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O Parque de Serralves e a diversidade do seu património paisagístico na procura de esperança para o novo ano…

Com as diferentes medidas de confinamento ajustadas aos últimos dias do ano em época natalícia, as opções para um programa familiar ainda que com todos os condicionalismos neste tempo de pandemia, acabaram por fazer despertar uma visita ao Parque da Fundação de Serralves, para calcorrear por entre percursos que proporcionam contacto com a natureza e toda a diversidade do seu património paisagístico, como que, na procura de esperança para um novo ano mais livre para viver, sonhar e amar sem medos, mas também sem negacionismos relativamente às verdadeiras consequências para a humanidade, que resultam dos ritmos de infeções da doença Covid-19.

 

 

José Lopes

(texto e fotos)

 

 

Partiu-se assim em grupo familiar à descoberta do Parque, com um mapa e bilhetes a 10 euros por visitante nacional, como prenda natalícia inesperada, que proporcionou conhecer um património arbóreo e arbustivo em que estão identificadas cerca de 200 espécies e variedade de plantas autóctones e exóticas, que envolvem harmoniosamente, jardins e esculturas expostas em permanência. Obras de arte da Coleção da Fundação de Serralves, que contam com a monumental peça de arte “Maman”, uma aranha de aço e bronze com oito patas e cerca de dez metros, que se destaca das 32 obras da artista franco-americana, Louise Bourgeois, na exposição “Deslaçar um Tormento”, que pode ser vista no Parque e no Museu de Serralves até 20 de junho de 2021.

Com um reconfortante silencio que nos remete para bem longe da cidade, mesmo situando-se este cenário verde em pleno coração do Porto, só quebrado pelo chilrear dos pássaros nas copas das arvores, das quais nos aproximamos através do passadiço de madeira “Treetop Walk”, que permite aos visitantes caminharem ao nível da copa das árvores e daí poderem usufruir de uma contemplação diferente na observação ou estudo da fauna e flora, num percurso com cerca de 260 metros de extensão, que chega a atingir os 15 metros de altura. Um projeto de Carlos Castanheira em colaboração com Siza Vieira, os dois arquitetos responsáveis por esta mais-valia ao nível da observação.

Este Parque da Fundação de Serralves que tem uma área de 18 hectares e foi projetado pelo arquiteto Jacques Gréber nos anos 30 do século XX, uma informação acessível a quem visita esta referência singular no património da paisagem em Portugal. Conta ainda com uma Quinta Pedagógica em que é possível o contacto com alguns dos animais. Um espaço natural enriquecido com atividades lúdicas e pedagógicas que envolvem as comunidades escolares.

Numa manhã condicionada pelo tempo limitado ao confinamento, os animais da Quinta Pedagógica foram mesmos os únicos que permitiram alguma interação com os visitantes, como momentos reconfortantes para prosseguir os percursos que levariam a várias outras diferentes paisagens, formadas por lagos envolvidos pelas múltiplas espécies de árvores que refletem nos espelhos de água toda a sua imponência, não transparecendo qualquer sinal da dor, da tristeza, da ansiedade e da incerteza deixada pelo 2020, marcado pelos efeitos sociais e económicos da pandemia, que obrigou de forma contida e quase em silêncio, a desejar esperança num novo ano que permita a concretização de sonhos em liberdade e em democracia, bem como, particularmente em tempo de emergência climática, o exemplo deste Parque na sua componente pedagógica, de valorização e respeito pela diversidade e biodiversidade, contribuindo para um ambiente sustentável, porque não há Planeta B.

 

 

07jan21

 

 

 

 

 

 

 

 

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