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Duas mil pessoas já assinaram petição contra a destruição do “Jardim de Sophia”, na portuense Praça da Galiza”, e o abate de 503 sobreiros em Gaia

A “agendada” destruição do Jardim de Sophia, à Praça da Galiza, no Porto, devido à construção, no local, de uma estação de Metro, tem vindo a indignar milhares de pessoas, duas mil das quais já se manifestaram através de uma petição levada a cabo por quatro instituições da região: Associação Cultural e de Estudos Regionais (ACER), Campo Aberto – associação de defesa do ambiente; Clube Unesco da Cidade do Porto e Núcleo de Defesa do meio Ambiente de Lordelo do Ouro – Grupo Ecológico – NDMALO.

De acordo com as referidas instituições, todas elas “atuantes na região do Porto, foi solicitado aos presidentes da Agência Portuguesa do Ambiente, da Câmara Municipal do Porto, do Conselho de Administração da empresa Metro do Porto S. A., da Comissão de Coordenação do Desenvolvimento Regional do Norte e ao vereador do Ambiente de Vila Nova de Gaia, que “ouvissem o apelo de mais de dois mil cidadãos e interviessem para evitar a destruição do Jardim de Sophia (ou da Galiza), no Porto#”, assim como o abate de 503 sobreiros em Gaia. Ao mesmo tempo remeteram-lhes o texto da petição (http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT103532) e as mais de duas mil assinaturas em que o apelo é feito.

Na missiva enviada à Agência Portuguesa do Ambiente, as quatro signatárias solicitam o cumprimento das Declarações de Impacte Ambiental relativas à construção das Linhas Rosa e Amarela do Metro do Porto, designadamente no que diz respeito à preservação integral do Jardim de Sophia (à Praça da Galiza, no Porto) bem como de 503 sobreiros em Vila Nova de Gaia. Tais exigências deverão ser inequivocamente plasmadas na Declaração de Conformidade do Projeto de Execução (DECAPE).

ÁRVORES COM HISTÓRIA E CRIME AMBIENTAL

Dos comentários feitos por subscritores, os promotores da petição destacam o de Paulo Ventura Araújo, professor na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, um dos autores do livro “À Sombra de Árvores com História”, de grande influência no redespertar de interesse pelas árvores e jardins históricos do Porto e cuja segunda edição foi coeditada pela Câmara Municipal do Porto, em 2006:

«No Porto tem feito escola a ideia de que um jardim por si só não vale grande coisa, tendo por isso que ser enriquecido com outras valências. Nesta linha de pensamento, um jardim com estação de metro é muito melhor do que um jardim sem ela. Que o resultado final seja um espaço degradado (como o é inequivocamente o Jardim do Marquês) ou integralmente destruído (como será o Jardim de Sophia) pouco importa para quem vê a realidade pelas lentes das ideias preconcebidas. Por que será que em Londres, onde há tantas praças ajardinadas e tantas estações de metro, essas estações nunca (ou quase nunca) são em jardins, mas sim nos prédios que ladeiam a praça?» .

Também em comentário, o Professor Catedrático da Universidade de Lisboa Viriato Soromenho-Marques escreveu: «A destruição de ecossistemas é em 2020 um crime contra o futuro próximo. É preciso dizer basta! E agir em conformidade.» Fernando Santos Pessoa, arquiteto paisagista, que foi colaborador imediato de Gonçalo Ribeiro Telles na sua obra legislativa e executiva pioneira em matéria de ambiente a nível governamental, apoia a petição e escreve: « A falta de sensibilidade é sinal de falta de cultura, falta de formação e falta de informação. Muitas das nossas empresas são adequadas a terras dum chamado terceiro mundo – ou talvez nós estejamos numa dessas terras.»

INCREDULIDADE, INDIGNAÇÃO E REVOLTA

Numerosos outros comentários, que podem ser lidos na página digital que aloja a petição, realçam, segundo as associações signatárias, o valor do património ameaçado nela defendido e manifestam incredulidade, indignação e revolta pelas ameaças a que se opõem.

 

Texto: Signatários da PetiçãoEtc e Tal jornal

Fotos: pesquisa net

01mar21

 

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