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“Campanhã está diferente para melhor e até já atrai investimento!” Palavras de Ernesto Santos, presidente da Junta, cargo ao qual vai recandidatar-se nas próximas eleições

Ernesto Santos é presidente, há sete anos, da única autarquia socialista do concelho do Porto, mas, hoje, e mais do que isso, da Junta da freguesia em maior crescimento na cidade, passadas que estão algumas obras do papel para a realidade concreta. E os resultados da “revolução” processada “pela Câmara do Porto”, está, entre outros factos, no crescente interesse em investir nesta área específica da zona oriental da Invicta.

Foto: Miguel Nogueira (Porto.)

Ernesto Santos está, assim, satisfeito – e não esconde os elogios – com o trabalho que a Câmara do Porto tem vindo a desenvolver nos últimos anos em Campanhã. A reconversão do antigo Matadouro Industrial – a iniciar no próximo ano -, e o bom andamento das obras para a construção do Terminal Intermodal, são factos que dão alento ao presidente da Junta, que está interessado, como refere, em recandidatar-se ao cargo, nas próximas eleições (autárquicas) a realizar ainda este ano.

Mas, se em termos de obras que constituem uma verdadeira “revolução” em Campanhã, em pontos específicos dos seus 8,13 quilómetros quadrados, as coisas correm de feição,  o nosso entrevistado, para compor ainda melhor este cenário, tem agora, entre mãos, propostas de gente interessada em criar negócio na região, com especial destaque para o projeto de uma Cantina Comunitária, isto depois da rede internacional de supermercados “Mercadona” se ter instalado na área, ocupando armazéns que se encontravam abandonados há décadas.

Campanhã… a vermelho

Portanto, e pelos vistos, Campanhã já não é só conhecida pela sua estação ferroviária, nem pelo Estádio do FC Porto – hoje do Dragão, mas outrora, e praticamente no mesmo sítio, das Antas -, mas também pelo atrativo que está a criar para novos residentes e consequentemente o aparecimento de mais oferta, numa freguesia que, em termos de mobilidade, é das com maior oferta, em termos de transporte público, do Porto.

Só que ainda há muito por fazer em Campanhã, já que as “ilhas” ainda são uma triste realidade e a toxicodependência ainda dita leis em determinados bairros sociais, isto além da população mais idosa se encontrar, em muitos casos, isolada, e logo numa época dramática como a que se vive com a pandemia.

Tudo isto e muito mais, é de seguida escalpelizado por Ernesto Santos….

 

José Gonçalves

 

Está quase a chegar ao final do seu mandato como presidente da Junta de Freguesia de Campanhã. E Campanhã, está diferente… para melhor?

“Claro que sim!”

Há projetos ainda em papel, mas outros estão já a ser concretizados, como é o caso do Terminal Intermodal de Campanhã. Este, e outros factos, constituem como que um revirar de página da relação da Câmara com a zona oriental do Porto, e, em concreto, com Campanhã?

“Há uns anos cheguei a comparar Campanhã com a antiga zona da Expo, em Lisboa. Eu conhecia bem aquela área na parte oriental da capital do país, pois fiz por lá tropa. Como que é hoje aquela área? Só que lá houve uma grande participação do Estado, que, aqui, não se registou, antes pelo contrário. Veja o que aconteceu com a posição do Tribunal de Contas em relação ao projeto para o ex-Matadouro Municipal, que originou uma grande morosidade no processo…”

…mas isso foi, recentemente, ultrapassado.

“Sim, graças ao presidente da Câmara, e à autarquia em si, que conseguiu desbloquear toda essa situação. Mas, se não fosse o tempo perdido pelo Tribunal de Contas, as obras no ex-Matadouro já tinham começado”.

projeto para o ex-Matadouro da Corujeira (foto: carlos Amaro)

Em bom andamento parecem andar as obras para a construção do Terminal Intermodal de Campanhã?!

“Em bom andamento mesmo! Agora, está já na fase de projeto a Quinta do Mitra, com o concurso que está para breve. Também temos o novo Centro de Saúde de Campanhã quase concluído, e portanto temos projetos muito significativos na freguesia, facto que tem originado bastante interesse em termos de investimento. Vejamos o caso do Mercadona que foi ocupar armazéns que já estavam há vinte ou trinta anos desocupados. Este é um sinal de que a freguesia está em constante mutação”.

Ernesto Santos de visita, com Manuel Pizarro, ao novo Centro de Saúde de Campanhã (Foto Boletim informativo da JFC)

E, entretanto, há também o terreno em Justino Teixeira que passou para as mãos da Câmara Municipal.

“Sim, é verdade. Finalmente, o Ministério da Saúde passou o terreno para a Câmara, pois esta tinha feito uma permuta entre o Centro de Saúde de Ramalde – que a Câmara o fez de raiz – em troca dos terrenos em Justino Teixeira. Foi outro processo que demorou imenso tempo. E, esse tempo que as entidades demoram a tomar resoluções, é que leva a que os projetos se atrasem demasiado”.

Nos bairros sociais – e Campanhã tem um número considerável – houve uma importante intervenção de reabilitação…

“Nos que ainda não houve está a começar a haver, como é o caso do Falcão e outros, como o Cerco, com trinta e três blocos, que está numa profunda reabilitação, e que não é coisa simples. Acho que, neste aspeto, a Câmara, não só agora, neste mandato, mas do outro mandato para cá, tem tido um avanço significativo nessa matéria”.

ESTOU A VER SE CONSIGO ENCONTRAR UM LOCAL PARA SER INSTALADA, COMO INVESTIMENTO, UMA CANTINA COMUNITÁRIA

Há um bom relacionamento institucional entre o presidente da Junta de Freguesia de Campanhã – a única autarquia no concelho do Porto que é socialista – e o da Câmara Municipal do Porto, eleito por uma lista de independentes?!

“Essa questão do ser ou não ser da mesma cor política nunca foi notória. Eu nunca a senti. Não sinto para com a Junta de Campanhã um tratamento diferente ao das juntas pertencentes ao grupo do Rui Moreira. Alias, tem sido um tratamento por igual, até porque há, agora, uma assessora da presidência que tem como tarefa fazer a ligação entre todas as juntas e o executivo camarário, pelo que, quando temos qualquer problema, colocamo-lo à referida assessora, que contacta o presidente sobre o assunto e ele responde-nos.

Tenho, por exemplo, e de momento, um grupo que está interessado em investir numa cantina comunitária, com chef de cozinha e tudo, e estou a ver se consigo encontrar um local para ele se instalar. E ele só precisa, realmente, de um espaço de cerca 300 metros quadrados, mas, a verdade, é que a nossa Junta não os tem. Entretanto – lá está – coloquei o problema à Câmara Municipal e estou á espera da resposta, para depois poder reunir com esses investidores.

Mas, depois a Junta saltará fora, porque acho que aí já será a Câmara que tem traçadas as linhas políticas para a cidade a tratar e a assumir o projeto de acordo com essas linhas. Sou da opinião que este projeto é interessantíssimo e, como referi, propu-lo à Câmara e estou à espera de uma resposta.

Por exemplo: aquele espaço que serviu de armazéns para a STCP, e uma vez que a edilidade os adquiriu, acho que num desses armazéns, e provisoriamente, seria o ideal para essa ideia da cantina comunitária ser uma realidade”.

A ZONA DE AZEVEDO É CADA VEZ MAIS CARENTE

Foto: Mariana Malheiro

E a zona de Azevedo?

“Há pessoas que querem Azevedo, mais ou menos, nos moldes em que ela está, só que os investidores não estão interessados. Se lá se construir um prédio de dois andares, pouco rendimento se tira dele, pagando o terreno, pagando tudo… O que eles querem é construir mais em altura – três quatro andares -, até porque esse tipo de prédios já existem na zonam e mais concretamente no Bairro do Lagarteiro. Portanto, não seria muito descaraterizante. Essa foi a sugestão que eu dei no Plano Diretor Municipal. Trazer investidores para a zona de Azevedo seria de facto a cereja no topo do bolo”.

Mas, não deixa de ser uma zona socialmente carente?!

“Muito carente, e cada vez mais! E cada vez mais porque aquelas casas eram habitadas só praticamente por idosos, os senhorios vão alugando aquilo a bons preços, o que leva uma pessoa que receba o salário mínimo ter de pagar trezentos euros de renda ficar quase sem dinheiro…”

Mas, em termos de toxicodependência as coisas estão mais calmas? A transferência daquela a que se chamava esquadra móvel do Lagarteiro para a da Corujeira foi benéfica?

“Não se notou a transferência. Atenção que aquilo não era uma esquadra, era um posto de atendimento. Mas, vamos a um exemplo se houvesse alguma situação nos Correios, o polícia que lá estava não saía, ligava para o 112, para a patrulha, tal como o nós podemos fazer em situação idêntica. Na altura, a PSP tinha cerca de treze homens que, ao fim e ao cabo, não faziam as funções policiais”

TOXICODEPENDÊNCIA: “OS POLÍCIAS VÃO AOS LOCAIS, MAS DEPOIS ELES (TOXICODEPENDENTES) CONTINUAM COM A SUA VIDA

Foto: Pedro N. Silva

Ao nível da toxicodependência e marginalidade, as coisas estão mais controladas?

“Não digo controladas, estão mais resguardadas. De qualquer das formas, na Praça da Corujeira, a tal que vai sofrer também importantes obras – ainda se nota movimentos. Tenho, para o efeito, alertado a Polícia. A Polícia, por seu turno, tem estado atenta, mas o que é certo é que os polícias vão lá e eles depois continuam com a sua vida. Das duas uma: ou as zonas mais achacadas ao problema da droga eram policiadas continuamente, ou, estar com falinhas mansas não adiante,  pois isso é coisa que essa gente pouco liga ou alinha”.

Outro exemplo de desenvolvimento de Campanhã foi a despoluição do Rio Tinto. E o caso do rio Torto, continua torto?

“Continua mesmo torto, embora as juntas de freguesia por onde o rio passa – Baguim. S. Cosme, Valbom e Campanhã – já reuniram algumas vezes com o senhor professor doutor….Fernandes para ver se se arranjam soluções para este caso. O importante é também sensibilizar as duas câmaras – Porto e Gondomar – nesse sentido, mas ainda não há feedback, isto tem de ser uma ação conjunta, aliás como aconteceu no caso do Rio Tinto. Eu gostaria muito de ver o rio Tinto com peixes como antigamente, onde lá pesquei muito, mas se ainda não vejo os peixes já vejo os patos, onde já, pelos vistos, encontram um habitat mais saudável”

VOU RECANDIDATAR-ME, MAS, ATENÇÃO QUE UMA CANDIDATURA PARTIDÁRIA DEPENDE SEMPRE DO SEU PARTIDO

Foto: Miguel Nogueira (Porto.)

Está satisfeito com estes quase oito anos à frente da Junta de Freguesia de Campanhã?

“Estou satisfeito, sim. Estou satisfeito com o que foi concretizado nos últimos quatro anos, mas também nos outro quatro anteriores, no meu anterior mandato, pois foi por essa altura que começaram a nascer as ideias para os grandes projetos e que alguns começaram logo a ser levados a cabo. Tudo isto é uma obra de dois mandatos da Junta, mas também da Câmara Municipal. Quer queiramos, quer não, a zona oriental da cidade do Porto tem evoluído muito pela boa vontade da Câmara em ter projetos para atrair investidores”.

Haverá um terceiro mandato?

“Houve momentos, isto há cerca de um ano, que disse «não!». Neste momento era capaz de dizer «sim». O meu estado de saúde está bastante melhor…”

E também é altura de, digamos que “saborear” os produtos do trabalho desenvolvido…

“Saborear, não. Ainda falta muita coisa para fazer. Temos mais projetos. Aliás, a Junta está para ficar com uma parcela de terreno, junto ao cemitério, para lá poder fazer um crematório, o qual abrangeria em termos de utilização toda a zona oriental da cidade do Porto, portanto incluindo também a freguesia do Bonfim. Se a Câmara nos der o terreno, espero ainda o ter disponível ainda durante este mandato e começar com as obras. Não queria deixar compromisso para ninguém, e não vou deixar. Esses compromissos de investimento, caso não ganhe as eleições, podem resolvê-los da maneira que entenderem”.

Mas vai recandidatar-se!

“Sim. Espero que sim. Atenção, que uma candidatura partidária depende sempre do seu próprio partido. O PS pode ter outro candidato que não eu, e eu até o posso aceitar. Quem é eleito por um partido não é a mesma coisa que ser eleito de forma independente. Independente que nunca se é independente… está-se sempre depende de qualquer força, seja comercial, seja política, seja o que for. Disso ninguém tenha dúvidas. Mas, espero de facto ver algumas obras iniciadas e acabadas nos meus mandatos”.

HÁ COISAS QUE PODERIAM SER AS JUNTAS A TRATAR…

Foto: Miguel Nogueira (Porto.)

As juntas de freguesia necessitam de mais autonomia… de mais competências?

“Claro que sim. Aliás, essa é uma situação que se coloca cada vez mais, porque nós recebemos situações que temos de enviar para a Câmara e, enquanto elas vão e vêm, o tempo passa e as situações agravam-se. Há certas coisas, mesmo pequenas, que poderiam ser as juntas a tratar. É verdade que a Câmara para certas circunstâncias tem determinados acordos a cumprir, e ela não quererá deixar de ter esses acordos e de os cumprir, mas tenho sentido que a Câmara, apesar de tudo, vai satisfazendo muitas das minhas reivindicações, pelo que, nesse aspeto as coisas estão mais ou menos.

Para a população em geral é muito mais fácil falar com o presidente da Junta que da Câmara, há, no fundo, uma maior proximidade entre o eleito e o eleitor”.

Portanto, Campanhã, em seu entender, está no rumo certo?!

“Acho que sim! Embora não seja em velocidade de cruzeiro, vai indo lentamente, mas começa-se a olhar para o lado, e quem tiver olhos de observador, e começa a ver as grandes diferenças… isso é um facto!”

AS JUNTAS DE CAMPANHÃ E DO BONFIM JUNTAMENTE COM A BENÉFICA PREVIDENTE ESTÃO A TRABALHAR EM CONJUNTO NO APOIO ÀS PESSOAS QUANTO À PANDEMIA E OS ESFORÇOS ESTÃO A RESULTAR EM CHEIO

Foto: Pedro N. Silva

A pandemia é que veio estragar muitos dos planos a um número incalculável de pessoas…

“A situação social é, sem dúvida, grave devido a esse problema relacionado com a pandemia. Tivemos que fazer acordos com algumas associações e até com a Junta de Freguesia do Bonfim e a Benéfica Previdente para poder socorrer muita gente. Sempre tivemos os nossos apoios e que agora aumentaram bastante.

Na zona oriental, tanto o Bonfim coimo Campanhã estão, neste contexto, a fazer um excelente trabalho, até pelo referido protocolo tripartido que assinámos. Está provado que em conjunto se fazem coisas melhores que isoladamente. A Junta de Freguesia do Bonfim, de Campanhã e a Benéfica Previdente estão a trabalhar em conjunto e este conjunto de esforços está a resultar em cheio. E não estamos a falar somente em infetados, mas também em pessoas da terceira idade que não têm quem as apoie no sentido da alimentação e manutenção pessoal etc. e a Benéfica faz tudo”.

 

E foi, assim, um encontro, via telemóvel, com o presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, iniciando-se com esta entrevista semirrápida um périplo (esperando-se recetividade para tal) com todos os presidentes das juntas do Porto, que se encontram em final de mandato e prontos estarão, por certo, a dar conta da obra feita e da que pretendiam fazer…

 

Foto em destaque: Miguel Nogueira (Porto.)

 

01fev21

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