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Em defesa do Património Natural e Construído do Porto – o Caso da Avenida Marechal Gomes da Costa

A Campo Aberto – associação de defesa do ambiente sempre reconheceu a importância do transporte público, como sempre estivemos e estamos entre os que mais por ele pugnaram desde a nossa fundação em dezembro de 2000. No entanto, entendemos que é imprescindível que este seja implementado preservando o património ambiental e urbanístico da cidade. Os meios de transporte evoluem e podem ser substituídos. A destruição do património natural e construído é praticamente irrecuperável. Por isso consideramos de evitar a todo o custo que esse património possa ser colocado em causa com a prevista implementação dum serviço de metrobus, ou BRT – Bus Rapid Transit, na Avenida Marechal Gomes da Costa em canal segregado.

CONTRA A EVENTUAL DESTRUIÇÃO DOS SEPARADORES CENTRAIS DA AVENIDA 

A compatibilização dum canal segregado para o metrobus com as atuais duas faixas rodoviárias em cada sentido na Avenida Gomes da Costa não nos parece possível sem a destruição dos seus separadores centrais arrelvados e arborizados. Estes elementos icónicos da Avenida Gomes da Costa possuem um elevado valor ambiental e paisagístico, sendo identificados como Área Verde de Utilização Pública na Carta de Qualificação do Solo do PDM em vigor. Classificação que a proposta da Câmara Municipal do Porto para o novo PDM colocada a Discussão Pública em Outubro de 2020 altera, estranhamente, para Área de Edifícios de Tipo Moradia, o que nos parece um lapso provável ou uma classificação absurda. Na contribuição apresentada pela Campo Aberto, no âmbito da Discussão Pública, optámos por defender que seja mantida a classificação dos separadores centrais da Avenida Gomes da Costa como Área Verde na Carta de Qualificação do Solo do novo PDM.

Proposta essa que reiteramos, e que, se implementada, demonstraria que a CMP está realmente interessada em manter a integridade dos separadores centrais da Avenida Gomes da Costa, obviamente com as árvores neles existentes — mas também com o espaço que ocupam conservado tal como hoje a cidade o conhece. A preservação das áreas verdes urbanas é essencial para o bem-estar dos munícipes, em particular para a qualidade do ar, diminuição do ruído e mitigação dos riscos associados às alterações climáticas (tais como as inundações e ondas de calor).

NA EXPETATIVA DE UMA POSIÇÃO INEQUÍVOCA DA CMP 

Instamos ainda a CMP a que divulgue os estudos que justificam a construção da linha BRT Boavista-Império, pois é crucial perceber se há verdadeiro potencial de aumento significativo do uso de transporte público caso tal aconteça. O mesmo percurso já é realizado pelos STCP, sendo que o tempo de viagem que lhe está associado pode ser diminuído, por exemplo através da introdução de corredores BUS em certos troços, com um investimento muito mais reduzido e desprovido de tão grande impacto no património ambiental e urbanístico da cidade.

De qualquer modo, caso se venha a efetivar o lançamento, previsto para 21 de Maio, do concurso público para elaboração do projeto da linha BRT Boavista-Império, deve ser incluído no seu caderno de encargos a preservação integral dos separadores centrais arrelvados e arborizados da Avenida Gomes da Costa.

 

26 de abril 2021

 

Campo Aberto – associação de defesa do ambiente

 

 

01mai21

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