Menu Fechar

Aniversário do “Etc e Tal”

Joaquim Castro

 

 

Esta publicação electrónica – Etc e Tal – completou 11 anos de existência, no passado dia 21 do mês de janeiro de 2021. Tenho a honra de ser um dos muitos colaboradores, que, mensalmente, nela apresentam os seus trabalhos: reportagens, entrevistas, informação, em geral, crónicas, artigos de opinião e artigos culturais e científicos. Algumas publicações são dirigidas, especialmente, a outros concelhos, fora da região do Porto, onde está a redação do jornal. Reconheço que esses outros colaboradores fazem um óptimo trabalho, gratuitamente, mas com grande qualidade profissional. Por mim, cabe-me colaborar com este trabalho, “Pontapés na Gramática”, que pretende alertar para os erros gramaticais, que se ouvem, que se veem e que se leem, em Rádios, Televisões e Jornais. Sem esquecer o que se escreve nas redes sociais, nas quais a Língua Portuguesa é constantemente posta em causa. Sem esquecer o que se lê em escritos de rua e o que se diz e ouve no mundo que nos rodeia. Por tudo isto, só posso dar os parabéns ao ilustre Director, que, com grande sacrifício e grande desgaste, vai comandando esta equipa de voluntários, com mãos de verdadeiro timoneiro. Parabéns, José Gonçalves. Parabéns a toda a equipa do Etc e Tal.

“INTERVIDO”!

Um “famoso”, badalado e veterano jornalista, referiu, na Antena 1: “ (alguém) disse que o presidente da República devia ter “intervido”, no caso das medidas contra a Pandemia”. Não sei se estava a citar alguém, que pronunciou a tal palavra “intervido” ou se o pontapé na gramática era da autoria do próprio jornalista. Mas parece-me que foi ele que deu o chuto na gramática O particípio passado do verbo intervir é “intervindo”. Conjuga-se tal como no verbo vir: Eu intervim, tu intervieste, ele interveio, nós interviemos, vós interviestes, eles intervieram. Após o jogo Braga 2 – Benfica 1, para a Taça da Liga, em 20 de Janeiro de 2021, um comentador da SIC Notícias, afirmou, bem, que o Benfica podia ter ganhado o jogo. Mas, muito atrapalhado, como se tivesse proferido uma asneira, corrigiu, para “ter ganho”. Há bastantes verbos com duas formas de particípio, uma regular, ganhado, outra irregular, ganho, como é este caso. Outros exemplos: encarregar, encarregado – encarregue, gastar, gastado – gasto, prender, prendido – preso. Em síntese, há verbos, em que tanto podemos empregar um ou outro termo, quando conjugados como os verbos ter e haver.

MELHOR DITO

Um jornalista da Antena 1, que costuma moderar debates na estação pública, utilizou a expressão “melhor dito”, para corrigir uma outra sua frase, anteriormente proferida. Depois, utilizou a expressão “de dia 24”. Ora, o comparativo e superlativo do advérbio bem é geralmente melhor. No entanto, quando é associado com particípios passados, as formas corretas são “mais bem”, como, “mais bem feito”, “mais bem dito” e “mais bem acabado”. Mas com o composto bem-vindo, não é possível empregar melhor, porque bem é parte de palavra, e não é uma unidade lexical autónoma. Portanto, deverá utilizar-se o termo “mais bem-vindos”. Em casos como este, é a própria norma que define uma exceção. Relativamente a “de dia 24”, considero que é uma forma incorrecta. Desde sempre, ouvi e li utilizar a expressão “desde o dia 24”; ou seja, falta-lhe o artigo definido “o”, como sempre tenho visto e dito. Recentemente, muitos falantes têm retirado o artigo da frase, como no caso deste exemplo, “de dia 24”. Não concordo.

ESPECIAL TV

No início da segunda quinzena de janeiro de 2021, comecei a anotar algumas barbaridades que fui ouvindo, contra a Língua Portuguesa. Comecei pelo programa Domingão, da SIC, apresentado por João Baião e mais um conjunto interminável de apresentadores, que nem sei bem como aparecem ali, de repente, pois nunca os vi em tal papel. Alguns conheço-os, como cantores e actores de telenovela. Outros, já por lá andavam nesse papel, mas a qualidade das suas prestações é muito duvidosa. Contudo, é o mau uso da Língua Portuguesa que está em causa. Aliás, por falar em telenovelas, seria de todo benéfico para a Língua Portuguesa, que os intérpretes dos variados papéis, respeitem a nossa gramática, pela influência, negativa, que podem provocar nos milhares, milhões de telespectadores que as veem e ouvem. Que cada vez que falam a palavra saudade, não a pronunciem “soudade”. Lá nisso, aprecio os intérpretes brasileiros, que geralmente pronunciam bem esta palavra: “sa-u-da-de”. Até dá gosto ouvir, deste modo, esta palavra, tão portuguesa. Mas este, não é caso único de pronúncia errada. Antes pelo contrário.

“GENÉVE”

A jornalista Patrícia Vilaça apresente o programa diário, Um Português no Mundo, na Antena 1. Já aqui referimos, que, nesse programa, Patrícia Vilaça pergunta, invariavelmente ao seu entrevistado ou entrevistada: “Qual é a palavra, que melhor define a sua experiencia, como português, ou portuguesa, no Mundo”? Deveria e deverá perguntar: “qual é a palavra, que mais bem define…”? E não “melhor define…”? Recentemente, a jornalista entrevistou um emigrante português, a trabalhar na Suíça. Mas indicou que ele estava em “Genéve”! Ele e ela referiam “Genéve”. Há topónimos que devem ser referidos pelo seu nome original, mas, neste caso, Genebra é o termo certo na nossa língua. Seria quase, como dizer que um português vive em London, em vez de Londres, ou em New York, em vez de Nova Iorque. E ainda temos o caso de Pequim, em uso em Portugal, e Beijing que são designações da mesma cidade chinesa. Nas últimas décadas, alguns governos procederam a mudanças de nomes ou de pronúncia das suas cidades ou dos seus países, provocando muitas dores de cabeça a quem viaja pelo Mundo. Na China, até Mao Tse-tung passou a chamar-se Mao Zedong. Recentemente, A Holanda, que é agora uma região do país, passou a designar-se Países Baixos.

“PARTELEIRAS”

Um repórter de exteriores da SIC, a acompanhar o candidato presidencial, Marcelo Rebelo de Sousa, apareceu numa livraria, de Lisboa, para descrever o que o actual presidente da República lá tinha ido fazer. Dizia ele que o candidato tinha lá estado, cerca de hora e meia, tinha visto os livros todos e que tinha visto todas as “parteleiras”. Uma pesquisa pelos dicionários permite-nos descobrir a origem da palavra prateleira: pratel (prato pequeno) + eira. Ou seja, o sentido inicial de prateleira, era o local onde se colocam os pratos. Não partos! Bem sabemos, que é mais fácil pronunciar “parteleiras”, do que prateleiras, mas não podemos escolher um ou outro termo. Prateleira, é que é o termo certo. Não deixa de ser confrangedor ver um profissional da comunicação social, já com muitos anos de tarimba, a ter este lapso perante tantos milhares de telespectadores. Continuo a defender, que nas redacções deve existir alguém que tenha a função de defender a Língua Portuguesa, acompanhando as emissões, a todo o tempo, para que, depois, envie as suas anotações a quem chefia as redações. O mesmo serviço deveria existir em muitos organismos públicos, que emitam mensagens ou outros documentos. Em muitos serviços, é comum encontrar escritos afixados, cheios de erros ortográficos.

GRÁVIDA DE QUEM?

Sou do tempo, em que se dizia que a criada estava grávida do patrão ou que a catequista estava grávida do sacristão. Por estes tempos, ouço dizer que a mãe está grávida, do João, do Pedro, do Rui. Ora, como as coisas mudam, consoante os tempos; como é subtil a Língua Portuguesa. Há dias, ouvi uma senhora, a falar do filho, dizer na SIC: “quando estive grávida do Marco…”, e lembrei-me desses outros tempos. No mesmo canal, que é o que eu mais vejo, uma outra mãe falava também do filho. Tanto ela, como a entrevistadora, conversaram mais de uma hora, mas nunca pronunciaram bem o verbo estar, nos seus vários tempos. Foi sempre: tar, tava, tive…É caso para perguntar, onde foi parar o verbo estar, nas suas várias conjugações? Naquele programa da tarde, ainda ouvi esta expressão da apresentadora: operação de cataratas à vista! Outro caso que me chamou a atenção, foi o de um português, que vive num país árabe, dizer que tinha saudades da comida portuguesa. Contudo, referiu que, todos os dias, tomava café com leite de camelo, o que não poderia fazer no nosso país. E como a língua portuguesa é muito traiçoeira, seria preferível ele ter referido leite de camela, que é o feminino de camelo. Ninguém diz leite de boi ou leite de burro!

PALAVRAS E FRASES QUE (ME) IRRITAM!

Quem estiver atento ao que de errado se pronuncia nas televisões e nas rádios – sei que há pessoas que não ligam a isso ou que não são capazes de detectar os erros -, pode, muito bem, colecionar centenas de erros diários, no que respeita à correcta pronúncia de palavras. Os rodapés das TVs também têm muito que se lhes diga, pois são sistematicamente cheios de erros ortográficos e de construção.

Alguns exemplos: Defenido (em vez de definido), permetir (permitir), decedir (decidir), Lesboa (Lisboa), aqui há atrasado, periúdo (período), rúbrica (rubrica), cabine (cabina), magnificiência (magnificência), gratuíto (gratuito), detiorar (deteriorar), nos próximos dia e semanas (nos próximos dias e nas próximas semanas), ponto come (ponto com), concerto (conserto), conserto (concerto), estórias (histórias), até prá semana (até à próxima semana), borda di água (borda d`água / borda de água), postar (publicar), sensebilidade (sensibilidade), aquilo que (o que), tá (está), briefing (conferência), cabine (cabina), caminete (camioneta), trotinete (trotineta), vintanos (vinte anos), dores nas vistas (dores nos olhos), o Covid (a Covid), conectar (ligar), sacrefício (sacrifício), umbelical (umbilical), menistro (ministro), Garré (Garrett), precaridade (precariedade), glicémia (glicemia), azuleijo (azulejo), veilho (velho), acelarar (acelerar). E há muitos mais exemplos.

 

Nota: Por vezes, o autor também erra!

 

Fotos: pesquisa Net

 

Obs: Por vontade do autor e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc e Tal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.

 

 

01fev21

 

Partilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.