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Obras da Linha Rosa já podem arrancar enquanto se desenha no horizonte uma nova ponte para o metro

Foram, no passado dia 16 de março, consignadas as empreitadas da Linha Rosa e da expansão da Linha Amarela, a que se somou o lançamento do concurso de conceção para uma nova ponte, que se destina a ligar Porto e Gaia através de uma nova linha de metro. A nova travessia vai localizar-se entre as pontes da Arrábida e Luís I, a uma cota superior à da Ponte da Arrábida, não terá pilares, e prevê ainda espaço para bicicletas e peões.

Foi com a Ponte da Arrábida como pano de fundo que se pincelou o futuro. Por agora, ainda a aguarela, mas os traços querem-se daqui em diante mais nítidos no horizonte. A nova travessia sobre o Douro destinada ao metro, diz o Governo, não vai comprometer a paisagem que se avista dos Jardins do Palácio de Cristal, nem tão pouco o pôr-do-sol que dali se pode contemplar todos os dias.

“A ponte que aqui vai ser construída não me assusta muito. Apesar de todo o impacto que vai ter, acredito que o júri e os arquitetos que vão apresentar propostas farão desta visão fantástica que aqui temos, uma visão ainda mais bonita. Estou morto por ver isso, sinceramente”, afirmou o presidente da Câmara do Porto, numa cerimónia que juntou o primeiro-ministro, António Costa, o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, o presidente da Área Metropolitana do Porto e presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, o presidente do conselho de administração da Metro do Porto, Tiago Braga, entre outros governantes, autarcas e personalidades.

Rui Moreira, que ainda criança recorda a colocação do arco da ponte de Edgar Cardoso e a renitência então experienciada pela população em relação à obra, diz que “a cidade não ficou mais feia por isso; até ficou mais bonita”. Motivo suficiente para vislumbrar esta nova ponte um pouco como a repetição da história: inicialmente com algum desconforto até à natural adaptação das pessoas à sua existência. A bem da mobilidade e da sustentabilidade da cidade do Porto e da sua área metropolitana.

“Aquele tempo de grandes discórdias e grandes discussões felizmente acabou. Hoje temos um perfeito entendimento na Área Metropolitana nestas matérias. É sinal de um tempo novo, que mais do que aquelas velhas querelas a que assistíamos entre municípios, um sinal de que trabalhamos em franca cooperação”, assinalou também o presidente da Câmara do Porto, que começou a sua intervenção, precisamente, por falar do que a partir de hoje passa a ser uma efetiva realidade, com o carimbo dado ao início das obras para a construção da Linha Rosa.

“Estas obras que hoje são definitivamente lançadas, e que resultam de um grande compromisso e entendimento que sempre tem existido entre a Metro do Porto com o Governo, e com os municípios, vão ter um impacto extraordinário na Área Metropolitana, não apenas nas nossas cidades”, sublinhou o autarca, que não ignorando os “sacrifícios” que as obras causam, compreende que elas “não se fazem do dia para a noite”.

Sobretudo em termos de sustentabilidade e ambiente, continuou. “Não é por estarmos em pandemia que devemos esquecer essa grande batalha que temos contra as alterações climáticas, e também o impacto que a mobilidade tem na atividade económica”, assinalou Rui Moreira, que considera ser o transporte público qualificado o forte aliado do crescimento económico dos centros urbanos.

Por sua vez, o primeiro-ministro recordou na sua intervenção os “idos anos de 2013”, em que, ainda enquanto presidente da Câmara de Lisboa apresentou com Rui Moreira, na Casa do Roseiral, “uma declaração conjunta contra a privatização dos transportes”. Com esta lembrança, António Costa quis reforçar a sua convicção de que “a gestão dos transportes nas mãos das autarquias tem vantagens qualitativas superiores do que se esta estiver nas mãos do Estado Central. Ninguém melhor do que um autarca pode gerir os transportes”, declarou.

O chefe do Governo Português, que destacou importância da expansão do Metro do Porto neste enquadramento, colocou agora o pêndulo sobre os vencedores do concurso. “A partir de agora são as empresas adjudicatárias que tomam em mão a responsabilidade de avançar com obra”, neste caso, o consórcio Ferrovial/ACA.

Quanto à nova travessia sobre o Douro, cujo concurso para a sua conceção será avaliado por 11 jurados, entre os quais o arquiteto Eduardo Souto de Moura, enquanto representante da Câmara do Porto, sabe-se que terá um custo aproximado de 50 milhões de euros, tendo ainda o ministro do Ambiente revelado que as propostas serão aceites durante os próximos quatro meses.

“O produto da sua entrega já vai ter um pré dimensionamento da estrutura que permita avaliar a sua exequibilidade e o seu custo”, garantiu João Pedro Matos Fernandes.

Eduardo Vítor Rodrigues assinalou, por seu turno, a importância desta nova linha de metro, para ligar as Devesas à Casa da Música, tendo depois a capacidade, do lado de Gaia, de fazer caminho até Santo Ovídio. “Vai ser a cereja no topo do bolo do transporte público”, referiu o autarca, que destacou que estes “registos articulados de realidade metropolitana” vão contribuir para a alterar o paradigma da mobilidade, numa lógica intermodal e em rede.

Entre a “articulação direta de Porto e Gaia, as dezenas e dezenas de reuniões, e as centenas de documentos trocados”, Tiago Braga considerou que a nova ponte “terá de surgir como um hífen entre duas margens”, respeitando o legado das obras arquitetónicas antecedentes.

Quanto à expansão da rede mais próxima de se concretizar, o presidente do conselho de administração da Metro do Porto disse que a Linha Rosa vai permitir retirar, anualmente, “4.000 toneladas equivalentes a CO2, 21.000 automóveis particulares e cerca de 1.000 pesados”, além de “desembaraçar um dos eixos mais congestionados da cidade do Porto: Júlio Dinis – Santo António – Aliados”.

 

Texto: Isabel Moreira da Silva (Porto.) / Etc e Tal jornal

Fotos: Miguel Nogueira (Porto.)

 

 01abr21

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