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Terminal Intermodal de Campanhã (TIC) conduz a cidade em direção a oriente! Rui Moreira foi ver o andamento das obras…

O vasto manto verde, qual prado circundado de aço e betão, ainda só cabe na imaginação dos olhares que ali repousam. Mas na fotografia já cabe, isso sim, a moldura de uma nova cidade que se constrói a oriente. Do Terminal Intermodal de Campanhã avista-se o Parque da Corujeira, o terreno do Monte da Bela, a Quinta do Mitra, e ali muito perto também está o Matadouro. A obra que vai revolucionar a mobilidade na cidade do Porto transporta com ela várias externalidades positivas, da sustentabilidade ao desenvolvimento económico e social da zona oriental. Corresponde a um investimento aproximado de 12,6 milhões de euros e fica concluída no quarto trimestre deste ano.

Cerca de um ano depois de ali ter pisado terra batida, foi já no interior de uma fresca infraestrutura que se ergue imponente, que Rui Moreira partiu para nova visita à obra do Terminal Intermodal de Campanhã (TIC).

No local, o andamento dos trabalhos é bem visível. Por toda a empreitada, já foram empregues perto de 1,4 toneladas de aço e cerca de 11.300 m3 de betão. Mas a estes somar-se-ão outros números. Em parte, porque atualmente decorre a execução dos pavimentos do terminal de autocarros e do parque de estacionamento, este com capacidade para 230 a 240 lugares em sistema park & ride (segundo este conceito, os automóveis ficam estacionados durante o dia a uma tarifa reduzida, para que os utilizadores do serviço sigam viagem em meios de transporte públicos, seja autocarro, metro ou comboio).

Será portanto no piso 0 que vai funcionar o epicentro do Terminal Intermodal de Campanhã. Nesta zona, além de se comprovar estar diante de uma obra de engenharia de grande envergadura – até ao momento a escavação retirou 155.000 metros cúbicos – pode antever-se a magnitude do TIC enquanto obra de arte: as linhas retas da escadaria lateral, associadas a um interior sóbrio de pilares lineares, marcam o tom de um desenho arquitetónico funcional, mas que não é desprovido de sentido estético. Basta observar a extremidade sul do piso onde uma grande abertura de luz recai, em forma circular, sobre aquela que será uma rotunda interior, permitindo aos autocarros entrada e saída facilitadas na interface.

Cobertas por plásticos, as escadas rolantes estão prontas a ser instaladas, assim como os elevadores, essenciais para a ligação entre pisos. No périplo conduzido pelo administrador executivo da empresa municipal GO Porto, Manuel Aranha, o presidente da Câmara do Porto percorreu todo este espaço interior e exterior do TIC, e subiu também ao piso 1, onde, por sua vez, vão concentrar-se as áreas administrativas, bilheteiras, apoio ao cliente, salas de espera, zonas de descanso de motoristas, entre outros serviços utilitários. A este nível e no piso superior, decorre a colocação dos pavimentos das galerias.

INTERFACE QUE MUDA A FACE A CAMPANHÃ

Com uma volumetria sobretudo longitudinal, praticamente em linha paralela à estação de Campanhã, o Terminal Intermodal de Campanhã terá o seu espaço vital voltado a oriente, zona para onde se vai espraiar a partir de uma cobertura verde e de uma área ajardinada com lagos, que totalizam mais de 4,6 hectares. A cor, por enquanto, é só sintética, mas indica que os trabalhos de impermeabilização e instalação do sistema de drenagem seguem o seu curso.

Dali, vê-se o arvoredo da Praça da Corujeira, que vai ser toda requalificada. O terreno do Monte da Bela, acomodado em poucos socalcos, com uma área bruta de construção superior a 23.000 m2, onde se vão erguer mais de 230 fogos para habitação acessível. A vista não atinge, mas na mesma direção está, por detrás, o antigo parque de recolha da STCP, onde a Câmara do Porto quer mesclar habitação, comércio e serviços.

Muito próxima fica a velhinha Quinta da Mitra, que dentro em breve vai rejuvenescer, e cuja ligação direta ao TIC está a ser ultimada. Juntando à duplicação do Parque Oriental, concluída há quase dois anos, e à demais língua de investimentos que ali se forma – desde a reconversão do Antigo Matadouro Industrial, à reativação do ranal de Alfândega, e ainda à construção da nova ponte sobre o rio Douro, com amarração ao lado da Quinta da China – são, de grosso modo, 100 milhões de euros de investimento para o desenvolvimento de Campanhã, divididos entre público e privado.

 LIGAÇÃO À ESTAÇÃO DE CAMPANHÃ

Ao nível de arruamentos e paisagismo, a GO Porto (gestora da obra) estima que nos próximos tempos fique concluída a estrutura da galeria pedonal de interligação entre o TIC e a passagem pedonal sul da estação de Campanhã. Em simultâneo, na zona do viaduto da Rua Pinheiro de Campanhã, informa que estão a ser executadas infraestruturas enterradas e à superfície, enquanto elementos fundamentais nos acessos ao terminal; em fase de preparação, está ainda a pavimentação do arruamento da Rua Pinheiro de Campanhã junto à Ceres, assim como a modelação dos terrenos nas zonas de paisagismo.

A última fase da obra será destinada à conclusão de arruamentos, à montagem de instalações elétricas e telecomunicações, à colocação de iluminação pública e de equipamentos de sinalização e segurança, e ao remate de outras pavimentações. Da ponta final do cronograma farão ainda parte, por exemplo, os trabalhos de execução das coberturas verdes, das zonas ajardinadas e dos lagos, assim como a construção de uma ponte pedonal em madeira sobre a zona hídrica, além da instalação de todo o mobiliário urbano.

Até ao momento, a obra do Terminal Intermodal já viu executados 8,5 milhões de euros, ou seja, cerca de 67% do investimento programado. O empreiteiro da obra é a ABB – Alexandre Barbosa Borges S.A., que venceu o concurso público lançado pela autarquia.

Recentemente, a Assembleia Municipal do Porto mostrou-se satisfeita com a proximidade da conclusão do TIC, prevendo que, efetivamente, esta obra terá um impacto positivo na cidade a vários níveis. Nos primeiros três anos da vida do equipamento municipal, a operação e manutenção do Terminal Intermodal de Campanhã será feita através de aquisição de serviços, cujo concurso público internacional foi lançado no início desta semana.

 

Texto: Isabel Moreira da Silva (Porto.) / Etc e Tal jornal

Fotos: Miguel Nogueira (Porto.)

 

01abr21

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