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Pandemia voltou a cancelar concerto dos “The Gift”, em Ovar

Em Ovar como no país a programação cultural voltou a sofrer um sério revés com as novas medidas restritivas de confinamento geral, que levaram ao encerramento dos vários espaços promotores de cultura de âmbito municipal, como no Centro de Artes de Ovar (CAO), Museu Júlio Dinis, Escola de Artes e Ofícios, Biblioteca Municipal de Ovar ou o Museu Escolar Oliveira Lopes, cuja programação Ovar/Cultura de espetáculos e eventos agendados até ao final do mês de janeiro, foram adiados até que seja possível anunciar novas datas. Voltou a ser cancelado o concerto The Gift tal como já na edição de abril/2020 deste jornal tínhamos referido, então com o concelho de Ovar sujeito às medidas do “Cerco Sanitário”, num período de tempo, como aqui escrevemos, “a agenda cultural do Município de Ovar ainda incluía na sua programação do primeiro trimestre, no Centro de Artes de Ovar (C.A.O.), eventos como o espetáculo musical The Gift com Sónia Tavares na voz, que acabaram cancelados dada a evolução do coronavírus covid-19”.

Como reconheceu a própria vocalista dos The Gift, Sónia Tavares, através de um vídeo na própria noite em que estava agendado o concerto, dirigindo-se aos espetadores que quase um ano depois voltaram a ver frustradas as expetativas de ouvir ao vivo a banda portuguesa, de Alcobaça, formada em 1994, com um reportório em grande parte escrito em inglês. “Pela segunda vez, a covid-19 obriga-nos a adiar o concerto The Gift agendado para esta noite no Centro de Arte de Ovar. Cuidemos de nós e dos outros para, tão breve quanto possível, voltarmos aos encontros, aos concertos, à Vida tal como desejamos. Até já, The Gift!”.

Da programação apresentada para início de novo ano em janeiro, que acabou cancelada, destacavam-se ainda, para além do projeto multidisciplinar de homenagem ao “reiseiro” António Dias Simões, nos 150 anos do seu nascimento (em artigo próprio nesta edição), uma tertúlia com Pedro Damião, para a apresentação do livro “Residência Artística de Pedro Damião: As Palavras Estão Gastas. Porque Não Calarmo-nos de Vez?”, que reúne os textos criados pelo ator vareiro e as fotografias de Daniel Mendonça, dos principais momentos da Residência Artística a partir do Museu Júlio Dinis, desenvolvida ao longo do ano de 2020, através de uma programação condicionada pela pandemia, e pelo estado de emergência.

Situações que forçaram a cancelar mais este evento, sobre o qual o seu autor, Pedro Damião, admitiu na sua página do facebook, tratar-se de “um processo de total sofrimento, este, o da criação, de um embate violento nesta nova realidade; que começou num cerco sanitário, passou por um confinamento geral, sofreu diversas restrições, alterações de espaços, que recomeçou várias vezes e do zero; onde vivi um total vazio intelectual, onde soube explorar (verdadeiramente) a palavra “improvisação”, onde vivi o presente sem saber do futuro, onde o futuro próximo estava sempre longe, onde senti o meu trabalho estar a ser posto para trás para dar espaço a outros eventos com maior nome; enfim, onde sobrevivemos para chegar onde começamos.” Acrescentando, “esta apresentação do livro, este último momento da Residência não quer acontecer, não quer terminar. Mas, infelizmente, tudo tem o seu fim e há um vazio que insiste em regressar”.

Janeiro tinha ainda na sua programação cultural, o espetáculo “Descobrimentos” com Pedro Tochas, em que este descobridor, através de pequenas histórias, divagações e alucinações, criaria momentos de fazer rir neste tempo de angústia. Ainda na música, a pandemia obrigou também ao cancelamentos no palco do CAO do espetáculo de Lucas Argel, compositor e cantor brasileiro a viver no Porto, que incluía Ovar na sua digressão pelo País com o álbum Conversa de Fila.

Uma oportunidade adiada para ver e ouvir o cantor que narra lutas da história do Brasil no álbum “Samba de guerrilha”. Lucas Argel, que migrou para Portugal em 2012, através do seu álbum Samba de guerrilha mostra o samba como um elemento de resistência, de registro histórico, conectando várias culturas existentes no Brasil. Um disco através do qual fala sobre escravidão, racismo e desigualdade social. Temas que o samba por cá ainda não canta, na terra de Carnaval também cancelado, que desta forma teria oportunidade de partilhar um interessante debate cultural no contacto com o artista carioca.

Com a programação de eventos e espetáculos Ovar/Cultura para janeiro, que acabaram surpreendidos pelas novas medidas restritivas de confinamento geral, a expetativa é que a cultura resista com os apoios necessários, para que à terceira seja mesmo de vez o concerto The Gift, ou os restantes espetáculos e eventos cancelados, através de um novo agendamento, mesmo com as limitações sanitárias a que as atividades culturais já estavam adaptadas com inevitável redução de público.

 

Texto: José Lopes

Fotos: Ovar/Cultura-Facebook e pesquisa Google

01fev21

 

 

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