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“Museu do Holocausto”, no Porto, foi recentemente inaugurado, é o primeiro do género da Península Ibérica, e tem entrada gratuita… até junho

O primeiro museu ibérico do género era para abrir a 27 de janeiro, Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, no entanto, com os museus fechados por causa da Covid-19, isso não aconteceu. Mas como a memória do genocídio se quer perpétua, passados mais de dois meses, o Museu do Holocausto do Porto foi inaugurado no pretérito dia 05 de abril. A entrada é gratuita até ao mês de junho.

É na Rua do Campo Alegre que se vai poder conhecer por dentro um dos acontecimentos mais importantes da História. A Comunidade Judaica do Porto, cujos pais, avós e familiares foram vítimas dos nazis na Segunda Guerra Mundial, reproduziu os dormitórios do campo de concentração de Auschwitz, uma sala com o nome das vítimas, um memorial da chama, mas também salas de cinema e de conferências e um centro de estudos.

Na inauguração, e retratando a forma como os prisioneiros chegavam aos campos de concentração, os visitantes foram recebidos com um concerto da Orquestra Clássica do Centro, ao som de peças relacionadas com a temática do Holocausto.

À imagem do Museu do Holocausto em Washington DC, nos Estados Unidos, os corredores do espaço procuram contar toda a história da perseguição, tortura e assassinato de mais de seis milhões de pessoas pela Alemanha de Adolf Hitler através de fotografias e ecrãs que exibem filmes reais sobre um acontecimento também conhecido por “Shoah” ou “Solução Final”.

Em 2013, a Comunidade Judaica do Porto partilhou com o Museu do Holocausto da capital norte-americana todos os arquivos referentes a refugiados que passaram pela cidade portuense de que dispunha. Estes arquivos, agora regressados à cidade, incluem documentos oficiais, testemunhos, cartas e centenas de fichas individuais. No museu que hoje abre portas estarão ainda expostos documentos e objetos, os Sifrei Torá (rolos da Torá), deixados pelos refugiados na Sinagoga do Porto durante a Segunda Guerra Mundial.

Nas palavras dos organizadores do espaço, o Museu do Holocausto do Porto apresenta “a vida judaica antes do Holocausto, o nazismo, a expansão nazi na Europa, os guetos, os refugiados, os campos de concentração, de trabalho e de extermínio, a Solução Final, as marchas da morte, a libertação, a população judaica no pós-guerra, a fundação do Estado de Israel, vencer ou morrer de fome, os justos entre as nações”.

Mas não só. O objetivo passa também pelo investimento no ensino, na formação profissional de educadores, bem como na promoção de exposições, com forte incidência na investigação. A 20 de setembro, por exemplo, tem lugar a primeira dessas ações de formação, dirigida aos professores e que vai contar com a presença de sobreviventes do Holocausto, assim como de representantes de outros museus do género pelo mundo.

“São esperados milhares de turistas no verão e cerca de 10 mil alunos de escolas ao longo do ano”, acredita Josef Lassmann, membro da Comunidade Judaica do Porto, citado em comunicado. Com entrada gratuita até junho, o Museu do Holocausto funcionará nos dias úteis entre as 14,30 e as 17,30 horas.

MUNICÍPIO DO PORTO ASSOCIA-SE AO PROJETO “NUNCA ESQUECER”

Relacionado com o mesmo tema, refira-se que a Câmara do Porto associa-se ao Programa Nacional em torno da Memória do Holocausto – Projeto Nunca Esquecer, lançado por ocasião dos 80 anos sobre o salvamento pelo Cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, de milhares de homens, mulheres e crianças, muitos deles judeus.

O Programa recorda e condena o terror e a destruição dos anos dramáticos da Segunda Guerra Mundial, o extermínio de milhões de judeus, incluindo mais de um milhão de crianças, e ainda a perseguição e morte de milhares de tantos outros considerados “indesejáveis” – entre eles, ciganos, cidadãos portadores de deficiência, homossexuais, intelectuais e opositores políticos.

É também objetivo deste programa ao qual o Município do Porto se associa, e que foi aprovado em resolução do Conselho de Ministros, evocar o sofrimento das vítimas, incluindo os cidadãos portugueses detidos em campos de trabalho forçado, em campos de concentração nazis e os que foram feitos prisioneiros de guerra, sem esquecer as vagas de refugiados que procuraram abrigo em Portugal durante a guerra, e a ação corajosa de salvadores portugueses.

 

Texto e foto: Porto. / Etc e Tal jornal

 

01mai21

 

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