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Galgamentos do oceano no Furadouro continuam a fragilizar defesas da malha urbana

Durante os últimos meses o Furadouro tem sido uma das praias no litoral norte em que se têm registado impressionantes galgamentos do oceano, provocando o embate de gigantescas massas de água, que, durante a conjugação das tempestades com as marés altas, resultam em ondas impressionantes que acabam por se espraiarem pelas várias ruas do povoado, depois de quebrarem parte da sua força destruidora na muralha de pedra ao longo da marginal, num braço de ferro que com o tempo vai fragilizando as defesas da malha urbana, aumentando a pressão da erosão nas zonas da praia a norte e particularmente a sul, em que mais recentemente sofreu os efeitos do avanço do mar, voltando a ameaçar as dunas (cada vez mais artificiais), que funcionam como barreira natural, para evitar que as águas do mar as furem, e se aproximem do núcleo urbano do Furadouro.

A fragilidade das defesas ao sul ficaram mais acentuadas, e nem mesmo o esporão em Y, se mostra eficiente para contrariar o redemoinho e a forte corrente que ali origina a surpreendente erosão, abrindo caminho que pode facilitar a entrada do mar pelas “traseiras”, para uma área que fica ao nível do povoado. Defesas que incluem também a aposta em sistemas artificiais, como são os geotubos (compridas mangas cheias de areia), em parte já degradados, que igualmente não estão a conseguir travar o progressivo desaparecimento da barreira dunar, que nos mais recentes efeitos dos galgamentos, deixaram estruturas dos passadiços destruídas.

O visível avanço do mar que se destaca a norte e neste caso concreto a sul, parece ir moldando o Furadouro numa espécie de pequena península, o que não sendo no imediato cenário de risco, mobilizador da atenção das várias entidades competentes ou da própria comunicação social, como acontece sempre que os galgamentos barrem violentamente a marginal e toda a zona comercial envolvente. Não deixa de ser inquietante, uma vez que o progressivo aumento da erosão, parece estar a traçar no terreno, uma futurista nova paisagem, cujas consequências ninguém quer assumir, pelo menos enquanto as atuais defesas e o seu eventual reforço e consolidação, suportarem o embate da esmagadora massa de água, que há muito vem deixando de ter areal para se estender de forma natural. Tal foi a ocupação e pressão do betão sobre o litoral.

É pois com a longa muralha de pedra que se estende paralela à marginal, ainda que fragilizada pela natural forte agitação marítima que cada vez se intensifica com maior regularidade, fundamentalmente nos invernos. Que os residentes do Furadouro se vêm habituando a conviver com os cenários mais críticos dos galgamentos, obrigando os comerciantes a medidas preventivas e de segurança, para atenuar os estragos que se dão também no mobiliário urbano.

No entanto, sempre que se repetem os galgamentos mais violentos, o debate na opinião pública tem múltiplas vertentes. Se para uns, não há obra pesada que trave este tipo de mar, outros há que reclamam necessidade de consolidação e prolongamento de alguns dos esporões, incluindo o localizado ao sul, em formato Y, que não está a travar a erosão numa área que já beneficiou da construção de dunas artificiais, chegando a proporcionar uma paisagem paradisíaca na época balnear, com uma praia muito procurada pelo microclima ali oferecido ao abrigo dos ventos de norte do verão.

Mas à discussão vêm também os anunciados projetos de construção de quebra-mares destacados, que serão novidade no país, estando previsto implantar os primeiros em praias do distrito de Aveiro, como Vagueira, em Vagos, Furadouro e Cortegaça, em Ovar, num valor global de 20 milhões de euros, que as respetivas autarquias se disponibilizaram a, assumir os custos. Estratégias de proteção destas zonas costeiras mais vulneráveis à erosão, que independentemente da sua viabilidade neste tipo de mar, resultam nas barreiras a construir ao largo no mar, que façam as ondas rebentar antes de atingirem a costa.

Na praia do Furadouro mesmo os mais incrédulos, aguardam, mesmo como teste, esta nova solução na defesa da costa, através da construção de um primeiro quebra-mares submerso. Uma estrutura com 250 metros de comprimento cada, paralela à linha de costa que visa ainda reter areias que até agora o mar continua a emagrecer as praias. Esta nova estratégia de defesa dos núcleos urbanos mais em risco (Furadouro e Cortegaça), que vem sendo defendida e planeada pelo Município de Ovar, que tem mesmo garantias de financiamento através de fundos comunitários da “bazuca” da EU, passará pela construção de um primeiro quebra-mares no Furadouro, que funcionará como teste para a construção de um segundo ainda nesta praia e um em Cortegaça. Obras que incluem a alimentação artificial das praias com “shots” de areia, cujo resultado deste tipo de intervenções em áreas ameaçadas no Mediterrâneo e no Báltico foi de sucesso, ainda que a intensidade do mar da costa portuguesa nada tenha a ver com tais exemplos, desde logo, considerando a forte ondulação gerada pelas tempestades de inverno.

 

Texto e fotos: José Lopes

 

01mar21

 

 

 

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