborações sólidas e cúmplices como são as estabelecidas com a Culturgest, o Teatro Nacional D. Maria II, o Teatro Nacional S. João, a Universidade Lusófona, e o Curso de Música Silva Monteiro, SOS Racismo, Instituto Francês e a Embaixada francesa em Lisboa, a a Fantasporto, apenas para citar algumas entre muitas.

Há já algum tempo que todos nós ansiamos por este regresso ao palco e às salas do Teatro Municipal do Porto. Todos os esforços estão a ser desenvolvidos no máximo conforto e segurança, respeitando, integralmente, as normas da Direção-Geral da Saúde. Aqui estaremos para os receber com entusiasmo e para juntos retomarmos a ligação com os palcos da cidade”, referiu ainda Rui Moreira.

ENQUANTO CÁ ESTIVERMOS CONTINUAREMOS A APOSTAR NA CULTURA

Rui Moreira que, para terminar, deixou como que alguns avisos para o futuro, não se esquecendo, contudo, de relembrar factos do passado.

“A Cultura tem sido, desde 2013, a nossa mais forte aposta na cidade. Bem sei que, em tempos de crise – e quando recordo 2013, também nessa altura vivíamos um tempo de crise quinda que diferente –, há quem pense que aquilo que se investe na Cultura é um subsídio. Não é verdade! É, exatamente, nestes tempos de angústia, de dificuldade em compreender e aceitar aquilo que nos envolve, que mais precisamos da Cultura.

No tempo em que nos vemos confrontados entre duas marés opostas – aqueles securitários que estão à janela a dizer que não podemos sair e temos que ficar dentro de casa; e os outros que acham que isto é apenas uma constipação -, é a Cultura que nos ajuda a navegar nestes momentos difíceis e, portanto, enquanto cá estivermos iremos continuar a apostar na Cultura”.

TIAGO GUEDES E OS CINCO EIXOS DA NOVA PROGRAMAÇÃO

“Estamos ansiosos por retomar esta ligação com o público, com os artistas. Temos trabalhado muito. Uma das nossas principais preocupações foi preparar o Teatro com todas as questões ligadas a segurança, para que o público possa regressar às salas e aos seus hábitos culturais, de forma segura, confortável, aproveitando a programação cultural para o Teatro Municipal”, começou por referir Tiago Guedes, diretor do Teatro Municipal do Porto, na conferência de imprensa destinada a dar a conhecer a nova temporada e respetiva programação.

“Quero endereçar as minhas primeiras palavras aos artistas e às companhias, que viram, de março a junho, todos os seus espetáculos cancelados. Esse facto veio expor grandes fragilidades no tecido cultural. As instituições culturais têm uma enorme responsabilidade na salvaguarda desses projetos que foram anulados, Portanto, uma das nossas principais reformulações na temporada 20202-21 foi redesenhá-la toda. Ela estava quase toda preparada quando a pandemia surgiu.”

Foram, assim, “cinquenta espetáculos cancelados ou anulados, como os Festival Dias da Dança, o FITEI, tendo esses espetáculos sido reagendados para a próxima temporada.”

E depois, então, a palavra de Tiago Guedes para os artistas: “nós estamos cá para os apoiar e, efetivamente, cumprir com todos os nossos compromissos. Uma palavra também para a nossa equipa de comunicação e de todo o Teatro Municipal do Porto.”, para de seguida carregar em cinco “erres” essenciais para o êxito da nova temporada do TMP.

“Esta temporada foi escrita e pensada tendo em conta cinco eixos principais: Redesenhar – redesenhar a temporada 20-21 tendo em conta os espetáculos que já estavam previstos mas outros reagendamentos que foram necessários reorganizar, não é a temporada que nós sonhámos antes da pandemia, mas é a temporada a que obrigou, no bom sentido da palavra, a redesenhar todos os nosso compromissos.

Repensar – repensar a temporada com toda uma vertente online para que as pessoas que não consigam bilhete – só vai haver cinquenta por cento da lotação –, ou que queiram ficar em casa a assistir, assim o possam fazer.

Recentrar a nossa programação. Olhamos para o projeto do Teatro Municipal, que é um projeto multidisciplinar, com grande foco na dança, local, nacional, internacional.

Remontar – temos um programa de remontagens e Reativar, que como já falei, é reativar todas as normas de segurança para que todos possam sentir bem nos nossos teatros”.

PROGRAMAÇÃO (*)

Após seis meses, o TMP reabre com um conjunto de regras sanitárias apertadas, que serão cumpridas de forma escrupulosa nos espaços do Rivoli e do Campo Alegre, nomeadamente: o condicionamento da lotação das salas a 50%; a separação de dois metros entre pessoas; a criação de circuitos separados de entradas e saídas; a limpeza e desinfeção periódica dos espaços, equipamentos, objetos e superfícies.

Ao longo do primeiro semestre da programação, não vão faltar alguns nomes já conhecidos do público do TMP, como Companhia Nacional de Bailado, Teatro Experimental do Porto, Raimund Hoghe, Patrícia Portela, Cláudia Gaiolas, Jérôme Bel ou Joris Lacoste. O TMP prossegue ainda a sua ligação aos festivais da cidade, acolhendo, até fevereiro, Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP), Porto Post Doc e Queer Porto.

Remontar a História da dança

Seis temporadas depois da associação entre o Rivoli e o Campo Alegre ter sido rebatizada de Teatro Municipal do Porto, a programação, que se distingue pela sua multidisciplinaridade, voltará, a partir de setembro, a ter a dança enquanto disciplina central.

Assim, foi desenvolvido um programa de remontagens de espetáculos que dá a conhecer a história da dança através de algumas das suas criações mais emblemáticas, como A Mesa Verde (1932) e Chronicle (1936), que se inserem no programa Dançar em tempo de guerra (19 e 20 de fevereiro), da Companhia Nacional de Bailado; RainForest (1968) e Sounddance (1975), duas peças de Merce Cunningham dançadas pelo CCN – Ballet de Lorraine, que apresenta ainda, nos mesmos dias (13 e 14 de novembro), For four walls, uma nova criação de Petter Jacobsson e Thomas Caley; The show must go on (12 e 13 de fevereiro), espetáculo de culto do coreógrafo francês Jérôme Bel, que foi apresentado pela primeira vez há 20 anos e será remontado com intérpretes locais do Porto e Lisboa; e Guintche (21 e 22 de outubro), solo de Marlene Monteiro Freitas que estreou em 2010 e que integra o foco de programação do TMP dedicado à artista.

Programa especial dedicado a Marlene Monteiro Freitas

O TMP apresenta um ciclo especial de programação dedicado à obra e universo artístico de Marlene Monteiro Freitas, figura incontornável da dança contemporânea que recebeu, em 2018, o Leão de Prata da Bienal de Veneza.

Neste foco, que se realiza de 21 a 30 de outubro, serão apresentadas três peças que marcam o percurso da coreógrafa e bailarina cabo-verdiana, por ordem cronológica: Guintche (21 e 22 de outubro), Jaguar (24 de outubro) e a sua mais recente criação Mal – Embriaguez Divina (29 e 30 de outubro). Paralelamente aos espetáculos, este ciclo de dez dias contará com várias sessões de cinema, conferências e workshops, num programa com curadoria de Alexandra Balona.

Um teatro habitado e vivido por artistas

Jonathan Uliel Saldanha será o próximo artista associado do TMP, iniciando assim um novo processo de criação e colaboração em vários momentos da programação das próximas duas temporadas – 20/21 e 21/22. O músico e artista visual, também conhecido por ser um dos fundadores dos colectivos SOOPA e HHY & The Macumbas, distingue-se pela criação projetos onde se combinam as artes plásticas, o vídeo, a dança e o som. O seu trabalho já foi apresentado em várias salas, festivais e instituições culturais nacionais e internacionais, como Palais de Tokyo (França), Unsound (Polónia), Primavera Sound e Sónar (Espanha), Teatro Municipal do Porto, Culturgest ou Serralves. O primeiro momento de Uliel Saldanha será com a performance/instalação Mercúrio Vermelho (11 e 12 de dezembro), no Teatro Rivoli.

Destaque também para o programa JAA! – Jovens Artistas Associados, que continua esta temporada com Ana Isabel Castro e a dupla Pedro Azevedo e Guilherme de Sousa. Mantêm-se ainda as residências de curta e longa duração, bem como o mais recente programa de bolsas para pesquisa e investigação artística Reclamar Tempo, que apoia atualmente 11 projetos de artistas a residir ou a trabalhar no concelho do Porto com 3.000 euros cada.

89.º Aniversário do Rivoli

Entre 20 e 24 de janeiro, celebra-se o 89.º aniversário do Teatro Rivoli com uma extensa programação que atravessa várias áreas, desde a literatura à dança, da música ao circo contemporâneo, passando pelo teatro.

Nestes dias, será possível assistir à estreia nacional do comovente e envolvente Falaise (23 e 24 de janeiro), uma criação de Baro D’Evel, companhia franco-catalã de circo e artes performativas dirigida por Camille Decourtye e Blaï Mateu Trias; e às apresentações de Noite de Primavera (21 a 24 de janeiro), do Teatro Nova Europa, de Né Barros, e de Caixa para guardar o vazio (20 a 22 de janeiro), de Fernanda Fragateiro e Aldara Bizarro.

As celebrações contam ainda com o início do ciclo Modos de Comer (20 de janeiro), constituído por um programa com curadoria de Hugo Dunkel, em que serão organizados quatro jantares-conferência – um evento por mês, que culminará num festival de três dias em junho, que celebram a alimentação e as suas manifestações sociais, políticas, culturais e ecológicas. Há ainda um concerto organizado pela Matéria Prima e uma apresentação do projeto de Solveig Phyllis Rocher, que começou a ser desenvolvido em 2019 por ocasião do 88.º aniversário do Rivoli.

 

(*) Texto: Porto. / Etc e Tal jornal

Fotos: pesquisa Google e Arquivo EeTj

 

01out20

 

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