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45.º Aniversário da Habitovar: Cooperativa de Habitação de Ovar reclama promessas por cumprir por parte dos autarcas

Para assinalar o 45.º aniversário da Habitovar – Cooperativa de Habitação de Ovar, no dia 12 de março, em ano de pandemia com as restrições do confinamento, o habitual programa comemorativo com o envolvimento dos sócios e residentes, entre as várias entidades convidadas, foi adaptado às limitações impostas pelo “estado de emergência”, recorrendo à participação online para as diferentes mensagens, segundo convite, tanto na qualidade de diretores e sócios da Cooperativa, como de amigos e autarcas, cujas palavras de reconhecimento pelo historial da Habitovar testemunhadas através das redes sociais, não deixaram de merecer também referencias a promessas não cumpridas pelos autarcas, como áreas verdes e pavimentos há muito em acentuada degradação.

 

José Lopes

(texto e fotos)

 

A iniciativa online acabou por dar voz a surpreendentes testemunhos de diferentes gerações e suas vivências neste complexo habitacional que se afirmou no espirito do 25 de Abril de 1974 e dos ideais do cooperativismo de António Sérgio, sobre a necessidade de responder a um parque habitacional envelhecido e degradado em Ovar, que funcionava em grande parte no regime da casa alugada, e mesmo assim com uma oferta insuficiente para uma população que aumentava significativamente num concelho então com importante peso industrial.

Construída em diferentes fases e com várias tipologias e morfologias, num terreno de pinhal na zona norte da cidade de Ovar, através de negociações com a Câmara Municipal de Ovar e a Família Bonifácio. A urbanização e o plano de pormenor foram elaborados pelo gabinete do Arq. Jorge Gigante. Em que ainda hoje no essencial se mantêm as suas características arquitetónicas e urbanísticas originais. Ainda que venham sendo inevitáveis ao longo destas décadas, intervenções no meio envolvente e ao nível da melhoria das condições habitacionais, através de substituição de materiais usados à época, como telhas de amianto ou outros tipos de revestimento, mantendo no geral a originalidade das cores exteriores que identificam cada conjunto de fogos e arruamento.

Equilíbrio que vem sendo preservado, permitindo memórias nestes testemunhos online de sócios convidados a partilharem em vídeo, texto ou fotografia no facebook da Habitovar, no âmbito do 45.º aniversário, como as que Maria Teresa Gama expôs. “A minha casa é uma peça de figura geométrica, cor de salmão que se encaixa harmoniosamente num puzzle multicolor arquitetado por mentes brilhantes e bem-intencionadas. Este jogo está engendrado de forma a ser acomodado numa caixa construída por seres humanos visíveis e outros impercetíveis, mas presentes na memória dos primeiros”. Recorda ainda uma das figuras mais marcantes na fundação da Habitovar, como foi António Hugo Colares Pinto, “um dos vareiros que com sabedoria soube impulsionar e dinamizar uma luta própria de um ser humano, ávido de justiça social, particularmente na busca incessante e na conquista de condições condignas de habitabilidade”.

Uma merecida referência a um dos nomes, que integrou os núcleos de trabalhadores, que nas empresas F. Ramada e Rabor se organizavam para a solução de uma Cooperativa. Acabando estes dois núcleos por se fundirem numa reunião em que participaram: Hugo Colares Pinto, João Santos, Armando Natária, Mário Carvalho, Manuel Martins, Lemos, Alcino Pais e Francisco Rodrigues. Embrião para a construção da Cooperativa de Habitação Habitovar, que acabaria por ser legalizada no Notário de Espinho no dia 12 de março de 1976, tendo assinado como sócios fundadores os seguintes cooperantes:

António Hugo da Cruz Colares Pinto, Rui da Silva Resende, Manuel Augusto Mendes Ferreira Martins, Francisco da Silva Rodrigues, Gil José Amaro Figueiredo, Euclides Manuel da Cruz Polónia, Joaquim Armando Natária Branco, Celestino Cariano Pinto, João Fernando Silva dos Santos e Mário Pereira de Carvalho. Um momento já então marcado pelo reconhecimento do papel de Hugo Colares Pinto, que os presentes decidiram por unanimidade dever ser o primeiro signatário na escritura. Reconhecido dirigente da Habitovar que tem o seu nome na toponímica deste empreendimento.

Memórias de envolvimento na vida e obra desta Cooperativa de Habitação, que este ano são partilhadas online em confinamento, de que se destacam mensagens como a diretora Carla Moreira, responsável na área social da Habitovar, que se assume “grata por poder concretizar o sonho, tão bem sonhado por quem via longe e com os olhos de empreender e responsabilidade social. Grata a quem a conduziu até aqui. Grata a nós que fazemos da Habitovar nossa casa”.

Os 45 anos de história, de intervenção social e de “procura de soluções e melhoria da qualidade de vida da comunidade”, ou “45 anos que merecem ser lembrados e celebrados, pois apesar de se viverem tempos atípicos é importante celebrar e honrar o trabalho feito, ao longo dos anos, pelos sócios, moradores, amigos e colaboradores da Cooperativa.”

Foram também palavras proferidas pelo presidente da direção da Habitovar, António Pacheco, porque, “a Habitovar é feita de pessoas e para pessoas”, e “é uma história e uma intervenção na comunidade ovarense que não merece ser esquecida, nem desmerecida”. Mas, como “é preciso passar das palavras aos atos”. Afirma ainda, ser “preciso relembrar o Poder Local que no empreendimento da Habitovar foram construídas aproximadamente, 400 habitações, onde vivem cerca de 1500 pessoas”. E em que, “existem promessas por cumprir: requalificação dos espaços verdes da Cooperativa. Melhoria das estradas, construção de passeios e arruamentos”.

António Pacheco deixa ainda um apelo aos sócios e moradores, porque, “a continuidade da Instituição depende do envolvimento e participação de todos”. Relembrando “que os próximos tempos pedem resiliência, capacidade de adaptação, vontade de criar e esperança. Onde o papel de cada um é fundamental para criar uma sociedade mais justa, uma comunidade mais unida, uma instituição mais forte e capaz”.

Marcante mensagem nestes 45 anos da Habitovar veio também de Vasco Colares Pinto, que durante vários mandatos assumiu a presidência da direção, ao declarar como cooperante, munícipe e freguês, algumas considerações, porque como afirmou, “Não basta reconhecer uma história cheia de realizações, de trabalho feito…”, ou, “Não basta falar! É preciso fazer!”, referindo-se a promessas da Câmara Municipal por cumprir após conclusão da primeira fase de requalificação das zonas verdes (2019), que seriam desenvolvidas em 3 anos. Recorda este antigo diretor, que até março de 2021, “da segunda e terceira fases não há notícia… Nos orçamentos da Câmara para 2019, 2020 e 2021 não constam quaisquer verbas para o efeito…”. Falta nos compromissos autárquicos, que não compreende, ainda que reconheça, “que a situação pandémica veio colocar parte das nossas vidas em suspenso, mas não pode ser desculpa para tudo”.

Para Salvador Malheiro, presidente da Câmara Municipal de Ovar, autarquia mais visada nas reclamações, a Habitovar “é uma história bonita, uma história que se confunde com a história da nossa cidade”, reconhecendo que, o “desenvolvimento extraordinário do direito a habitação condigna em Ovar, também se deve muito à Habitovar”, e acrescentou que, “os projetos estão para continuarem. A Câmara Municipal de Ovar é parceiro privilegiado”.

A afirmação de que, “o homem sonha e a obra nasce”, foi escolhida por Bruno Oliveira, presidente da União de Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira Jusã, para se referir à Habitovar, “criada para colmatar a falta de casas em Ovar”, que, “depressa se tornou uma cidade dentro da cidade”. Para o autarca com menos competências de intervenção neste complexo habitacional, “há sempre novos desafios e necessidades”.

 

01abr21

 

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