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150 anos do nascimento de António Dias Simões assinalados sem o tradicional espirito reiseiro (1870 – 2020)

A tradição do Cantar dos Reis em Ovar tinha este ano (2021) todos os ingredientes para ser assinalada com redobrados motivos de entusiasmo e espirito reiseiro, associando a este evento cultural o recente reconhecimento do Cantar dos Reis que, finalmente foi inscrito no Património Cultural Imaterial de Portugal. Motivos para um ano reiseiro inédito, que a pandemia condicionou, a que se juntaria ainda um vasto programa de comemorações dos 150 anos do nascimento de António Dias Simões, figura ímpar na arte e na cultura, com particular dedicação à tradição reiseira, que com João Alves Cerqueira, deram características próprias e originais à tradição das Troupes de Reis em 1893, com a formação da primeira Troupe – a dos “Reis dos Alves ou “Troupe dos Velhos”, como é recordado na exposição inaugurada no dia 13 de novembro, que vai estar patente no Museu Júlio Dinis até 3 de abril, com investigação e conceção de Fernando Frazão.

Com o espírito reiseiro e o calor humano entre as diferentes gerações, que dão vida e alma à preservação e consolidação da tradição, inevitavelmente esmorecido pela covid-19 e consequente ambiente de confinamento e distanciamento físico. Fica a satisfação de ver aprovada a candidatura “Cantar dos Reis em Ovar” submetida pela Câmara Municipal em 2016, a Património Cultural Imaterial de Portugal e alguns dos momentos comemorativos dos 150 anos do nascimento de António Dias Simões, que incluem a apresentação pública no Centro de Artes de Ovar, dia 8 de janeiro, de um espetáculo com produção da Câmara Municipal de Ovar e direção artística do jovem músico reiseiro, Pedro Martins, com o envolvimento das várias Troupes de Reis. Um projeto que pretende dar a conhecer letras e músicas da autoria de António Dias Simões, numa encenação contemporânea, mas assumindo-se fiel à origem.

Das iniciativas que estão a decorrer continuamente reavaliadas devido à pandemia, consta ainda a apresentação do livro da autoria de João Silva Costa, “O Cantar os Reis em Ovar”. Um dos veteranos reiseiros com reconhecida dedicação à valorização deste património cultural, cuja obra também contribui para conhecer melhor a figura reiseira de António Dias Simões, nos 150 anos do seu nascimento.

Para melhor se conhecer a figura ímpar na arte e na cultura de António Dias Simões, está disponível no Museu Júlio Dinis uma exposição que faz a cronologia da sua vida e obra, de 1870 a 1922, fazendo os visitantes regressarem “ao tempo que a memória determina e à multiplicidade de atividades e tarefas que desenvolveu”, como na tradição reiseira, com “tantas troupes que punham em prática os seus originais ligados à música”, ou “a fundação dos colégios Júlio Dinis em que participou, logo após a implantação da República e a extinção das ordens religiosas”, na sua luta contra a incultura e a pobreza humana, que expressou através da imprensa local ou das obras que publicou, em biografias, na poesia, no teatro, ou na pintura.

Nesta exposição dos 150 anos do nascimento de António Dias Simões, a “tarefa magnificente pelo reconhecimento da sua ação em prol das letras e das artes da gente vareira”, contempla-se o Homem nascido em 1870, que fez formação académica no Porto e desde a juventude afirmou a sua alma artística. Contempla-se também: O Profissional; O Historiador; O Poeta; O Dramaturgo e Comediógrafo; O Artista; O Músico; O Cidadão e A Obra. “Vasta e tão variada, expande-se pela via artística e pelos campos literários e musical”.

O Museu Júlio Dinis / Câmara Municipal de Ovar, responsável pela produção da exposição dedicou ainda nesta mostra, um setor alusivo às atividades reiseiras que foram vivenciadas durante uma década na escola EB 2/3 de Ovar, que tem o nome de António Dias Simões como patrono.

 

Texto e fotos: José Lopes

01jan21

 

 

 

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