Menu Fechar

Rua de S. Sebastião

 

Esta rubrica dá a conhecer a toponímia portuense, através de interessantes artigos publicados em “O Primeiro de Janeiro”, na década de setenta do século passado. Assina…

 

Cunha e Freitas (*)

 

“O arco de S. Sebastião, ou «Porta do Ferro, junto a S. Sebastião», como diz um documento de 1599, tirou o nome de uma capela dedicada ao mártir protector da peste, que até 1718, esteve junto da antiga Casa da Câmara, ou dos 24, a casa que ainda hoje se vê ali em ruínas, com seus portais em ogiva, denunciando a antiguidade.

Era uma das portas que se rasgavam no chamado «muro velho» – a cerca primitiva que defendia o burgo medieval.

A rua que começava dentro do arco e subia para a Sé, cruzando com as desaparecidas ruas dos Açougues e da Nossa Senhora de Agosto ou das Tendas, ia terminar junto da porta intramuros do chamado Castelo Velho – mais ou menos onde hoje está a porta do seminário Maior – e, por isso, se denominou primeiro Rua do Castelo ou da Sapataria (1285), Sapataria do Castelo (1317), Sapataria Velha (1488) – «defronte de onde se faz a feira», esclarecia um documento de 1335. Chamou-se, por fim, Rua de S. Sebastião, nome por que é mencionada num emprazamento da Misericórdia de 1690, mas que seria provavelmente anterior.

Junto do arco, a muralha antiga foi interrompida – como esclarece já no séc. XVII o p.e Novais, na Anacrisis, pela escada «que sobe da Praça da Fonte de S. Sebastião para a Sé», praça que era naturalmente o Terreiro de S. Sebastião, mencionado em escritura de 1744.

Estas escadas, que foram depois tapadas, denominaram-se da Rainha. Qual rainha? Debalde procurou o Dr. Magalhães Basto identifica-la: apenas recolheu uma vaga tradição de que deveria o nome à rainha D. Maria Pia, mulher de el-rei D Luís I. Ou, como outros lhe disseram, a rainha D. Mafalda, mulher de D. Afonso Henriques. Seria?

A actual Travessa de S. Sebastião, já assim chamada no séc. XVIII, e era primitivamente do Forno, tinha a designação de Viela dos Gatos, talvez chamadouro popular com que a vemos denominada em escrituras de 1644, 1692, 1823, para só indicar algumas datas. Esta denominação parece-nos de fácil explicação, mas houve quem escrevesse que o nome derivava do facto de a viela «terminar numa quebra ou gato do lado da Calçada do Corpo da Guarda», e «como o gato é emblema da liberdade (…) seria pois a viela dos gatos a antiga Avenida da Liberdade cá do burgo». Com o Dr. Magalhães Basto, protestamos: «Não pode ser! Não pode ser! Aqui há gato!».”

 

(*) Artigo publicado em “O Primeiro de Janeiro”, na rubrica “Toponímia Portuense”.

 

Na próxima edição de “RUAS” DO PORTO destaque para a “RUA DA SENHORA DA AJUDA”

 

Foto: pesquisa Google

 

01jan21

 

 

 

 

 

Partilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.