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António Gouveia, presidente da Junta de Freguesia de Ramalde: “Não me recandidatarei à presidência do executivo, mas ficarei ligado à política e a esta autarquia…”

Beirão, de Oliveira de Frades, apaixonado pela política, pela leitura e pela História, social-democrata com provas dadas no partido de que já fez parte ativa (PSD), António Gouveia é alguém que tem sempre muito de interessante para contar, num contacto com mundos diferentes ao longo dos seus 76 anos de vida.

Há praticamente oito anos (dois mandatos) à frente do executivo da autarquia ramaldense, o presidente eleito pelo movimento independente, Porto o Nosso Partido, garante que não vai recandidatar-se ao cargo, mas que não tenciona, independentemente dessa decisão, abandonar a política ativa, nem tão pouco a autarquia.

De seminarista a gestor bancário, António Gouveia é acima de tudo – e pelo que retiramos das suas palavras -, um homem que gosta da vida, tal como a maioria dos ramaldenses gosta dele e teima em que ele se recandidate. Admirador de António Costa e tendo Lisboa como exemplo autárquico, incluindo para o Porto, em certas e determinantes questões, o nosso entrevistado é positivo quanto ao futuro, até porque o “mundo andou sempre para a frente” mesmo depois de grandes crises pandémicas ou outras convulsões mundiais, como ele fez questão de frise na entrevista que se segue.

Eis, então, António Gouveia, na primeira pessoa do singular…

 

José Gonçalves          Carlos Amaro

(texto)                        (fotos)

 

Sete anos e meio depois, ou seja, no final do seu segundo mandato como presidente da Junta de Freguesia de Ramalde, qual o trabalho que destaca dos concretizados durante esse espaço de tempo? Mas, tem ainda um histórico anterior ao de ser presidente do executivo…

Sim, porque antes fui presidente da Assembleia de Freguesia, nos dois dos três mandatos anteriores aos meus. Era, na altura, Manuel Maio o presidente da Junta. Reformei-me em 2001 e, a verdade, é que sempre gostei muito de política, mas a minha profissão não me dava tempo para fazer carreira. Fui bancário, andei por doze vilas e cidades deste País. Estive também dois anos em Angola, na Força Aérea. Não sou natural do Porto, sou da zona de Viseu, e vim cair aqui, a Ramalde, muito mais tarde, Engraçado é o facto de, quando era miúdo, o meu tio era correspondente do jornal «O Primeiro de Janeiro» lá na vila onde nasci, e às segundas-feiras, na página do Desporto, do «Janeiro», só via notícias acerca do Ramaldense. E, um dia, perguntei à minha avó, onde é o Ramaldense? E ela lá disse que era para os lados do Porto. Ou seja, nunca me passou pela cabeça que, mais tarde, viesse cair aqui em Ramalde. Mas vim! Vim para o Porto, como funcionário do Banco Borges Irmão, que tinha sede em Lisboa, depois fui para Albergaria-a-Velha, Viseu, Melgaço, Valença… fui por aí abaixo. Mais tarde fui para o BCP – sou o número 65 do BCP, e o BCP ainda não era banco –, para Lisboa, e depois mandaram-me para São João da Madeira…

Mas, como dizia há pouco, entrei no seminário, em 1955, no pós-guerra, nasci em 1944, e os padres italianos, contavam-me histórias do fascismo e da guerra em Itália, e eu gostava daquilo. Como achava muita piada quando eles diziam que iam para a rua com os penicos enfiados na cabeça por causa dos bombardeamentos. Tive quase seis anos no seminário, onde, fundamentalmente, aprendi a respeitar os outros.

Mas, acabou por não chegar a padre…

…cheguei ao noviciado – período de dois anos para nos prepararmos para a vida de padre -, em Famalicão, era um jovem de quinze anos, e como meu pai tinha, entretanto, morrido em África, acabei por desistir, mas fiquei sempre com uma grande imagem do que lá aprendi, e devo muito da minha vida a eles.

VOTARIA SEMPRE CONTRA LUÍS FILIPE MENEZES COMO CANDIDATO À CÂMARA DO PORTO…

E a política foi sempre como que aquele “bichinho”…

Fui, durante 34 anos, social-democrata do PSD, até quando houve a questão relacionada com a candidatura do Luís Filipe Menezes. Eu fazia parte do Núcleo Ocidental do Porto, e de repente ele caiu aqui de para-quedas como candidato à presidência da Câmara Municipal do Porto, e eu não gostei. Ele tinha que vir ao plenário! Mesmo assim, eu votaria contra, por uma razão: a lei diz três mandatos, e… chega! Penso que deveria ter cumprido um intervalo de um mandato e depois voltava. E votaria contra ele mesmo se os meus colegas votassem a favor, a democracia é assim mesmo. Agora, chegarem a onde chegaram e não me passarem cartão… não! Disse mesmo ao presidente que não estava ali a fazer nada, e saí. Saí, mas não me demiti do partido!

RUI MOREIRA SERÁ IMBATÍVEL NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES!

E, entretanto, aparece o Rui Moreira. Como?

O Rui Moreira convidou-me para um almoço…

Mas, já se conheciam?

Mal. Conhecia o Rui Moreira da televisão. Conheci bem o pai dele! Quando fui gerente do Banco Borges Irmão, em São João da Madeira, ele era o homem da Molaflex, na década de oitenta. O pai do Rui Moreira, que também tem uma quinta perto de São João da Madeira. Sabia, na altura, que o Rui Moreira estava a pensar em candidatar-se. Eu era o presidente da Assembleia de Freguesia de Ramalde. Tinha sido já no primeiro mandato do Manuel Maio. Saí no segundo, porque o pessoal da minha terra, de Oliveira de Frades, convidou-me para lá ir dar uma ajuda, e fui para lá. Depois, aqui, em Ramalde, tornaram a pedir-me para regressar. Lá regressei, sem que nunca me tenha colocado em bicos de pés para o fazer. É, então, que o Rui Moreira me convida para um almoço na Cufra, na Avenida da Boavista, dizendo-me que, da minha parte, não queria nomes para a lista, mas que fosse eu o principal candidato do grupo que estavam a formar. Como nunca me tinha passado pela cabeça meter as mãos na massa, e até porque era presidente da Assembleia, disse, então, ao Rui Moreira que, mais tarde, lhe responderia ao convite. Estava mesmo pronto para lhe dizer que não me sentia disposto a aceitar o cargo, mas, depois, cheguei a casa, e a minha mulher perguntou-me o que é que ia fazer como reformado… após alguma reflexão disse cá para mim: eu sou presidente da Assembleia, habituado a ouvir, ouvir, ouvir e ouvir. Ora, deixa lá ver como a coisa funciona no outro plano. E, pronto, decidi experimentar, e acabei por aceitar o pedido.

E contava ganhar as eleições?

Não, de todo!

Não conhecendo, na altura, muito bem Rui Moreira, ele acabou por surpreende-lo ao cabo destes sete anos e meio à frente da Câmara do Porto?

O Rui Moreira como presidente surpreendeu-me pela positiva. Ele, antes de ser candidato e presidente da Câmara, estava na Associação Comercial do Porto, e, tendo em conta esse facto, surpreendeu-me, sobretudo, o grande conhecimento que ele logo demonstrou ter sobre a cidade, e que ainda hoje se reflete no trabalho que tem vindo a desenvolver. Na minha opinião – e cada um de nós tem defeitos e virtudes, e ele também tem naturalmente -, estou plenamente convencido que Rui Moreira será imbatível nas próximas eleições!

A UNIVERSIDADE INTERGERACIONAL FOI O GRANDE PROJETO QUE HERDEI DO MANUEL MAIO

Qual é, então, das obras concretizadas pelo seu executivo, a que mais destaca?

É uma Universidade Sénior que nós designamos por Intergeracional, no Bairro de Ramalde do Meio, a duzentos metros da estação do Metro de Ramalde, e na qual nós investimos quase quatrocentos mil euros. É um edifício antigo. Uma escola que foi um legado do Conde de Ferreira – que tem muitas escolas por todo o País -, e que, no final do século dezanove, foi construída pela junta da paróquia. Em 1908, ela foi aumentada, e nós, agora, decidirmos dar-lhe nova vida, com um investimento ainda pesado, com uma nova cobertura etc. e o edifício está bonito. Este foi o grande projeto que herdei do Manuel Maio. Manuel Maio que deixou-me uma herança de grandes projetos: essa Universidade Intergeracional e também as Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) destinadas a alunos do primeiro ciclo das escolas básicas. Estou convencido que Ramalde foi a primeira freguesia a assumir essa responsabilidade diretamente. A Câmara Municipal do Porto, a de Gaia e outras também têm essas atividades, mas fazem-nas diretamente, ou entregam-nas a outros organismos. E foram, no fundo, dois projetos que  acarinhei também. Embora o Manuel Maio, em relação às AEC, foi lá por causa do financiamento do Ministério da Educação, isto em em 2007, e eu, em 2015, já tinha dois anos mandato como presidente do executivo, levei uma arrochada de 40 por cento. Ou seja, a coisa deixou de ser, entre aspas, negócio. Mas é importantíssimo, porque a principal atividade de uma junta de freguesia é, sem dúvida, a ação social e sociocultural. No fundo, nós vivemos para protegermos os mais desfavorecidos… é para eles e para as famílias com mais problemas que trabalhamos. E também é, nesse o sentido, importante ser rigoroso na análise, para evitar os oportunistas. E neste tempo de pandemia tem sido a nossa principal atividade, porque, de resto, estamos parados. A Universidade está fechada; as AEC nem tanto, porque temos feito aulas online, e, assim, é neste momento ainda o Gabinete que está a funcionar melhor.

NÃO VOU RECANDIDATAR-ME, MAS NÃO VOU AFASTAR-ME

A experiência como presidente de junta tem sido, pelos vistos, positiva.

“Sim. Estou a gostar, mas não me posso esquecer que vou fazer 77 anos, em julho…

E não vai recandidatar-se ao cargo?

Não. Não me vou recandidatar!

Então, vai deixar algo que não vai ser concluído no espaço de tempo que resta para as eleições e que, quando for concretizado, já não será consigo como presidente…

Vou deixar dinheiro a mais! A requalificação do Salão Nobre – precisa realmente de uma intervenção – é algo que se arrasta devido a cadernos de encargos, concursos, e etc. e tal… Gostaria de inaugurar as obras, mas a minha decisão é a de não recandidatar-me! Não é algo que me aflija. Eu como presidente de junta não vou ficar, mas se algum dos meus colegas de executivo se candidatar e entender que posso ficar na Assembleia, não digo que não…

Quer com isso dizer que da política, que tanto diz gostar, não se afastará?!

Não me vou afastar! Nem da política, nem de Ramalde. Da presidência do executivo é que me afastarei. Sou como o padre António Vieira: Para Nascer, Portugal. Para morrer, o Mundo.

RAMALDE NASCEU DESTINADA A SER ZONA INDUSTRIAL

Ramalde é uma freguesia muito específica?!

É! Fez agora 125 anos que veio de Bouças, do antigo concelho de Matosinhos. Tinha uma parte da Maia; uma parte do que é agora Matosinhos e também esta parte. Há 125 anos – fez no passado dia 21 de novembro – que existe a freguesia de Ramalde, que surge aquando das grandes reformas efetuadas por João Franco, que era ministro do rei D. Carlos. Ramalde surgiu, com essas reformas, para ser, essencialmente, o espaço destinado à zona industrial do Porto, e isto porque, há 125 anos, Ramalde não passava de três grandes quintas, ficando a Senhora da Hora do outro lado da Circunvalação, que foi aberta em 1895, e que são 17 quilómetros desde a Praça Cidade do Salvador, em Matosinhos – da Anémona-, até à rotunda do Freixo, e de início com doze portagens, porque, na altura, ainda havia portagens de passagem. Quanto às quintas que formavam Ramalde, uma era a da Casa de Ramalde, que hoje é do Ministério da Cultura; a Casa e Quinta da Prelada, que é da Santa Casa da Misericórdia do Porto; e a Casa e Quinta do Rio, no Viso, que é privada. Foi comprada pelo engenheiro Artur Brás, um homem rico já falecido, e que era um verdadeiro mecenas, apoiando imenso a ação social.

E depois é uma zona industrial, ainda que já fosse mais do que o que é…

Já não é zona industrial. Ainda tem a RAR, o Pinto e Cruz, a Sotocal – torrefação de cafés –e, praticamente, hoje, é uma zona empresarial: stand de automóveis, comércio, serviços, etc.

NO VISO, A QUESTÃO DAS DROGAS É CRÍTICA!

E bairros sociais…

Muitos bairros sociais. Não é a freguesia que tem mais bairros sociais. Estou convencido que deve ser Paranhos, mas se não for é Campanhã. Em Ramalde temos o maior bairro social do Porto, que é o das Campinas. O Bairro das Campinas é do tempo do Salazar, de 1960, ou seja, do tempo do antigo ministro das Obras Públicas, Arantes e Oliveira. Aliás, antigamente, o bairro tinha o seu nome: Arantes e Oliveira.

Bairro que no seu seio têm problemas sociais, de famílias carenciadas que são evidentes… assim como o são os verdadeiros centros de venda e consumo de drogas, sendo de realçar o Viso que é um verdadeiro supermercado a céu aberto.

O problema não é só a toxicodependência, para mim é o tráfico. Já nem sei se o problema está a montante ou a jusante. No Viso a situação é crítica, ainda que em Francos os problemas também sejam graves. Mas, no Viso é mais à vista desarmada e terá mais gente, apesar de ter lá a PSP por perto. Dizem que está para lá abrir um grande polo da Polícia de Segurança Pública a nível metropolitano, nas instalações do Ministério da Economia…

AS JUNTAS DE FREGUESIA SÃO O PARENTE POBRE DA DEMOCRACIA

E o que é que uma junta pode fazer em relação a este drama que arrasta pessoas de toda a cidade, e não só?

Pouco. As juntas de freguesia pouco podem fazer. A única coisa que podem é estar em cima da Polícia Municipal e da de Segurança Pública e… pedir, pedir, pedir. Mas, este é um problema. Um grave problema! É um problema que, do meu ponto de vista, deriva da falta de dinheiros. Ou seja, em Gaia, antigamente havia uma Quinta destinada à recuperação e a coisa resultou, e é por aí que temos de ir. Mas, também não é fácil recuperar esta gente. É um pouco como os sem-abrigo: querem andar na rua e ponto final. Só no Inverno é que pedem isto ou aquilo, mas, de resto querem andar na rua.

O senhor está a falar numa coisa importantíssima, que são as freguesias. As freguesias são o parente pobre da democracia. Estão em cima das situações, conhecem a realidade, mas depois os municípios são muito ciosas do poder e não dão aquilo que deviam dar…

Alguns municípios, por certo…

Sim. Lisboa, em 2013, fez a agregação de 53 freguesias, passando para 24 autarquias. Foi buscar ao orçamento de Estado 70 milhões de euros – foi o António Costa, na altura presidente da Câmara. Conseguiu negociar limites – inclusivamente com Loures, que é uma autarquia comunista, do Bernardino Soares-, e não há por lá uniões de freguesias… acabaram com nomes com duzentos anos! Aqui, no Porto, vai para o centro Histórico, é Cedofeita, Santo Ildefonso, etc… em Gaia… a mesma coisa… Quer dizer: Lisboa tem outra mentalidade.

CRITICAMOS MUITO LISBOA E LISBOA LIXA-NOS…

E, por cá, critica-se Lisboa…

…Sim, nós criticamos muito Lisboa, e Lisboa lixa-nos! Basta dizer que a receita do Município de Lisboa são mil e quarenta e quatro milhões de euros. A segunda cidade do País, com maior receita é o Porto: duzentos e cinquenta e sete milhões de euros. Quatro vezes menos! E é preciso agarrar mais sete municípios, – Gaia e Matosinhos, mais Cascais, mais Sintra e mais Oeiras – para perfazer o que tem Lisboa. O concelho de Lisboa é o mais populoso, mas não é quatro vezes mais populoso! E em área, o Porto é pequenino, tem 50 quilómetros quadrados, e Lisboa tem 100. Por que é que Lisboa tem mais receita? Porque as grandes empresas estão lá todas sediadas. Faturam em todo o País e o dinheiro vai para lá. Como é que nós podemos sair disto? É o grande problema deste País: demasiadamente centralizado. E depois, ainda há estas guerrinhas de poder entre os municípios…

E no meio disto tudo, as freguesias como que desaparecem do mapa…

Ainda recentemente mandei algo para o pelouro da Mobilidade da câmara do Porto e fui um bocado agressivo, porque há coisas fáceis de fazer, que se fossem da competência das freguesias far-se-iam mais depressa, pois, entre outros factos, as freguesias sabem quais são as prioridades.

AO RUI MOREIRA DÁ-LHE MUITO JEITO DIZER QUE AS FREGUESIAS SÃO AUTÓNOMAS…

A Câmara do Porto tem tido em atenção essas “competências”?

Pouco. Ao Rui Moreira dá-lhe muito jeito dizer que as freguesias são autónomas e, como tal, não as pode financiar. E é verdade! A lei não permite. Mas, há muitas maneiras de ajudar. Também é verdade que nós não aceitámos a delegação de competências, porque ninguém aceita algo sem receber. Nós, e outras freguesias, recebemos o Espaço do Cidadão, que, do ponto de vista financeiro, só dá prejuízo e mais trabalho, porque as condições vão todas para a Agência de Modernização Administrativa. A Câmara Municipal do Porto também recebe algum, e nós? Descentralizar, assim, não! Se ficarmos, como em Lisboa, com os pequenos jardins, os pequenos lixos – nada de grandes recolhas- tudo bem! Defendo que o município deve ficar com a grande estratégia da cidade, e os grandes desígnios da cidade, e as juntas de freguesia com aquilo que… bate mais no cidadão, que afeta o cidadão, e que à Câmara passa-lhe ao lado.

SOU TOTALMENTE CONTRA ESSA TOLICE E LEVIANDADE DE QUERER REVERTER SEISCENTAS E TAL FREGUESIAS

É a favor da união de freguesias?

Sou a favor, e totalmente contra essa tolice e leviandade de querer reverter seiscentas tal freguesias. E sou totalmente contra! E digo-lhe já porquê: nós temos freguesias que não chegam a receber por ano 50 mil euros. A mais pequenita recebe 18 mil, é uma freguesia do Corvo, nos Açores. As freguesias devem ter alguma dimensão. Não aceito, por exemplo, que Barcelos, que tinha 89 freguesias, ainda tenha 61. Isto não tem jeito nenhum! O PCP enviou uma informação – e eu já respondi – a dizer que não tinha sido aprovada essa reversão para as próximas eleições autárquicas. E eu respondi a dizer «ainda bem, pois eu estou totalmente contra!», porque «os senhores têm na Constituição o artigo 263 – que é da vossa lavra, PCP -, que diz respeito à organização de moradores e nunca foi aproveitado. Estas freguesias que foram agregadas deviam ser transformadas em organizações de moradores, ou associações de moradores, mas que tivessem voto na matéria nas assembleias de freguesia». Tinham que alterar a Lei Eleitoral para dar possibilidades aos bairros que se quisessem juntar para intervir, e, aí, era a democracia a sério, mas, isso, eles não fazem. Por quê que o PCP e o PS querem mais freguesias? Para recuperarem votos que perderam. Eles, no Porto lutam, por exemplo, para que Aldoar seja de novo freguesia, e isto porque era onde eles ganhavam as eleições. Assim como ganhavam nas freguesias do Centro Histórico.

“Eles”, o Partido Socialista.

Exatamente! Ora bem, a política também é isso, mas não é o principal. O principal é encontrar boas soluções para as populações.

Não há diferenças identitárias entre, por exemplo, as freguesias de S. Nicolau e da Vitória?

Em Lisboa, como lhe disse há pouco, estiveram-se nas tintas para freguesia como Socorro, Arroios, Sé, que são freguesias antiquíssimas. Aqui: acabar com o nome Sé ou Miragaia, era um Deus me livre! Agora, por cá, já se diz Centro Histórico, assim como é vulgar dizer-se «aqui é a Foz do Douro», o que faz todo o sentido, pois a Foz do Douro é mais conhecida, é a zona… Repare neste caso caricato: deste lado da Avenida da Boavista é tudo Ramalde, mas tenho ali um biquinho, onde está o hotel Sheraton, que pertence ao outro lado da avenida, a outra autarquia… isto não tem jeito nenhum!

NÃO ME FALE NA ANAFRE!

E qual a posição da Associação Nacional das Freguesias, a ANAFRE, perante isto tudo?

Não me fale na ANAFRE!O Manuel Maio encerrou a quotização para a ANAFRE. Eu e ele fomos a Portimão, a um Congresso, precisamente a reunião magna da ANAFRE que abordou a agregação das freguesias, em que o ministro – não interessa quem, já que se é ministro tem de ser respeitado – foi enxovalhado. O Manuel Maio e eu ficamos envergonhados pelos colegas que lá estavam – e eram muitos, aí uns oitocentos. Depois, passados dois anos, quando tomei posse como presidente da Junta, decidi querer saber como a ANAFRE funcionava e inscrevemo-nos. Aquilo é 0,7 sobre o FFF, dois mil e duzentos euros por ano, e depois cancelei a inscrição logo no final de 2020. Mandei para lá, ao longo desse tempo todo 10 ou 12 mil euros, foi o que me custou um livro pequenino – por acaso, interessantíssimo -, do arquiteto Sidónio Pardal: «Ser Autarca». Ora, 12 mil euros por um livro é caro?! O senhor se se der ao cuidado de ver o site da ANAFRE irá reparar que são sempre os mesmos que lá estão: o atual presidente era vice-presidente, o vice-presidente era o presidente quando nós fomos a Portimão, e andam ali assim. O orçamento da ANAFRE é de um milhão de euros e a maior rubrica trata-se de estadias, transportes e viagens… trezentos e tal mil euros! Valha-me Deus!

E ninguém vê isso?

Ninguém vê isso! Tem lá um milhão e tal de disponibilidades, pelo deviam ter um investimento fixo, ativo, mas estão ali. Aquilo, no final, tem um resultado de 10 ou 15 mil euros e é sempre o mesmo. Estes são fundos públicos; são dinheiros dos nossos impostos. Eu não dou para isso!

NO PRIMEIRO ANO DO MANDATO DE RUI MOREIRA EM COLIGAÇÃO (E BEM!) COM O PARTIDO SOCIALISTA, RAMALDE TEVE OBRA FORTE DA CÂMARA!

A Câmara Municipal do Porto tem investido em Ramalde?

Tem. A Câmara, no primeiro mandato do Rui Moreira, em que ele esteve, e muito bem, coligado com o Partido Socialista do Manuel Pizarro – com quem me dou muito bem, e conheci-o, precisamente, aqui, quando era presidente da Assembleia e ele era deputado… ele é cá de Ramalde! – conseguiu resolver, por exemplo, o problema do INATEL que estava ali, não tinha nada. E conseguiu também porque o Governo era socialista; foram precisas conversações com a Fundação INATEL, e obteve-se um investimento de um milhão de euros, estando uma segunda fase de 700 mil. O Bairro dos CTT, que estava a cair de podre… está acabado! Quando terminar o meu mandato, os dois Blocos estarão perfeitamente reabilitados. O Centro de Saúde, que há vinte anos que andávamos aqui para resolver o problema, já foi inaugurado, no ano passado, por troca de um terreno em Campanhã, mais concretamente na zona de Justino Teixeira. Há uma série de bairros que foram reabilitados. Ou seja: sobretudo no primeiro mandato, Ramalde teve aqui obra forte da Câmara. Já no segundo mandato, o Rui Moreira – e bem! – virou-se para Campanhã…

… a zona Oriental do Porto estava esquecida…

Exatamente. É uma zona periférica. Ramalde já é, apesar de tudo, uma freguesia heterogénea, e talvez por ser relativamente nova, desenvolveu-se de forma significativa. Curioso de referir que Ramalde é a única freguesia que viu a população crescer …

E Ramalde ainda tem algum espaço para mais desenvolvimento…

Estamos a perder os únicos terrenos agrícolas, na avenida aberta do carvalhido à Circunvalação, que começou a ser feito pelo Rui Rio. Aliás, o novo edifício da Liga de Futebol vai para lá. Portanto, Ramalde está a crescer, a edificação é uma evidência! Mais meia dúzia de anos e já não haverá mais terreno para construção, porque o Porto é pequenino.

AQUI, FAÇO A GESTÃO COMO EM MINHA CASA!

Portanto a Câmara não se esqueceu de Ramalde?!

Não, principalmente, como referi, no primeiro mandato de Rui Moreira. Nesse aspeto não me posso queixar. O Rui Moreira está muito lançado, e bem, para os grandes desígnios: o Antigo Matadouro na Corujeira, Campanhã; o mercado do Bolhão; o Terminal Intermodal em Campanhã; o Liceu Alexandre Herculano, etc., mas, depois, as coisas pequeninas que afetam a população, e das freguesias, vão sendo esquecidas, e como para ele as freguesias são autónomas, dá-nos uns dinheiritos no Orçamento Colaborativo – 150 mil euros – que dá para arredondar as contas, e… pronto!

Rui Moreira esqueceu-se desses “pormenores”?

Deixe-me que lhe diga com franqueza: em termos financeiros, como fui bancário, as coisas estão controladas. Das primeiras ordens que dei foi a de querer saber os custos de energia, da água dos vários edifícios, do cemitério, etc. perguntando-me para quê? Ora, isso é cá comigo! E a verdade é que passados três ou quatro meses já se estavam a fazer certas e importantes correções. O engenheiro Serrão, do Partido Socialista, ficou admirado com a descoberta de certos problemas, como por exemplo o da fuga de água neste edifício… e aproveitei o facto para se renovar toda a canalização. Mas eles admiraram-se. Então, se de repente nós estávamos com um custo de água na ordem dos 100 e dispara para 400, alguma coisa devia estar errada. Este tipo de trabalho não se faz na administração pública, mas eu, aqui, faço a gestão como em minha casa, porque os meus impostos e os dos outros também vêm para estas coisas. Eu sou danado! (risos).

A «AGUAS DO PORTO» ANDA EM CIMA DA QUESTÃO RELACIONADA COM A RIBEIRA DA GRANJA… MAS QUANDO É QUE FAZEM A SEGUNDA FASE DAS OBRAS?

E danadas parecem não estar certas pessoas que residem junto à – de quando em vez -, malcheirosa Ribeira da Granja. Para elas – residentes contactados que foram pelo nosso jornal – por ali parece que nada de especial se passava. Atenção que essa reportagem foi levada a cabo antes da pandemia e as pessoas ainda não usavam máscaras. E, agora, ainda por cima, estão por lá bem perto, a ser construídos diversos imóveis. Continuam, ou não, a registar-se descargas poluentes na ribeira? Há, ou não há, um problema, mesmo depois do parque natural – muito interessante e agradável – lá ter sido construído?

Aquilo é lindo, quando não trem descargas. A «Águas do Porto» anda em cima disso, e foi no tempo do Poças Martins que se fez a primeira fase da despoluição e desentubamento da Ribeira da Granja, e o engenheiro Matos Fernandes, que é, agora, o ministro do Ambiente, tinha-me prometido a segunda fase da obra. Disse-me que mal acabassem as obras no Rio Tinto – que já estão acabadas – nós partiríamos para a segunda fase da intervenção na Ribeira da Granja. A verdade é que estou faro de perguntar às «Águas» quando é que iniciam, então, as obras. Eu sei que eles andam em cima dessas descargas.

Ribeira da Granja (área entubada) – Foto: Mariana Malheiro

Que vêm de onde?

Não se sabe, porque há ali dois ramais, um que vem de Matosinhos, e outro de Arca de Água, de Paranhos, e não se sabe bem de onde, porque só se dá conta da poluição da Ribeira, na zona da Prelada. Agora, o que eu gostava é que eles fizessem a segunda fase das obras. Ao lado da Ribeira vai ser construído – aquilo tem um prazo de três anos – o edifício da Liga profissional de Futebol. Houve na Assembleia Municipal que levantou a questão da Ribeira da Granja, mas referi que o facto de ir para lá a Liga vai ajudar a que a Ribeira da Granja passe a estar… como deve ser. Há por lá gente que não vai querer, de modo a que deixem vir o edifício… Mas, quando vejo lá os patinhos e, em alguns sítios, os peixes querem por lá ficar… é bonito, o pior são, realmente, essas descargas!

E o Ambiente, como em todo lado, também é importante em Ramalde…

Claro. Isto, como já lhe referi, Ramalde era constituída, essencialmente, eram quintas rurais. E eu também sou meio rural. A minha terra é uma vila meio rural, ainda que hoje já tenha desenvolvimento industrial. Portanto, eu gosto destas coisas.

O RAMALDENSE NÃO FICOU COM O CAMPO DE FUTEBOL POR TEIMOSIA DO ANTIGO PRESIDENTE”. O TERRENO TEM “TRINTA HERDEIROS” E É “UMA VERGONHA!

Por falar em campo, vamos para outro campo… o do Ramaldense. Aquilo está por ali ao abandono. É triste, e mais triste se torna se se tiver em conta o historial da coletividade.

É uma vergonha! Foi campo do Ramaldense e já não é! É somente conhecido como tal. É um baldio. Os herdeiros do terreno têm um processo em tribunal contra a Câmara Municipal, e eles são quase trinta.

Trinta herdeiros?!

Trinta, e não se entendem, porque a Câmara tem um projeto para aquilo. Mas tem de ter o acordo deles…

Aquilo, então, não era do Ramaldense.

Não. Uma teimosia do antigo presidente do clube. Meteu-se-lhe na cabeça que ganhavam a questão da posse do terreno no tribunal. Ele podia ter chegado a acordo com os proprietários, mas não. Aquilo chegou ao Supremo e este mandou entregar o terreno aos proprietários, e acabou o problema. Às vezes, e lá diz o ditado, mais vale um bom acordo… E agora? Isto já foi há uma data de anos… mais de duas décadas; as pessoas vão morrendo; os herdeiros agora já são muitos, e a Câmara continua à espera…

Tudo tem o seu limite de tempo…

Pois tem. Já esta zona aqui, onde se encontra a Junta, tem três fases para construção. Diga-se de passagem, que nós a também tivemos, há pouco tempo, um processo que, felizmente, ganhámos relativamente a um terreno ao lado do cemitério. Depois, por aqui também há muita toxicodependência – o campo do Ramaldense é um dos centros e serve também de coito… há gente que dorme lá. O projeto a que me refiro estende-se até à zona das Campinas e trata-se de algo positivo que não será, contudo, concretizado no meu tempo como presidente do executivo, mas que para o ano, por certo, se iniciará, segundo informação que tenho do vereador do Urbanismo, arquiteto Pedro Baganha. E bem é preciso este projeto para aqui, porque esta é uma zona nobre. E quanto ao Ramaldense, eles esperam que, quando a obra estiver em curso, os herdeiros libertem, por assim dizer, o terreno, porque eles nada ganham em ter aquela porcaria ali. De vez em quando, a Câmara tem de limpar o terreno – campo do Ramaldense – e apresenta aos proprietários a respetiva fatura, e, agora, está outra vez na altura de cortarem a erva, portanto eles têm que se entender.

QUEM VIER PARA O MEU LUGAR TERÁ MAIS DINHEIRO QUE O QUE EU CONTAVA, MAS TAMBÉM TERÁ UM PPI…

Quanto a terrenos – baldios – há também o junto à estação de Metro de Francos, que foi, recentemente, limpo, e que era um autêntico matagal…

Limparam aquilo, mas não falaram com os hortelãos que lá estavam. Foi uma pena. Nós tínhamos muitas hortas comunitárias, que é algo de muito interessante. Aliás, num terreno que é nosso, também temos duas hortas. Temos lá pessoas para tratarem das couves e tal, isto até ao dia em que nós precisarmos do espaço. Tudo está dependente das obras relacionadas com o projeto que há pouco falei para esta área.

O espaço a que me refiro, em Francos, não é pequeno…

É grande, sim! Ali vai nascer mais qualquer coisa. E vai sair também para a Sidónio Pais uma variante; e outra para baixo, para quem vai para o bairro de Francos.

Isto é reflexo do desenvolvimento de Ramalde…

Ramalde está em desenvolvimento… está!

Quem vier ocupar o seu lugar…

…Terá dinheiro! Terá mais dinheiro que o que eu contava. Terá dinheiro mas também terá um Plano Plurianual de Investimentos – PPI!

Claro que vai estar vigilante…

Sim. Repare neste facto, que é curioso: ao contrário de quando eu tomei posse, as empresas da construção civil estavam no buraco. Em 2008, tinha havido o descalabro do imobiliário. Depois, em 2011, veio a troica, e aquilo fechou. Agora é ao contrário, o pessoal está cheio de obras, mas não tem gente para trabalhar, porque os melhores artistas foram para o estrangeiro e não voltaram. E quando abalaram foi no tempo do Passos Coelho!

Obras não faltam na cidade.

Não faltam obras. O grande problema é que obras, como aqui, não é fácil. Vimo-nos gregos para que agarrassem a obra da Universidade. Fizemos aquilo em duas fases, e foi preciso quase andar a pedir para concorrerem. São obras na ordem dos cem mil euros… é uma chatice.

A NOVA LEI RELACIONADA COM OS MOVIMENTOS DE INDEPENDENTES É UMA ABERRAÇÃO!

O que diz sobre a nova Lei Autárquica relativamente aos condicionalismos impostos aos movimentos formados por cidadãos independentes? Aliás, faz parte de um.

O movimento de independentes surge, um bocadinho, do desagrado perante os políticos e os partidos. Quanto à Lei? Essa Lei não tem pés nem cabeça. Isso é caricato!

Para já, é o que está lá!

É o que está, é, mas não tem ponta por onde se lhe pegue.

Há que alterar?!

Há que alterar! Houve as eleições para a Presidência da República, e muitas coisas aconteceram, como com as assinaturas, aliás nem dei conta que o Presidente Marcelo tenha pedido assinaturas, e digo-lhe que os únicos candidatos que cumpriram a lei foi a Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, e o João Ferreira, do PCP. A Ana Gomes mandou uma lista só com os nomes. E tudo passou. Eu sei que custa recolher assinaturas, quando foi da candidatura do Rui Moreira, na primeira e segunda eleição.

Mas, quanto à Lei a que me referi…

É uma aberração, e, aliás o PS já deu conta disso. O PSD já diz que não é bem assim, e tal… O problema é que aquilo vai para tribunal e depende do juiz. Eu era gerente do Banco Borges irmão, em Baião, e era, lá, o presidente da Concelhia do PSD, e o meu mandatário, chegou ao tribunal cinco minutos depois das quatro para entregar a lista, porque não a tinha completa, e o juiz não a aceitou. Depois o juiz disse, com uma grande lata, que se poderia ter entregado a lista só com duas ou três assinaturas, e que depois dava-nos 48 horas… está a ver?! Nunca mais me esqueci desta situação. Ainda me lembro, que eu tive que sair – era o primeiro da Assembleia Municipal de Baião – e o do PS era o, ainda jovem universitário, José Luís Carneiro – para conquistar um presidente de junta lá de uma freguesia, para ele integrar a lista. E nós ganhámos as eleições sem Assembleia Municipal, só estavam os presidentes de junta que eram do PSD e que ganharam.

O MUNDO SEMPRE ANDOU PARA A FRENTE! O QUE ERA ISTO HÁ 70 ANOS E O QUE É AGORA?

Está confiante no futuro?

No meu?

No seu, no de Ramalde…

Estou confiante! Sou pragmático, mas… eu gosto muito de História e, sobretudo, comparo-a. Por isso, é que eu digo: isto vai passar! O mundo sempre andou para a frente! Com a primeira e segunda guerras mundiais, com a pneumónia etc. sempre avançou. Eu venho de uma família modesta. Fiquei sem pai com 15 anos. E quem compara o que era tudo isto há 70 anos e o que é hoje… ah! pois! Eu só posso estar confiante!

E tem confiança na juventude? Numa juventude interessada na política, nas autarquias…

Não! Esse é que é o problema: não querem saber disto para nada! E depois há outra coisa: os melhores estão a sair. Li, recentemente, de um jovem médico, de nome João Madeira, umas interessantes considerações sobre o Serviço Nacional de Saúde, onde ele diz isso mesmo: o Serviço Nacional de saúde não tem falta de ventiladores; não tem falta de camas; tem é falta de pessoal para trabalhar! Se, lá fora, ganham três vezes mais…o pessoal vai-se embora. Depois perguntaram-lhe se também estava a pensar nisso, e ele respondeu: não estou a pensar nisso, acho que o País que me ajudou a tirar o curso merece que também dê o meu contributo, agora, amanhã?! Não sei.

E esse é que é o problema. No nosso país há muita corrupção… as pessoas não acreditam. Dizem logo que são todos uns corruptos! Mas, caramba! Eu que não meto um talãozinho de gasóleo…

Vai no mesmo barco. É corrupto como os outros…

Exatamente! Eu que passo horas e horas aqui. Sábados e domingos…

Mas, no seu caso, a população reconhece.

Reconhece. Quem me conhece pede para ir ao terceiro mandato. Mas, eu repito: não vou porque estou velho!

Por que é que se considera velho?

Setenta e sete anos?!

Não há pessoas mais novas e que, no fundo, são mais velhas que aquilo que aparentam ser?

Sim, isso é verdade. Mas, eu também tenho de ter algum tempo para mim. Para ir ter com os meus filhos a Bruxelas e ao Dubai, onde se encontram. Para ler…

Um ano depois de ter deixado isto, vai começar a ter saudades…

É capaz! Mas como presidente de junta, não! Já chega!

 

01abr21

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