Menu Fechar

Futuro da Via de Cintura Interna (VCI) alinha-se com menos veículos pesados e melhorias nas infraestruturas

Os três objetivos fundamentais para melhorar o funcionamento da Via de Cintura Interna (VCI) estão identificados: redução do número de veículos pesados, redução do número de acidentes com e sem vítimas, e melhoria dos níveis de serviço da infraestrutura viária. É deste entendimento comum que parte o desenvolvimento de um conjunto de medidas apresentadas pelo grupo de trabalho, constituído pelos municípios por onde passa a Via de Cintura Interna.

No cenário atual, assiste-se ao uso forçado da VCI para evitar o pagamento em pórticos. Mas o grupo de trabalho, que o Município do Porto lidera, quer inverter esta realidade aplicando medidas que procuram contrariar a utilização excessiva da via, permitindo uma circulação mais fluida do trânsito.

Foi com base nesta intenção que os membros do grupo de trabalho definiram três grandes áreas temáticas de atuação: gestão de portagens, melhorias da infraestrutura e gestão da infraestrutura. Mais tarde, deram origem a um conjunto de 27 medidas, que foram apresentadas ao secretário de Estado das Infraestruturas, Jorge Delgado, numa reunião recente, em que manifestou o seu agrado pelo trabalho desenvolvido.

Mas primeiro foi preciso perceber qual o atual estado da arte. Do diagnóstico mais recente, aponta o grupo de trabalho, constatou-se que 375 mil veículos ligeiros usam um troço da VCI, sendo que 75% destes veículos têm origem e destino no interior da CREP (Circular Regional Externa do Porto). A estas contas, somam-se 15 mil pesados que, diariamente, utilizam um troço da VCI, verificando-se, a este nível, que cerca de metade (52%) têm igualmente origem-destino no interior da CREP.

Avaliando estes dados, o grupo equacionou dois cenários. O primeiro contemplava a supressão de portagens na CREP, mas rapidamente se chegou à conclusão que teria um impacto pouco relevante na VCI, atendendo que a redução estimada na procura diária oscila apenas entre os 0,25% a 3%, ao passo que o impacto financeiro potencial é muito elevado, entre os 7 e os 56 milhões de euros por ano.

Por contraste, num segundo cenário em que foi equacionada a alteração da taxação das vias a norte do Douro, o grupo de trabalho concluiu que a diminuição do trânsito seria mais significativa, podendo atingir os 5 a 10% na procura diária. Já o impacto financeiro potencial é menor, variando a estimativa anual entre 1,2 e os 5 milhões de euros.

Depois de amplamente estudadas e debatidas, o grupo de trabalho considerou que as vantagens apresentadas pela segunda hipótese – a correspondente à alteração da taxação das vias a norte do Douro – é aquela que melhor persegue os objetivos comuns para a melhoria do funcionamento da VCI. Assim, foi a partir deste cenário que se desenvolveu um vasto pacote de medidas.

GESTÃO DE PORTAGENS

Na única medida relacionada com a gestão de portagens, foram definidas três ações principais. A primeira prende-se com a diminuição da taxa de um pórtico na A28, que passará dos 0,90€ para os 0,70€.

A segunda intervenção contempla a anulação de dois pórticos, nomeadamente os existentes na A4, entre a VRI – Via Regional Interior e a A3, no valor total de 0,45€. Da análise feita, “o grupo de trabalho foi de comum acordo que estes dois pórticos afetam negativamente o trânsito na VCI”.

Por último, a terceira ação passa pela integração de dois novos pórticos dissuasores/reguladores: um a criar na A28, a sul da interseção da A41, com taxa de 0,20€; e o outro pórtico a colocar entre a A4 (tramo nascente) e A3 (tramo sul) com taxa de 0,45€.

O objetivo é “potenciar o uso da A4 para ligações nascente-poente e equiparar em termos de taxação a ligação entre a A28 e a VCI para a Ponte da Arrábida pela rotunda da AEP, e a A28 e a VCI para a ponte do Freixo pela VRI”, esclarecem os especialistas.

MELHORIAS NA INFRAESTRUTURA

Já no que diz respeito às ações de melhoria na infraestrutura, o grupo de trabalho identificou 16. A maior parte está relacionada com o investimento em sinalização estática e dinâmica, que pode ser concretizado no curto-médio prazo, mais precisamente até ao final de 2022, estabelecem os municípios. Neste grupo existem ainda quatro medidas referentes a reformulação de nós, mas como vão implicar o desenvolvimento de projetos, enquadram-se nas medidas de médio-longo prazo (com execução prevista até ao final de 2026).

Quanto às medidas de gestão da infraestrutura, dez no total – que envolvem, por exemplo, a implementação de um sistema de monitorização por vídeo – implicam a criação de subgrupos de trabalho para serem desenvolvidas. O mesmo se aplica às medidas que relacionadas com pequenas obras de construção civil.

 

Texto: Isabel Moreira da Silva (Porto.) / Etc e Tal jornal

Imagem: Porto.

01mai21

Partilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.