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Rui Moreira e Alberto Feijóo consideram comboio entre Porto e Galiza “fundamental” para o crescimento económico das duas regiões

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e o presidente do Governo Regional da Galiza, Alberto Núñez Feijóo, defendem que é “estratégico” avançar com o projeto da ligação ferroviária de alta velocidade entre o Norte de Portugal e a Galiza, para acelerar o desenvolvimento económico das duas regiões vizinhas.

Esta foi uma das conclusões da conferência, “Galiza e Portugal – novos laços”, que decorreu na manhã do passado dia 11 de dezembro, na Corunha, encontro que também serviu para os governantes apontarem caminhos em matérias como a economia, emprego, mobilidade, infraestruturas e turismo, num tempo ainda mais desafiante, porque de crise.

O ciclo de debates “Diálogos Gallaecia”, promovido pela EFE, agência de notícias de Espanha, em parceria com a agência de comunicação Qualia, teve, desta vez, um convidado do outro lado da fronteira. Rui Moreira, que há duas semanas esteve com o responsável máximo da Galiza, no anúncio da candidatura de Braga a capital Europeia da Cultura 2027, voltou a encontrar-se com Alberto Núñez Feijóo para refletirem sobre uma colaboração mais estreita entre os dois territórios.

Logo à cabeça, a questão das infraestruturas. O presidente do Governo Regional da Galiza considera “uma excelente notícia” que o Governo Português tenha dado um sinal claro e taxativo para a criação de uma nova linha de ferrovia entre Porto-Lisboa, de alta velocidade. A linha, que também contemplará a ligação a Braga, propiciará o investimento no eixo direto ao norte de Espanha, via Tui, confia o responsável. “Um corredor ferroviário estratégico” e determinante para a almejada conexão entre Corunha e o Algarve, extremos norte e sul da zona oeste da Península Ibérica, considerou também.

Pelo contrário, “seria um grave erro continuar sem conexão ferroviária”, tanto no porto exterior da Corunha como entre Vigo e Portugal, avisou Alberto Núñez Feijóo. “Não se pode vertebrar um território se este não está comunicado”, ressalvou, citado pela agência EFE.

“Era um desejo antigo e podemos finalmente acreditar que vai ser concretizado”, assinalou por seu turno Rui Moreira, na conferência moderada por Ana Martínez, delegada da agência EFE na Galiza. O presidente da Câmara do Porto lembrou que, ao longo dos últimos 20 anos, foram de facto muitas as promessas e os anúncios, mas agora, acredita, já não há forma de recuar no compromisso assumido, ainda que estime demorar sete a oito anos a concretizar-se.

“Para que a relação económica [entre Porto, o Norte e a Galiza] se expanda, necessitamos de infraestruturas e de uma ligação ibérica. Esta é a última oportunidade que temos e não pode ser desperdiçada”, sinalizou o autarca, vincando que a “bazuca” europeia tem de ser aproveitada de forma inteligente, em investimentos com retorno. Mas uma grande fatia dos fundos europeus, entende Rui Moreira, deverá ser alocada a impulsionar a economia, com apoios muito concretos que promovam a competitividade das empresas.

Ora, nesse particular, surge a questão dos impostos, grande entrave ao crescimento económico. “A fiscalidade de ambos países não é competitiva na Europa”, declarou o autarca, denunciando que este é um problema que se adensou com a crise. “As empresas estão completamente descapitalizadas. Era importante baixar os encargos fiscais. Para sobreviverem e crescerem, não basta o crédito bancário. Os governos têm de capitalizar as empresas”, sentenciou.

Assim sendo, Rui Moreira propõe uma solução “mista” com o envolvimento de capitais públicos e privados, algo que aproxime de um fundo soberano de sociedades de desenvolvimento industrial com capital misto. E, como exemplo, partilhou o que o Município do Porto fez através da criação de um regulamento de redução de taxas urbanísticas,  REURB 2020. Uma medida “anticíclica” virada para os investimentos urbanísticos acima de um milhão de euros, que reduz não só as taxas pagas à autarquia a 50% como também diminui o tempo de tramitação dos processos. “É uma forma de não deixar esmorecer os investimentos programados”, assinalou o presidente da Câmara.

ALBERTO FEIJÓO: “AS AUTARQUIAS PORTUGUESAS SÃO MAIS AMBICIOSAS”

A iniciativa do Porto foi aproveitada por Alberto Núñez Feijóo, que considerou um exemplo a seguir pelas autarquias espanholas. O presidente galego disse crer que as autarquias portuguesas são “mais ambiciosas” nestas matérias, devido à sua orientação mais comercial e industrial. Até porque, nenhum município da Galiza aplicou aquilo que considerou serem as “férias fiscais” do Porto, constatou.

No entanto, mais do que os impostos, o governante compartilhou que fica com os nervos em franja devido “à lentidão e à burocracia dos processos”, que em vez de acelerarem os investimentos só os prejudicam. “Portugal está a dar-nos uma lição de pragmatismo, orientado para o investimento”, observou ainda Alberto Núñez Feijóo, admitindo ter uma “inveja saudável”, que – espera – seja também sentida pelos galegos, sinal de que alguma coisa está para mudar.

A crise económica não ficou também de fora do debate. O presidente da região autónoma assinalou que o orçamento foi reajustado para incorporar 2.500 milhões e assim atenuar os efeitos económicos da pandemia, e sublinhou a importância de alocar os milhares de milhões de Bruxelas para o que realmente valha a pena, porque há o perigo de os canalizar para “fazer projetos mais cosméticos e estéticos que estruturais”, disse.

No estreitamento de relações entre as duas regiões, há ainda a oportunidade do turismo, consideraram os dois dirigentes políticos. “Na Galiza e no norte de Portugal vivem cerca de seis milhões de cidadãos. Temos uma enorme capacidade de atração turística”, analisou Alberto Núñez Feijóo, que propôs o desenvolvimento de uma estratégia comum para o turismo gastronómico e cultural.

Rui Moreira não poderia estar mais de acordo. “Estima-se que a aviação só recupere plenamente da pandemia em 2025. Por isso, cada vez mais, temos de encontrar formas de estimular o turismo interno”, defendeu.

A fechar a sessão, seguida por muitos empresários, Alberto Núñez Feijóo voltou e elogiar o Porto, depois de ter declarado publicamente que “a cidade do Porto é a mais cosmopolita da eurorregião”. Na altura, disse também que “nos últimos anos, a cidade teve um crescimento excecional” e que é um exemplo para muitas cidades da Galiza.

 

Texto: Porto. / Etc e Tal jornal

Fotos: Miguel Nogueira (Porto.)

 

01jan21

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