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“Self-Love” em tempos de Covid

Ricardo Guerra

 

 

Neste momento, quando me vejo refletido no espelho, não me vejo a mim. Só vejo a desordem. O cabelo louco qual furacão sem rédea, o pijama de tecido feito pele. A versão lastimável de um eu que não reconheço. No entanto este sou eu.

E isto fez-me pensar:

E se vivêssemos num mundo em que somos tão belos quanto nos sentimos?

Em primeiro lugar, é óbvio que existem dois tipos de beleza: a física (ou exterior) e a interior, que não se relacionam necessariamente. No entanto, neste texto, pretendo abordar a beleza humana física e a forma como a nossa atitude perante o nosso próprio corpo a pode influenciar.

Mas o que é beleza física?

A beleza física é a qualidade do que é considerado belo num ser humano. E essa noção é diferente de cultura para cultura, pois diferentes culturas têm diferentes padrões de beleza. No mundo ocidental, por exemplo, este conceito traduz-se no culto do corpo definido e escultural, em ambos os sexos. Esta beleza é a primeira impressão que os outros têm de nós, a forma como a sociedade nos vê à primeira vista.

No entanto, numa primeira impressão, os atributos corporais não chegam: Sejamos conscientes de tal ou não, a nossa atitude contribui imenso para a forma como os outros compreendem a nossa beleza, mesmo a um nível meramente físico.

Se não vejamos. Imaginem o seguinte cenário:

Duas lindas aspirantes a modelo, gémeas, vão a um casting promovido por uma agência:

A primeira apresenta-se na agência a sorrir. O seu “bom dia!” é límpido e radiante… O seu riso é contagiante e o à-vontade com que gesticula é fantástico! Enquanto fala, exibe um sorriso idílico e sincero e um brilho inigualável no olhar…! Na voz, percebe-se a paixão que depositou naquela carreira. É maravilhosa…

Mais tarde, é a segunda que se apresenta na mesma agência, através de um “bom dia” tímido, nervoso… Quase ninguém se apercebe da sua presença. A sua postura curvada e as mãos entrelaçadas transmitem um ar comprometido… E, durante a entrevista, foram poucas as palavras que pronunciou: respondeu apenas ao essencial…

Se estivesse nas vossas mãos decidir entre estas duas candidatas, qual delas escolheriam? Por qual destes perfis seriam cativados? Qual delas teria maior facilidade e agilidade para desfilar confiante em passarelas? Com qual delas seria mais fácil de trabalhar em sessões fotográficas?

Exatamente, a primeira.

E ambas eram igualmente belas. No entanto, houve algo, na primeira modelo, que transmitiu uma impressão muito mais positiva — e a tornou mais “bonita” do que a segunda: o sorriso, a postura, o olhar.

Ou seja:

A beleza física de uma pessoa não depende só dos seus atributos físicos, mas também da sua autoconfiança.

E é certo que é possível aprender a manipular a nossa linguagem corporal para transmitir confiança. Mas a verdade é que ela pode vir do nosso interior. Ou seja, nós podemos tomar as rédeas da nossa própria beleza, correspondamos ou não aos padrões de beleza da nossa cultura. A beleza física não depende só dos padrões, mas também de nós!

E esta lição aplica-se sobretudo à situação atual. Encontramo-nos num momento de quarentena, onde somos forçados a contactar connosco próprios e onde muitos sentem a dor da sua “falta de beleza” duma forma mais constante. Então, quando se mirarem ao espelho e não se conseguirem ver, pensem nisto. Não se foquem no aspeto físico, mas nas capacidades do vosso eu interior. E percebam que se as revelarem ao mundo, tornar-se-ão mais belos e confiantes e farão com que os outros vos vejam de outra forma. Amem-se!

 

Foto: pesquisa Web

 

01mar21

 

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