Menu Fechar

Rua de S. Roque da Lameira

 

Esta rubrica dá a conhecer a toponímia portuense, através de interessantes artigos publicados em “O Primeiro de Janeiro”, na década de setenta do século passado. Assina…

 

Cunha e Freitas (*)

 

“Já nos fins do século XVI, a Lameira era uma populosa aldeia da freguesia de Campanhã; como tal a encontramos em documento de 1591.

Não sabemos quando se erigiu a capela de que o orago – São Roque – serviu de complemento para a actual denominação de S. Roque.

Dizem que esta ermida era, primitivamente, dedicada a Nossa Senhora da Ajuda, que ainda se venera no templozinho que hoje ali vemos. Existia, por certo., em 1664, porque, nesse ano, a 26 de Maio, morreu uma tal Francisca Fernandes, «ermitoa da Lameira»; e já em 1692 era da invocação de S. Roque, nos elucida outro termo de óbito da freguesia. S. Roque da Lameira, em 1716; «a par da aldeia da lameira de Baixo», em 1721; «morador a S. Roque, na aldeia da Corujeira», menciona outro documento, de 1738: Aldeia de S. Roque, em 1750.

Conta-nos o malogrado jornalista António Pinto de Almeida, há anos falecido, numa curiosa «Notícia Histórica da Capela de São Roque da Lameira» (1943), que a ermida fora reconstruída à roda de 1700, pelo seu ermitão, Francisco João, com esmolas dos devotos, e que numa padieira da porta principal se lia – ou antes não se lia – uma, hoje, desaparecida inscrição latina, com a data de 1737. Acrescenta ainda que o ermitão dotou a capela com um património de 200 mil reis, de que ficou por administradora a Irmandade dos Clérigos.

Foto: jg

S. Roque da Lameira, à beira da estrada para Valongo e Penafiel, foi teatro de luta entre Constitucionais e Legitimistas, durante o cerco do Porto. Aqui próximo da ermida, o cirurgião José Marcelino Peres Pinto, um injustamente esquecido cronista da cidade, que combatia nas fileiras de D. Pedro, com alguns companheiros de armas, assaltou o correio miguelista que ia para Penafiel. Refere o episódio o Dr. Pedro Vitorino, em estudo que dedicou à biografia de Peres Pinto.

Na aldeia da Lameira existiu um casal de S. Roque, foreiro aos beneficiados de Luzares, que, em 1709, pertencia a André Pires de Miranda e mulher, Luísa Ferreira de Aguiar, propriedade depois elevada a Quinta de S. Roque, e obrigada a um legado de 10 mil réis anuais à fábrica da capela. Esta quinta, hoje, desaparecida, pertenceu depois à família Vieira da Silva, de Campanhã.”

 

(*) Artigo publicado em “O Primeiro de Janeiro”, na rubrica “Toponímia Portuense”, em 30 de abril de 1974.

 

Na próxima edição de RUAS” DO PORTO destaque para a RUA DE SANTOS POUSADA

 

 

Fotos: pesquisa Google

 

01nov20

 

 

 

 

 

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.