A paisagem do Cais do Carregal, em Ovar, mesmo tendo beneficiado quase há uma década, de obras de requalificação pela Polis da Ria, que já á muito vêm dando sinais de degradação e frágil consolidação das margens como se propunha a intervenção ali realizada. Continua a ser alvo fácil de descargas poluentes que tornam ainda mais deprimente, todo o cenário natural envolvente, com visíveis manchas de gordura e espuma que ali chega com águas escuras, tantas vezes com cheiro nauseabundo, que tornam uma zona em que era suposto ser de lazer, em local pouco acolhedor.
Ainda que a intensa precipitação que se tem feito sentir, dê origem a grandes quantidades de águas pluviais que ali são naturalmente descarregadas. As últimas descargas ali efetuadas, por uma manilha que faz a ligação entre um riacho no lugar do Carregal e o Cais, a exemplo de outros pontos de escoamento de águas para a Ria, não são apenas descargas do aumento do caudal do riacho provocado pelas chuvas.
O cenário de manchas de resíduos poluentes ao longo do canal do Cais do Carregal é demasiado cíclico e várias vezes tem merecido a denúncia de quem mais diretamente acaba por contatar com tal situação, como é o caso de pescadores e outros utilizadores da Ria, como praticantes de modalidades náuticas que treinam no Canal da Ria de Ovar.
Identificar os focos poluidores, continua a ser missão que a indignação dos populares, não quer acreditar ser impossível detetar pelas autoridades competentes. Tratando-se no caso da manilha de ligação do riacho ao Cais, de descargas à boleia da significativa quantidade de água a correr, em que, e perante tanta impunidade, há quem aproveite para se libertar de alguns resíduos de origens pouco próprias para serem despejadas na Ria a céu aberto.
Apesar da polémica que esta descarga deu origem, em que há quem relacione com a Etar localizada a pouco mais de uma centena de metros, e que já várias vezes provocou verdadeiros atentados ambientais sobre a laguna. Nas presentes descargas, também foi possível observar que, pelo menos nas que nos foi dado a registar, não teve origem na conduta que liga a Etar ao Cais, mas sim na ligação do riacho.
A imagem que ali se pode observar a olho nu, com particular relevo durante as marés baixas, são bem a prova das origens duvidosas das descargas, concentrando-se lamas pestilentas que continuam a conspurcar a paisagem que não chegou a beneficiar dos propostos objetivos da requalificação da Polis da Ria.
Texto e fotos: José Lopes
01mar21








