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EM QUASE DOIS ANOS DE “RETENÇÃO” PANDÉMICA…FORAM VÁRIOS OS DESAFIOS PARA AS COMUNIDADES ESCOLARES

Encontradas as estratégias para as aulas de Educação Física no ano letivo 2020/21, após o período de “quarentena” profilática, também sujeito a uma nova experiência, como foram as aulas de Educação Física online. No regresso às aulas presenciais para o arranque deste ano letivo (2020/21), a disciplina da Educação Física adaptou-se às condições exigidas para a prática desportiva dos alunos em meio escolar, como desportos coletivos permitidos, ainda que condicionados, através das medidas de segurança indispensáveis. Um desafio ao qual os vários elementos das comunidades escolares vinham correspondendo e se empenhando, desde logo docentes e discentes.

 

José Lopes

(texto e fotos)

 

Uma caminhada a par das aulas presenciais das restantes disciplinas, que acabou por ser interrompida com as medidas de estado de emergência a 22 de janeiro, para mais um exigente confinamento face aos preocupantes números de infetados por covid-19 que na altura batiam recordes. A Educação Física voltou então a recorrer às aulas de ginástica online, como uma alternativa prática para contrariar a falta de atividade física presencial e os riscos de obesidade inerentes ao confinamento e prolongadas horas fixas ao monitor do computador ou outros equipamentos eletrónicos. Alternativa online que voltou à “normalidade” possível, com o retorno às aulas presenciais em abril, acompanhadas pelas medidas de segurança estabelecidas no arranque deste ano letivo para esta disciplina curricular.

Sem alternativa continuou o Desporto Escolar e todas as suas consequências no âmbito dos alunos do ensino básico e secundário, que viram suspensos todos os calendários das várias modalidades com as suas fases de provas, de escola, distritais e nacional em que eram potenciais atletas participantes.

São quase dois anos de “retenção” pandémica do Desporto Escolar, que no ano letivo anterior ainda concretizou uma das provas rainha de atletismo, como é o Corta-Mato (dezembro/2019), que depois de serem apurados os representantes por escola de diferentes escalões (masculinos e femininos), viram ser suspensa a fase nacional, com a “quarentena” a prolongar-se até ao fim desse ano letivo. Uma das provas, que nas suas várias fases mais participantes envolve, e que neste novo ano letivo, acabaria por não se realizar, como todas as restantes provas das modalidades que habitualmente integram os calendários dos quadros competitivos do Desporto Escolar.

Estão definitivamente perdidos dois anos de participação de alunos nas provas dos Desporto Escolar em que, não raras vezes se descobrem promissores atletas, que também em alguns casos, é na Educação Física na Escola ou no Desporto Escolar, que se iniciam na prática desportiva das várias modalidades.

Com as continuadas restrições ao fomento, particularmente do Desporto Escolar, que se irá continuar a fazer sentir, inevitavelmente até ao fim deste ano letivo, aguarda-se que esta componente fundamental para a prática saudável do desporto, regresse independentemente das naturais e indispensáveis medidas de segurança.

Às comunidades escolares que tradicionalmente se envolvem empenhadamente em algumas das modalidades no âmbito dos quadros competitivos do Desporto Escolar, vão restando memórias exibidas em troféus e medalhas nas respetivas escolas.

No caso concreto da escola EB (2º ciclo) António Dias Simões, do Agrupamento de Escolas de Ovar, as memórias e recordações da participação de sucessivas gerações de alunos no Desporto Escolar, está bem patente na diversidade de modalidades e nos títulos conquistados coletivamente, uma vez que justamente as muitas centenas de troféus, medalhas e outras recordações de destaque individuais, acompanharão certamente os seus titulares pela vida fora, a par das suas habilitações e formação escolar e pessoal nos seus “baús” de recordações.

Troféus e medalhas ou os não menos importantes certificados de participação desportiva, que esta longa época de pandemia tem negado aos jovens em meio escolar. Tempos adiados que urge recuperar, assim o necessário desconfinamento em segurança garanta o regresso à festa, ao convívio, à competição saudável do Desporto Escolar.

Entre as memórias guardadas na vitrina de troféus desta escola, pode-se recuar quase a elementos do seu património, com referências ao Campeonato Distrital (atletismo) de 1971/72, em que foi conquistado um 1º lugar no escalão de infantis masculinos. Ainda nesta modalidade, surge, em 1973/74, o Corta-Mato Distrital de Escolas em Aveiro, também com um 1º lugar, infantis femininos. Títulos e recordações, como o Dia Mundial da Criança, em 1977, Convívio de Alunos da Escola Preparatória, que tinha então como patrono, o nome de Alexandre Sá Pinto (a atual Escola EB António Dias Simões) ou a participação na Taça Escolar Governo Civil de Aveiro (19/06/2001). Curiosos são igualmente os troféus que eram proporcionados por empresas da região, como as famosas e carismáticas marcas de motorizadas, Macal e Famel.

Estes são alguns dos exemplos que sobressaem dos inúmeros pódios e classificações, através de troféus ou medalhas, como resultado da participação e competição individual e coletiva, sempre em representação da cor verde das camisolas da Escola EBS nas mais variadas Fases de torneios, desde o Badminton, Futsal, Basquetebol, Corta-Mato e outras provas de Atletismo, ao 3×3 (basquetebol), recuando até à antiga variante Sunny 3×3.

Foram décadas, em certos casos, de decisivas experiências de prática desportiva, para atletas que posteriormente, ao longo do seu percurso escolar, cresceram de forma empenhada e dedicada, como amadores ou até profissionais, ligados em diferentes vertentes de algumas das modalidades desportivas.

DOIS ANOS DE PERDA IRREPARÁVEL…

O sentimento de perda irreparável, sendo certamente generalizado a tantas outras comunidades escolares, é ainda reforçado inevitavelmente pelos profissionais docentes que mais de perto convivem com esta realidade do Desporto Escolar também ao nível do ensino secundário neste mesmo Agrupamento de Escolas de Ovar, em que se reconhece, que, “quase dois anos, sem a prática regular da atividade extracurricular do desporto escolar, (…) se trata de uma perda irreparável”.

Perda irreparável, “porque para muitos alunos, estes, nunca tiveram a possibilidade de treinar/competir em determinados e específicos escalões etários (que seriam os seus, em determinado ano de escolaridade, correspondente ao seu ano de nascimento) e isso, jamais poderá ser remediado”, afirma um professor de educação física da escola Secundária José Macedo Fragateiro, que acrescenta ainda, “porque para alguns alunos, e em especial, para aqueles, que no ano passado, pertenciam ao 2.º ano no escalão de Juvenis, iriam ter a possibilidade (devido ao seu amadurecimento) de experimentarem novas competições/desafios, onde graças ao seu empenho no treino, puderam evoluir e assim justamente, iria chegar-lhes o momento, de poderem evidenciar todas as suas capacidades…

Só que, após a chegada desta pandemia ficaram definitivamente privados dessas oportunidades e porque não dizer mesmo, que para alguns deles (é verdade, que em menor número), ficaram dececionados, porque poderiam sonhar com a participação nas competições Nacionais (que são um verdadeiro Hino, à Festa que representa o Desporto Escolar)…E estes alunos, são aqueles, que neste ano letivo, estão de saída da Escola Liceal, após um percurso escolar de 12 anos, que culmina com a concretização do 12.ºAno”.

Mas, se até aqui se falou de competições, o docente chama ainda atenção que “o Desporto Escolar é muito mais do que competições…é primeiro que tudo, uma oportunidade para um crescer de forma equilibrada. São tantos e imensos os valores formativos, que a prática das atividades do Desporto Escolar proporcionam aos nossos alunos, (…) “experienciadas durante as sessões de treinos, através da convivialidade com os outros colegas, assistentes operacionais e professores e em que arrisco a acrescentar, que se tornaram autênticas histórias/lições vivas, contribuindo decisivamente para uma cidadania (que tanto hoje, se fala nas escolas) responsável”.

 

01mai21

 

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