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Com o lema “são os obstáculos e as dificuldades que nos fazem mais fortes”… Clarisse Cruz continua a lutar pelo pódio!

A atleta não profissional Clarisse Cruz, que integrou a Seleção Nacional nos Jogos Olímpicos de Pequim`2008 e Londres`2012, em que esta assistente administrativa que exerce a sua atividade profissional na Câmara Municipal de Ovar, depois dos seus objetivos cumpridos na China (34.º lugar na geral com 9.49,45 minutos), se veio a destacar em Inglaterra, ao conseguir o 11.º lugar na final dos 3.000 metros obstáculos (10.ª após desclassificação por doping de uma atleta russa entre as 15 finalistas), após a aparatosa queda sofrida durante a meia-final de apuramento.

Uma queda perante o olhar incrédulo de muitos milhões de espetadores em todo o planeta, que, surpreendentemente, e em sofrimento, não impediu a atleta de Ovar de alcançar um novo recorde pessoal (9.30,06 minutos), vivendo então um dos maiores sonhos da sua vida ao sentir-se orgulhosamente no topo mundial.

 

José Lopes

(texto)

 

Trata-se de um exemplar espirito de resistência às adversidades de quem assume, que, “são os obstáculos e as dificuldades que nos fazem mais fortes”, como lema na sua página da rede social Facebook, porque, “errar, superar, aprender e recomeçar”, são a sua forma de estar na vida e nas competições desportivas, que a faz continuar hoje a lutar pelo pódio e novos objetivos no seu escalão a nível nacional e internacional.

Foto de Luís Lopes

Clarisse Cruz, que nasceu em Ovar a 9/07/1978, representou a AD Ovarense (1996 e 1997), Clube Atletismo de Ovar (1998 a 2002), FC do Porto (2003), Sporting Clube de Portugal (2004 a 2014), Boavista (2015), Salgueiros (2016), e veste atualmente a camisola da Associação Desportiva Recreativa Cultural de Santo António – GRECAS, de Vagos, clube a que continua a dar alegrias em muitas das provas no seu escalão de veterana w40, “mas faço muitas provas por sénior”, como nos adiantou, reconhecendo em jeito de balanço, que, “nos últimos anos só tive títulos nacionais do meu escalão w40 e não tive internacionalizações”.

Mas com a atitude de resiliência que a carateriza, afirma que, “gostava de participar nos campeonatos Europeu e mundiais do meu escalão”, bem como “ir ao pódio nos campeonatos de Portugal de sénior nos 3000 metros obstáculos”. Objetivos desportivos nesta fase da sua carreira no atletismo, que tem como treinador de longa data, António Bessa também de Ovar, com quem partilha o seu sucesso de campeã e atleta olímpica, que corajosamente, depois de se ter destacado em Londres’2012 ao atingir o seu melhor resultado, viria em 2014 a comunicar a sua renúncia à seleção nacional de atletismo face à exclusão do projeto olímpico para os jogos do Rio de Janeiro, em 2016 por parte da FPA, que deixou de fora uma atleta olímpica que foi vítima, como atleta não profissional, da quebra de apoios financeiros para a sua preparação física, incluindo aquisição de material para apoio ao treino.

Foto de Manuel M. C. Rocha

Falta de apoios que já se tinham manifestado na sua participação nos jogos de Londres’2012, em que Clarisse Cruz viria a ser integrada no Projeto Olímpico já tardiamente, depois do mínimo alcançado nos Europeus de Atletismo de Helsínquia, junho de 2012. Tendo chegado a Londres quase sem apoios, não fosse um subsídio de 500 euros do clube que representava, como na época se veio a escrever na imprensa.

Depois da presença nos Jogos Olímpicos de Pequim’2008, Clarisse Cruz que tinha nesta estreia olímpica 30 anos de idade, preencheu quatro anos depois em Londres através de uma brilhante prestação desportiva e competitiva, todos os requisitos para ficar assinalada na história do atletismo nacional e no espirito olímpico, com o inesperado e surpreendente 11.º lugar na final dos 3.000 metros obstáculos. Prestação de uma atleta amadora, que fazia treinos bidiários, de manhã antes de ir trabalhar para a CMO e depois ao fim da tarde. Realidade de grande sacrifício, com que à quase uma década partiu para os Jogos de Londres’2012, na certeza de que seriam mais exigentes dos mínimos exigidos para os de Pequim’2008.

Foto de Manuel M. C. Rocha

No entanto, a sua determinação começou a dar os resultados animadores de competição em competição, nacional e internacional ao lado de algumas das estrelas da modalidade. A surpresa começou nos mínimos alcançados na Taça dos Campeões Europeus, no Algarve. Depois atingiu os mínimos para o Europeu no Campeonato de Lisboa. Estavam assim criadas as condições para sonhar mais alto, criando espectativas para lutar pelos mínimos em Helsínquia, que garantiram a chamada à seleção nacional de atletismo para Londres naqueles celebres Jogos Olímpicos de 2012, em que Clarisse Cruz se transformou numa autentica lutadora, ao ser última repescada para a final dos 3.000 metros obstáculos na prova que ficou sobretudo marcada pela queda aparatosa da atleta de Ovar, ao tocar num obstáculo, mas logo se levantou para um novo recorde pessoal, que se fixou nos 9.30,06 minutos, ao bater por quase 10 segundos a sua anterior melhor marca (9.40,30).

Um verdadeiro exemplo de determinação que, lamentavelmente, acabaria desvalorizado, pelo menos ao nível dos indispensáveis apoios para novos desafios olímpicos e internacionais na seleção nacional de atletismo, desta atleta portuguesa dos 3.000 metros obstáculos ou corta-mato, que continua a não se dar por vencida, conquistando ao serviço do GRECAS sucessivos títulos individuais e coletivos, como o mais recente de Campeã Distrital de corta-mato curto em Castelo de Paiva ou o de Campeã Nacional de Masters (setembro de 2020) em Lisboa, tendo ainda mais recentemente batido o recorde nacional de V40, nos 1.500 metros ao fazer 4:36:70, batendo o tempo de Sandra Teixeira (4:44:71) no Torneio da Primavera em Vagos que se realizaram a 17 e 18 de abril. Títulos que se juntam ao vasto palmarés que se pode encontrar publicado na revista Atletismo até 2018. Em que se destacam as internacionalizações (3.000 metros obstáculos ou corta-mato): Jogos Olímpicos de Pequim’2008 e Londres’2012; Campeonato do Mundo de Helsínquia’2005; Campeonato da Europa de Helsínquia’2012; Campeonato Ibero-Americanos de Huelva’2004; Taça da Europa de 2005 e Europeu de Seleções de 2013; Campeonatos do Mundo de Corta-Mato (curto) de 2002 e 2003; Campeonato da Europa de Corta-Mato (juniores) de 1997.

Como Campeã de Portugal, os destaques vão para os 3.000 metros obstáculos em 2004, 2005, 2006, 2010 e 2012. Bem como 3000 metros (pista coberta) em 2003. “Tem ainda vários pódios nestas distâncias e no Crosse Curto e Longo”. Ainda nos 3.000 metros obstáculos, Clarisse Cruz mantem-se ainda na atualidade, terceira no Ranking nacional.

 

Fotos: Facebook/Clarisse Cruz

 

01mai21

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