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Economicices (23)

Cristóvão Sá-?menta

 

INVESTIMENTO PÚBLICO E CICLOS ELEITORAIS

 

Vários tem sido os autores que têm vindo a estudar o comportamento cíclico, recorrente e repetitivo de sequências de fases de crescimento e retração da atividade económica. O economista russo Kontradiev (1892-1938) foi quem primeiro se dedicou estudo destes fenómenos económicos. Os seus trabalhos de observação empírica, análise e interpretação, passaram a ser referenciados como ondas cíclicas. Estatisticamente, chegou à conclusão e provou que de cinquenta em cinquenta anos se repetiam tais ondas.

No gráfico acima é evidente o movimento ondular representativo da atividade económica sendo que a fase ascendente em cada um dos períodos é identificado como a fase de progresso/crescimento/prosperidade. Pelo contrário na descendente temos a depressão/recessão.

Os movimentos oscilantes da atividade estão associados ao crescimento, investimento e desenvolvimento de várias indústrias – fator chave. Desde a algodoeira, associada à utilização da máquina a vapor, até ao advento das tecnologias de informação (TIs). Hoje as TIs estão em pleno desenvolvimento (atente-se na realidade do que já é hoje a inteligência artificial). E assiste-se a crescimentos elevados nas indústrias da distribuição, farmacêutica, química, ambiente, energética e outras. Estes crescimentos estendem-se à economia como um todo.

No seguimento dos estudos de Kontradiev outros autores, com base em estudos econométricos (econometria ? capítulo da matemática dedicado à análise estatística dos fenómenos económicos), identificaram outros ciclos de menor duração:

-Ciclos de 15-20 anos, de Kuznets (1901-1985) – associados às atividades de construção e transporte;

-Ciclos de 7-10 anos de Juglar (1819-1905) – relativos à economia do  Reino Unido no século XIX. Estudo e análise sobre os gastos de investimento e das oscilações de: Produto Interno Bruto (PIB), Inflação, Emprego/Desemprego.

-Ciclos de 3-4 anos de Kitchin (1861 – 1932) – evidência dos Estados Unidos relacionados com os comportamentos de aprovisionamento de bens, empréstimos bancários e compras por grosso

Partindo-se da noção de que a variação daquelas atividades têm impacte no comportamento (flutuações) do PIB ou do Produto Nacional Bruto, medido em termos da sua variação,  Schumpeter (1883-1950) em 1939 atribui nomes às quatro fases já anteriormente teorizadas por Kontradief redenominando-as de: boom, recessão (dois trimestres consecutivos de quebra no PIB), depressão (período longo de 4 a 5 anos de recessão – exemplo a grande depressão dos EUA) e recuperação.

Redireciono-vos para o título desta peça: investimento e ciclo eleitorais.

Parece haver evidências, em várias economias que o comportamento do investimento público estará associado aos ciclos eleitorais. De facto a realidade mais próxima de cada um de nós, a de nível autárquico, mostra-nos, que em anos eleitorais (ainda que sujeito a discussão, direi que os orçamentos apresentados para realização no ano anterior ao eleitoral), são elaborados de forma a ocorrerem picos de investimento, hipervalorizando assim as realizações. O processo e aproveitamento marketing/comunicacional das inaugurações é verdadeiramente escandaloso. São verdadeiras sessões de fogo-de-artifício. Sobre esta questão, se tiverem curiosidade intelectual e interesse, mesmo político, remeto-vos para a leitura do estudo de Veiga, L. G e Veiga, F.J. (2004) – Ciclos político-económicos nos Municípios Portugueses : Banco de Portugal, 2005 –(http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/3822, disponível em 21/11/20, 22:40 H).

De forma controversa (haverá evidência empírica?), há quem defenda que a força política no poder percecionar uma muito provável perda de mandato e influência no futuro poder, logo no lançamento dos estudos previsionais do orçamento para o ano das eleições, retrai-se nas suas intenções de investimento. Será assim? Que vos parece?

Mas então que relação existe entre a teoria dos ciclos económicos e os ciclos eleitorais? Existe sim e muita. Note-se que o somatório dos investimentos realizados em cada um dos territórios impacta no comportamento global da economia. Poderá perguntar-se: mas qual é a relação de causalidade? A que está escrita atrás ou será que o investimento público local é dependente do desempenho da economia nacional, como um todo.  Neste momento não conheço estudos que relevem e provem a relação de causa-efeito. Fica aqui um desafio para os jovens estudantes de ciência económica – e/ou mesmo de administração central/loca – para procurarem aquele saber como, para as suas teses de mestrado e/ou doutoramento. Aguarrem-se à matéria.

O ESGOTAMENTO DOS RECURSOS, AS COMPETÊNCIAS E AS MOTIVAÇÕES PESSOAIS

De há muito que se estuda o impacte da atividade económica no processo da diminuição dos recursos, que, como se relembra, são escassos. A discussão sobre a consequência do consumo excessivo de derivados de combustíveis fósseis nas reservas mundiais é antiga e tem-se mantido na agenda geoestratégica mundial. As guerras que pululam em todos os continentes, umas mais dramáticas que outras, não são mais do que manifestações guerreiras para a apropriação da fonte e captura de matérias-primas. Mais, as políticas de defesa nacional dos interesses dos países mais poderosos do cenário mundial, têm determinado cruéis intervenções belicistas fora dos territórios nacionais.

Os recursos naturais são finitos. Então há que estudar e investir em recursos alternativos para serem alcançadas soluções alternativas para o mesmo desejado resultado final. Por exemplo: automóveis a combustível versus automóveis elétricos e/ou soluções híbridas; energia obtida por utilização de combustíveis fósseis versus  energia obtida por energia eólica e/ou solar.

A finitude é uma manifestação da nossa existência. A nível do desempenho individual também se poderá falar no esgotamento de recursos. Pense-se, por exemplo, nos futebolistas do topo mundial e mesmo nacional (de cada país). Esse esgotamento de recursos pode ser consequência biológica da sua existência. Mas também ser consequência de uma lesão. Um cantor que construiu a sua vida na utilização e rendibilização da excelência da sua voz, terá a sua existência e subsistência em causa se a perder. E se as perdas de competência resultam de um miserável e sofredor processo de descrença existencial levando ao extremo da autodestruição? Bem, e poderá haver perda de competências pelo comezinho motivo do não querer fazer. E muitas vezes é tão bom não ter um dever para fazer, como insinua o poeta.

Toda esta lengalenga porquê? Pois, já adivinharam com certeza. Estou claramente num processo de exaustão de competências e mesmo de interesse intelectual para as questões que tenho vindo a tratar aqui nos últimos dois anos.

O diretor sabe e já me disse ter sempre a porta aberta. Voltarei? Não sei. Se sim, quando? Não sei. A expressão, chavão, nunca digas nunca também se poderá aplicar nesta situação. Com um exemplo que não gosto, direi como os políticos: vou andar por aí. O diretor diz-me… eh pá… tu tens leitores fiéis, cuida deles. Não sei, não sei, não sei … nada, de nada.

A coluna (?) Econimicices enCOVIDou-se. O negócio foi ao ar. Fechou-se compulsivamente.

Abracinhos, confinados e/ou desconfinados mas sempre desconfiados.

Cristóvão Sá-?menta

01dez20

 

 

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