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Antigo Cineteatro de Ovar mantém-se de “porta” fechada para o Parque Urbano da Cidade

Concluído o processo de compra pelo Município de Ovar (2018), no valor 375.000 euros, do que restou do antigo Cineteatro de Ovar após a obra de demolição (2016) dos cerca de dois terços do edifício que davam sinais de risco de ruina, tal era o seu estado de degradação e abandono, após a década dos anos 90 em que funcionou como principal espaço cultural da cidade, tendo sido salvaguardada o essencial da fachada deste imóvel “modernista” inaugurado em 30/12/1944, com arquitetura típica do Estado Novo, da autoria dos arquitetos Francisco Augusto e Luiz Helbling.

Para o que ficou de pé, entre as ideias para a prometida reabilitação, prevaleceu a proposta de uma nova “porta” de entrada para o Parque Urbano da Cidade que continua fechada, enquanto o verdadeiro projeto para este simbólico espaço cultural se mantem adiado ou “embalado”, como resultado da demolição da parede lateral e parte da fachada.

 

 

José Lopes

(texto e fotos)

 

 

A prometida nova fase para este edifício cuja solução, sobre o que fazer perante a sua degradação, muito dividiu e divide os munícipes de Ovar, que continuam a conviver com um cenário deprimente e com solução adiada, ainda que já em 2019 tenha constado nas Grandes Opções do Plano da Câmara Municipal de Ovar, como “o ano da realização de um conjunto de obras estruturantes”, com projetos incluídos no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU), em que se destacavam um programa de obras e intervenções, a exemplo da regeneração urbana do centro da cidade de Ovar ou de âmbito social ao nível da habitação. Umas já realizadas outras em curso. Aguardando o edifício do antigo Cineteatro de Ovar, gaveto da Avenida do Bom Reitor com a Rua Ferreira de Castro, fronteiro à Igreja Matriz e ao Mercado Municipal, a oportunidade de abrir a anunciada nova “porta” para o Parque Urbano da Cidade.

O futuro da parte deste imóvel que restou da demolição, por mais argumentos da Câmara Municipal para justificar a sua aquisição e todo o processo que resultou na posse administrativa, na sequência do risco de derrocada, que obrigou a uma intervenção de emergência, passando pela polémica demolição das áreas em que se chegaram a verificar derrocadas parciais. Por diferentes razões e motivações, mesmo da profunda relação a um tal símbolo cultural da cidade, não está a ser fator de grande entusiasmo da população, o tipo de destino a dar-lhe, ainda que o executivo camarário, se proponha também incluir no projeto de reabilitação, serviços de turismo, teatro e cinema, para além da ideia inicial da “porta” de entrada no Parque.

Pouco crédito parece no entanto merecer entre os ovarenses, a ideia de que ali pode voltar haver cinema ou teatro, como possíveis soluções que vão sendo lançadas para uma intervenção que continua adiada. Uma tentativa, segundo o Município, “para não se apagar completamente a missão original do edifício”, isto quando a grandiosa sala e correspondente palco para teatro e tela para o cinema, acabou ingloriamente abandonada e demolida.

Nesta eventual solução com espaços, ainda que demasiado limitados, vocacionados para projeção de cinema e realização de teatro, o projeto terá sempre em linha de conta a oferta existente na cidade de Ovar, como é o caso do Centro de Artes de Ovar. Por isso, o aviso foi feito a quem ainda pudesse ter esperanças de ver reerguer o Cineteatro com eventos culturais de grande escala, com as suas salas de espetáculos que dispunha também de um salão de festas e bailes no primeiro andar, apesar de este salão ter escapado à decisão radical de demolição de uma significativa área, que, para muitos munícipes, mereciam outras opções para a preservação deste património cultural e arquitetónico.

Apesar da Câmara ainda em finais 2018 ter manifestado interesse no mais breve início das obras, e reabrir o edifício à comunidade o mais rápido possível, adaptado a novas valências. Aos olhos dos munícipes as potenciais valências a serem criadas, continuam desconhecidas. Restando a preservação da fachada, e mesmo esta opção não reúne consenso, tal é a descaraterização do edifício. Uma prometida tentativa de preservar pelo menos a fachada, na parte que foi salva, porque um dos setores das suas linhas arquitetónicos também foi demolido.

Seja qual for o destino a dar às áreas a reabilitar e os custos associados que não deixarão de fazer aumentar a diversidade de opiniões e criticas, a exemplo das dúvidas que têm sido manifestadas publicamente sobre a gestão do processo deste edifício. Desde o seu abandono como casa de cultura, ainda que de privados, até à intervenção na demolição, tomada de posse e posterior compra, para justificar um projeto que finalmente venha a abrir a nova “porta” que se mantem fechada, e que se propõe dignificar ainda mais o acesso ao Parque Urbano da Cidade de Ovar, através da fachada que simbolicamente continuará a fazer a ponte com o passado cultural de um povo e suas tradições (Teatro ou Encontro Reiseiro). Isto após perder um outro espaço de espetáculos, como foi o Teatro Ovarense, inaugurado em 31/10/1875 e demolido em 2000.

Os autarcas procuram agora, na intenção de salvar parte da fachada, redimirem-se do abandono a que um tal património foi votado por vários executivos ao longo de décadas. Opções que culminaram na construção de raiz do CAO que, sem a capacidade de lotação do antigo Cineteatro de Ovar, é a alternativa dos novos tempos para espetáculos cuja principal sala da cidade, deixou o cinema sem tela e “fora” da oferta da diversificada programação artística que ali se promove sem os naturais constrangimentos de um espaço que estava condicionado à gestão de uma sociedade privada, num concelho que a bem da promoção e acesso à cultura, evoluiu na consolidação de espaços culturais municipais. Oferta, em que a devido tempo se poderia ter integrado o antigo Cineteatro com toda a sua imponente sala, de que acabou amputado, e que permitiria diferentes opções de investimento na rede municipal de salas de espetáculo.

 

01nov20

 

 

 

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