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O futuro tem partido

Miguel Correia

 

Discutir ideologias políticas com quem se está nas tintas para ouvir opiniões contrárias é como explicar os Lusíadas a uma máquina de pagamento automático num parque de estacionamento. Podemos estar ali, horas a fio, a dissertar sobre a importância do Adamastor que ela limitar-se-á a repetir “retire o cartão”, “retire o talão”, etc. Vem isto a propósito das próximas eleições autárquicas que trazem à população de Portugalinegrado pessoas com aspeto cuidado que pretendem governar. Quando digo que, pelo menos até ouvir as várias propostas dos candidatos, os eleitores não deveriam votar, sou bombardeado por uma série de frases feitas tão previsíveis como as declarações das máquinas automáticas. Num esforço literário – quase bíblico – poderia tentar apresentar argumentos para mudar consciências e, quem sabe, elucidar os poucos leitores que me seguem. Porém, lembro-me da carga de trabalho que Moisés teve lá para os lados do Mar Vermelho e, ainda hoje, muitos não lhe falam. Não coloco em causa a escolha política de cada um. Acredito que muitos partidos tentem, na medida do possível, dar um tratamento VIP aos seus candidatos. Mesmo que alguns elementos tenham integrado, ao longo do seu historial, listas de partidos diferentes! Seguindo a filosofia sueca das lojas do Ikea: “é normal mudar de ideias”…

A nossa incapacidade de ler nas entrelinhas dos diversos programas eleitorais tem ditado as escolhas na governação local. Muitos – que se orgulham de ter combatido a terrível ditadura – ainda continuam a votar na mesma força política para a Câmara Municipal, Junta Freguesia e Assembleia Municipal e mais boletins de voto houvesse para manter a coerência! Como eleitores devemos estar preparados para a invasão de folhetos, aventais, canetas e caixinhas de comprimidos que ai vem. T-shirts e chapéus já requerem maior destreza física: os orçamentos são curtos e não há que chegue para todos! Algumas forças políticas já divulgaram os candidatos às câmaras municipais das principais cidades. Outros vão negociando nomes e projetos enquanto se multiplicam em ações de rua para recolher assinaturas que validem as suas candidaturas. Em breve, os jardins estarão atafulhados com cartazes gigantes, slogans apelativos e caras sorridentes. Lojas e outros cubículos serão transformados em verdadeiras sedes de campanha cujo principal objetivo é entregar brindes! Nada contra esta parte considerável deste circo mediático. O que me assusta é descobrir que, mesmo ao lado do meu prédio, ultimam esforços para abrir uma sede de campanha comunista. A mancha vermelha centenária faz questão de mostrar alguma vitalidade e, mesmo com o objetivo de ficar com as sobras socialistas, vai-se arrastando por aqui. Sei que escrevi que devemos conhecer os princípios das diversas forças políticas, mas incluir neste lote o comunismo é um pensamento estúpido.

 

Foto: pesquisa Web

 

01mai21

 

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