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Rui Moreira foi ao Bolhão ver como andam as obras no mercado! Para já, os “ponteiros” estão acertados para a reabertura do espaço que já tem túnel construído…

A obra de relojoaria do Mercado do Bolhão prossegue com todos os ponteiros acertados para a sua reabertura na segunda metade do ano. Túnel construído, fachadas restauradas, remodelação integral da cobertura concluída e uma cave em fase de execução.

Cerca de 120 trabalhadores dedicados à empreitada que vai devolver o histórico equipamento à cidade, tornando todo o quarteirão numa referência alimentar não só para o Porto como para toda a Região Norte.

Por fora da obra, em tela para toda a gente ver, osa rostos que cabem lá dentro; expectantes pelo regresso que se encurta a cada dia que passa. No interior, uma azáfama miudinha que não cessa, um vaivém de homens, máquinas, sons monocórdicos que estalam em cadência repetida, e que denunciam as várias frentes de trabalho.

À superfície, impermeabiliza-se a laje, colocam-se os pilares para as bancas, prepara-se o pavimento. E, para além do que se consegue ver – a não que se desça por umas improvisadas escadas, como fez Rui Moreira na mais recente visita à obra – outra empreitada em curso, com a missão de construir uma cave em terreno outrora pantanoso, fazendo crer que projetos como este seriam autênticos aventureirismos, por mais que ciência e engenharia se alinhassem.

A cave logística é efetivamente a grande novidade da obra de restauro e modernização do Mercado do Bolhão. Vai ocupar o miolo do edifício com câmaras frigoríficas, armazéns, produção de gelo, e com espaço destinado às cargas e descargas. Contempla ainda uma zona de balneários e outra de separação e tratamento dos resíduos. Aliás, a parte da “modernização” cabe praticamente toda nela, mais no túnel que lhe dá acesso. Já lá vamos.

Pela cave há ainda uma série de considerações a fazer, explicadas durante a visita à obra por Cátia Meirinhos, administradora executiva da empresa municipal GO Porto, gestora da empreitada. O método construtivo foi recentemente alterado, depois de longos meses de espera para a respetiva autorização. Para se ter uma ideia do quanto seria moroso se se mantivesse a anterior metodologia, imagine-se o que era realizar, como estava previsto, escavações de meio metro ou de um metro – à vez – e por cada passo destes ter de se montar uma nova estrutura metálica para suster as terras.

Resolvida esta questão com a aprovação da alteração do método construtivo, os trabalhos na cave recuperaram o tempo perdido. A solução passou por fazer a contenção através de centenas de estacas ao longo de todo o perímetro do terrado, permitindo concretizar a escavação a dois metros de altura, e avançar com a construção da laje à superfície. Ação fundamental para desdobrar a obra do Bolhão em duas frentes de trabalho autónomas e simultâneas: ao nível da escavação da cave, que já retirou mais de 30 mil metros cúbicos de terras, e ao nível das infraestruturas do terrado. Por conseguinte, duplicaram-se o número de trabalhadores, de 60 para 120.

Emergindo novamente, à volta há muito mais a acontecer. O passadiço central, com a nova ligação direta entre as ruas de Sá da Bandeira e de Alexandre Braga, já foi colocado. As lajes da galeria superior, somente as que foram demolidas por não terem condições para serem preservadas, porque o betão estava em muito mau estado, estão a ser reconstruídas integralmente seguindo – sem tirar nem pôr – o desenho original (chama-se repristinio a esta fotocópia). E, por todo o mercado, há trabalhos de carpintaria em curso: em vários compartimentos faz-se o revestimento com azulejos; para as lojas exteriores testam-se protótipos de toldo, ao passo que no interior do terrado se faz idêntico exercício para as coberturas das bancas.

 Dentro da obra, também há obra feita. A cobertura, com uma área total superior a 5.500 m2, foi toda remodelada, o que envolveu o revestimento integral em ardósia e a recuperação e reforço da estrutura de madeira original, assim como o tratamento de todo o gradeamento metálico das cumieiras. Concluída está, ainda, a recuperação de todas as peças e adornos das fachadas, nomeadamente dos florões (186) e dentilhões (420).

De igual modo, cerca de 70 caixilharias, cada qual com dimensões diferentes, foram recuperadas em ferro fundido, tal como as primeiras ali colocadas. O reboco original da fachada foi também cuidadosamente recuperado, nos seus mais de 8.500 m2, estando igualmente à vista de quem passa, até mesmo nos portões, a pintura original do mercado, que se tinha perdido entre sobreposições de cor ao longo de décadas.

Orçada em cerca de 22,3 milhões de euros, a obra de restauro do Bolhão é concretizada pela ACE – Lúcios & ACA, vencedora do concurso público internacional lançado pela Câmara do Porto.

TÚNEL DO BOLHÃO ESTÁ CONCLUÍDO

A obra do túnel do Bolhão, com entrada pela Rua do Ateneu Comercial do Porto, está concluída. Portões abertos, um para a entrada e outro para a saída das cargas e descargas, foi o último ponto de passagem na mais recente visita de Rui Moreira ao local. Um caminho a percorrer ao longo de 120 metros de percurso, sustentados por 750 toneladas de aço e 3.500 m3 de betão. E uma obra de engenharia que desafiou olimpicamente todas as vicissitudes, e que, mesmo assim, foi concretizada em 18 meses.

Apesar de já existirem caves por baixo dos dois prédios que dão acesso ao túnel, o que facilitou a entrada das máquinas, tudo o mais foi obra de arte e engenho. Como informa a GO Porto, foi criada uma estrutura alternativa de suporte aos prédios, para garantir a estabilidade. Tratou-se literalmente de suspender os dois imóveis, permitindo manter em funcionamento uma farmácia e a IPSS Associação Beneficência Familiar.

O túnel propriamente dito desenvolve-se a 10 metros à cota inferior dos arruamentos das ruas da Formosa e de Alexandre Braga. Seria quase inocente pensar que a escavação não reservaria surpresas. A rocha encontrada e – novamente a água –, criaram grandes constrangimentos ao andamento dos trabalhos. Por outro lado, o arranque da obra, que estava prevista iniciar pela Rua de Alexandre Braga, teve de ser alterado (isto porque, nesta artéria, decorriam escavações segundo o método mais moroso, precisamente aquele que se conseguiu alterar para construir a cave logística do Bolhão em tempo útil).

A juntar a estes reveses, também o método construtivo do túnel do Bolhão foi modificado. Em vez de estruturas de contenção, partiu-se para a colocação de estacas, cerca de 200, ao longo do caminho. Na Rua Formosa e de Alexandre Braga o túnel foi, por isso, construído a céu aberto, com todas as cautelas.

A intervenção implicou, ainda, a reabilitação das infraestruturas existentes, que tiveram de ser deslocadas e já se apresentavam bastante degradadas, nomeadamente águas pluviais, saneamento, abastecimento de água, telecomunicações, gás, entre outras redes. Neste momento, falta apenas a pavimentação final do túnel, concluir o acesso à cave do Mercado do Bolhão, entre outras pequenas finalizações de obra. No total, passaram pela obra conduzida pelo empreiteiro Teixeira Duarte 340 trabalhadores. O valor de adjudicação da empreitada do túnel do Bolhão foi de 4,3 milhões de euros.

 

Texto: Porto. / Etc e Tal jornal

Fotos: Miguel Nogueira (Porto.)

 

01abr21

 

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