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Em meio escolar – “Pormenores” entre aulas presenciais e online…

Depois da forma abrupta como encerrou o ano letivo 2019/20 na sequência da primeira fase de confinamento para responder à pandemia da covid-19, o arranque do ano letivo 2020/21 prometia proporcionar mais tempo de aprendizagens, para recuperar as reconhecidamente perdidas pelos alunos.

Foram mesmo preparados pelo Ministério da Educação (ME) três cenários em função da situação epidemiológica, que passariam por um regime presencial como regra, e os regimes misto e não-presencial. Era até admitida a possibilidade de gestão flexível dos horários, dos espaços escolares que existem e dos créditos horários, com a finalidade de serem cumpridas normas de segurança para dar confiança e cumprir orientações da Direção-Geral de Saúde (DGS), ainda que se tenham revelado de certa forma contraditórias, a exemplo da dificuldade de se cumprirem em espaço de sala de aula, regras dos mínimos de distanciamento, sugeridos como medidas preventivas e de segurança, tal é o número elevado de alunos por turma, que assim foram deixados, discentes e docentes e consequentemente assistentes operacionais, à sua sorte na resiliência ao vírus, deixando marcas de ansiedade e natural medo nas comunidades.

Foi também equacionada a possibilidade de um regime misto e de um regime não-presencial, na eventualidade de uma “situação contingencial”, admitiu o ME, que apontou então para as escolas se começarem a preparar para possibilitarem “uma resposta mais rápida em caso de necessidade temporária”. Cenário que, tanto no misto como no não-presencial, implicaria sempre, “privilegiar-se manutenção do regime presencial”. Para tal, não faltariam “mais professores no contexto de crédito horário, mais professores para suplementar o funcionamento das equipas de apoio multidisciplinar à educação inclusiva”, acrescentando “a contratação de psicólogos e outros técnicos de intervenção para o desenvolvimento de uma estratégia de apoio pessoal, social e comunitário”. Respostas que nunca foram suficientes e verdadeiramente atempadas, para recuperar as efetivas faltas de investimento dos últimos anos na educação, em meios humanos e materiais, desde logo no tecnológico, quando o existente está decadente.

Também não faltaria “o alargamento do apoio tutorial específico”, aos alunos que tivessem reprovado no ano letivo anterior. Alunos que iriam ter “um apoio suplementar de quatro horas semanais de um professor tutor para os acompanhar nas matérias, para servir de motivador e trabalhar na assiduidade e precaver um possível abandono ou insucesso escolar reiterado”.

Entre alguns destes objetivos definidos pelo ME na preparação do novo ano letivo, constava também, a definição das “aprendizagens essenciais para cada disciplina de cada ano escolar e permitindo que as primeiras cinco semanas do ano letivo de 2020/2021 se destinem a um trabalho centrado na recuperação e consolidação destas aprendizagens”. Objetivo fundamental, que acabaria por ser surpreendido por novo confinamento, com previsíveis retrocessos nas metas propostas para as aprendizagens, considerando as conclusões a este nível tiradas no ano letivo anterior.

Mas o risco do acentuado agravamento do número de novos infetados e mortes por covid-19, com os Hospitais a ficarem saturados com o número de internamentos nos cuidados intensivos, obrigou, ainda que após algumas hesitações do Governo, a nova suspensão abrupta das aulas presenciais, sem que as principais medidas que se propunham responder com alguma normalidade a uma tal decisão de novo confinamento e estado de emergência, tenham atenuado a resposta imediata em função das lições tiradas.

Acabando-se por soluções de recurso, ao antecipar a interrupção das atividades letivas no Carnaval e na Páscoa. Tempo necessário para planear o improvisado recurso às aulas online com os meios possíveis de cada comunidade escolar que não teve o privilégio de beneficiar dos prometidos computadores para os diferentes ciclos de ensino.

Quando era suposto as escolas terem sido dotadas de meios capazes de promoverem o desenvolvimento de competências digitais aos alunos para melhor lidarem com mais um prolongado confinamento e aulas à distância face à incerteza da evolução da pandemia. Tudo pode parecer “pormenores” entre aulas presenciais e online, na espectativa de ainda durante este ano letivo ser garantida a retoma das atividades educativas e formativas, letivas e não-letivas, em condições de segurança para toda a comunidade escolar e educativa.

E assim permitir recuperar o contato presencial e visual com, esses sim, múltiplos “pormenores”, que dão forma e vida a esta realidade do espaço escolar da EB (2.º ciclo) António Dias Simões, consolidando a multiculturalidade e a partilha cultural e linguística, chinesa, brasileira, síria, peruana, paquistanesa, venezuelana, angolana entre outras, incluindo a cultura e língua romani, que enriquecem o património cultural português. São “pormenores” da diversidade em meio escolar que simbolicamente aqui ficam representados em forma multicolor de olhares proporcionados pela beleza da biodiversidade que se manteve disponível entre as aulas presenciais e não-presenciais, independentemente de passarem mais ou menos despercebidos pelo acelerado ritmo virtual a que estamos submetidos.

 

Texto e fotos: José Lopes

01abr21

 

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