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Que horror!

Joaquim Castro

 

 

No seu programa, Histórias da História, emitido de segunda a sexta-feira, na Antena 1, Helena Matos utilizou a expressão “rúbrica”, em 22 de Março de 2021. Helena Matos é licenciada em Estudos Portugueses, pela Universidade Nova de Lisboa. Foi professora de Latim e Português no ensino secundário e, mais tarde, jornalista. Desde 2000, faz pesquisa para séries de televisão e de programas de rádio. Tem várias obras publicadas, nomeadamente, de História. Ora, foi no programa de 22 de Março de 2021, que utilizou a expressão “rúbrica”, uma palavra que não existe na Língua Portuguesa. A palavra correcta é “rubrica”, sem acento gráfico no u. Helena Matos falava do primeiro automóvel vindo para Portugal. Na Alfândega de Lisboa, dizia ela, “não sabiam muito bem em que “rúbrica” deviam registar a nova máquina”…Foi um horror ouvir tal expressão. Esta questão da “rúbrica” já foi aqui tratada, no Etc e Tal, dado que este erro de pronúncia é dado por muitos ilustres portugueses, nomeadamente, pelos nossos políticos, voltamos a este assunto, pela sua pertinência.

DEPENDURAR E PENDURAR

Dependurar é utilizado como sinónimo de pendurar em certos contextos. Mas o termo dependurar tem um matiz semântico ligeiramente diferente de pendurar. Porque pendurar significa colocar alto, suspender, prender em cima, de modo a que não toque no chão. Pendura-se o que é próprio para ser pendurado: um casaco, um chapéu, um vestido.
Dependurar pressupõe uma situação imprópria, ou porque o objecto não se presta a isso ou porque não fica correctamente pendurado, mas, sim, em desequilíbrio, a baloiçar, quase a cair. O prefixo de – desta palavra, interpreto-o como variante do prefixo dês-, indicativo de “coisa mal feita”, como no termo “desgoverno”, que significa que há um governo mal exercido. No caso de dependurar, há um acto de pendurar defeituoso; algo está pendurado, mas mal pendurado. E o verbo dependurar até assume mesmo a acepção de cair, por exemplo, na expressão “a vela do navio estava dependurada”. Quantas vezes ouvimos dizer, fulano de tal deixou-me dependurado, assim como que diz, deixou-me com uma situação nas mãos, em que ele também era interveniente, mas que não ajudou a resolver. (Consultei Ciberdúvidas da Língua Portuguesa).

CHEFE DE FAMÍLIA

Antigamente, dizia-se que quem não era benfiquista, não era bom chefe de família! O chefe de família era um homem, com mulher e, eventualmente, com filhos, que representava a família em certos actos, como o eleitoral. Nesse conceito de chefe de família, não cabiam as mulheres. Não. Isso era para homens. Contudo, em 1911, em Portugal, Carolina Beatriz Ângelo, nascida na Guarda, São Vicente, em 16 de Abril de 1878, falecida em Lisboa, em 3 de Outubro de 1911, veio intrometer-se nessa ordem estabelecida. Aqui, sim, entram as tais subtilezas da Língua Portuguesa. Esta primeira mulher cirurgiã, em Portugal, foi também a primeira mulher a votar no nosso país, nas eleições da Assembleia Constituinte. Como, não sendo chefe de família? Ora, o facto de ser viúva e de sustentar a sua filha Maria Emília Ângelo Barreto (1903-1981), permitiu-lhe invocar em tribunal o direito de ser considerada “chefe de família”, tornando-se assim a primeira mulher a votar no país, nas eleições constituintes, a 28 de Maio de 1911. Por forma a evitar que tal argumento voltasse a ser utilizado, a lei do código eleitoral português foi alterada no ano seguinte, com a especificação de que apenas os chefes de família do sexo masculino poderiam exercer o seu direito de voto.

“TASK FORCE”

Ouvi o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, a dar informações, na Antena 1, em 15 de Março de 2021, sobre o regresso às aulas presenciais, após as aulas à distância, por causa da Pandemia. Dizia ele que a informação mais fina seria dada pela “Task Force”! Não gostei de ouvir tal expressão. Um ministro da Educação utilizar tal estrangeirismo, não o deixa ficar bem na fotografia. Será que a maioria dos portugueses sabe o que é isso? Não me parece. Tal nomenclatura não passa de uma parolice, que o ministro, por ser da Educação, devia ter evitado. Bem sabemos que o coordenador da equipa é um vice-almirante, mas quando o seu antecessor era um civil, já muito se falava na tal coisa da “Task Force”. No fundo, em bom português, trata-se de um Grupo de Trabalho e é a tradução mais comum nos termos genéricos que passou a empregar-se. Na acepção militar, uma “Task Force” é uma força temporária e escolhida para uma missão especial, sob um comando unificado. (in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa).

“AMOTE”

Um dia, uma querida sobrinha, que dava os primeiros passos na escola primária, fez um desenho dedicado a uma tia, mas tinha dúvidas sobre se “amo-te” se escrevia com “o” ou com “u”. Respondi-lhe que se escrevia com “o”. Mas ao olhar para a bela obra já pronta, descobri que a menina tinha escrito “amote”, na legenda! Tive de sorrir, mas o erro já não podia ser corrigido, pois a palavra era escrita com marcador. Depois, rimos os dois e também riram os outros familiares da casa. Foi giro! A propósito, li , um dia, quais eram as três expressões que uma mulher gostava mais de ouvir. E eram ou são: “amo-te”, “fica com o troco” e “fica na cama mais um pouco”. Isso, até eu gosto de ouvir. Por isso, concordo com tal teoria.

PESSOA DE COR 

No dia 21 de Março de cada ano, assinala-se o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, para lembrar que o racismo, a xenofobia e as várias formas de violência discriminatória relacionadas com preconceito e ódio são uma realidade. No dia 21 de Março de 2021, foi assinalado, pela primeira vez, o Dia Nacional para a Eliminação da Discriminação Racial. Nos jogos de futebol, desse dia 21, vi todos os jogadores envergarem camisolas com a inscrição nas costas, com a frase “Racismo não”. Mas nem todos os clubes participaram da campanha. E é sobre aquela frase que eu quero falar. É que a referida inscrição, no meu ponto de vista, deveria ser “Racismo, não”. Aliás, a tarja com essa mesma inscrição, exibida antes dos jogos, dizia “RACISMO \ NÃO”. A propósito, muita gente, mesmo nas redes sociais, fala em pessoas de cor, querendo referir-se,  normalmente,  a pessoas negras. Mas a verdade é que o ser humano não tem tudo a mesma cor de pele, pelo que, falar de pessoa de cor não define a cor de uma pessoa. Segundo a Agência  Brasil, em 2016, a maior parte da população brasileira residente era parda: era de 95,9 milhões de pessoas, representando 46,7% do total.

“FAZEM SEIS ANOS QUE…” 

Em setembro de 2018, contei a história de um professor, licenciado pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, que publicou no Facebook o seguinte: “Em setembro, fazem seis anos sobre a minha primeira publicação. Estes são os 18 rebentos (livros) da minha safra…”. Tendo achado estranha aquela expressão “fazem seis anos que…”, enviei um alerta ao autor, anexando um texto que fazia luz, sobre a forma correta de escrever a frase, que dizia o seguinte: Faz ou fazem? Isto significa que “Fazem quantos anos…” está errado. Mas a troca de correspondência não teve o fim desejado, partindo o escritor de livrinhos para crianças para desconsiderações pessoais, apoiado por diversas colegas de profissão. Por ter ouvido um caso parecido com este, do “fazem anos que…”, lembrei-me de acrescentar o seguinte: Na estrutura sintática “faz (tempo) que, o verbo fazer não admite plural, uma vez que é um verbo impessoal, isto é, não tem sujeito. Assim, independentemente do número da expressão temporal que se lhe liga, só deve ser conjugado na 3.ª pessoa do singular. Exemplo: Faz três anos que concluiu o doutoramento.

PORQUE E POR QUE

 

Estas duas formas continuam a provocar dúvidas a muita gente. Algumas pessoas nem saberão que este problema existe na Língua Portuguesa. Normalmente, o porque serve para tudo! Escreve-se “porque razão choraste” ou “por que razão choraste”? Devemos utilizar a preposição “por” e o determinante interrogativo “que”. Confesso que não é tarefa fácil. No seu livro “500 Erros Mais Comuns da Língua Portuguesa”, a autora, Sandra Duarte Tavares, professora de  português, diz o seguinte: Por que, escrito separadamente, usa-se em frases interrogativas, cuja resposta pode não expressar uma causa. Ocorre sempre antes de um nome e é substituível por “por qual”. Exemplos: – Por que janela saltou a criança? – Por que CD trocaste o que te ofereci? – Por que razão faltaste à aula? Porque, escrito aglutinadamente, tem um valor semântico causal, pelo que se usa sempre para fazer perguntas cuja resposta expressa uma causa. Ocorre sempre antes de um verbo. Exemplo: Porque faltaste à aula?

 

Nota: Por vezes, o autor também erra!

 

Fotos: pesquisa Web

 

 01abr21

 

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