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O Trabalho

Humberto Martins

 

As mudanças que surgem atualmente na área do Trabalho são muitas, complexas e perigosas, há estudiosos que já afirmam que o trabalho contratado com direitos tende a desaparecer. Perante afirmações deste calibre, é necessário alertar todos os movimentos sociais, incluindo partidos e sindicatos para agirem e impedir este retrocesso civilizacional, pois é disso que se trata. O capitalismo com o avanço tecnológico criou as chamadas plataformas de aplicativos e consequentemente o trabalho precário, exemplos: a Uber, a Cabify, a Glovo etc…

Não é a tecnologia que desemprega e produz empregos precários, são as relações sociais capitalistas que criam uma tecnologia para aumentar a produtividade e destruir a potência criativa do trabalho. Uma delas é a chamada “uberização”, essa veio para ficar e com tendência para devastar as leis do trabalho, a “uberização” não é, nem mais nem menos que trabalho intermitente, (só ganha se for chamado) mas não pensem que este flagelo, para já, está só nos prestadores de serviços e nas entregas, ela avança em todas as áreas da nossa sociedade, já há advogados e engenheiros conectados a aplicativos, só ganham um salário quando são solicitados.

Existem também advogados a conduzir veículos da Uber. Horários não existem, muitas vezes 12, 14 e 16 horas de serviço, dia e noite sem significado, todos os dias da semana. A frase: “O escravo se vende uma vez, o proletariado se vende a vida toda” está de volta e cada vez mais atual.

Para completar e formar um dueto “perfeito”, existe a Terceirização, outra praga que veio primeiro que a “uberização” para infernizar a vida dos trabalhadores. A Terceirização é a “modernização” esclavagista do empresariado. A Terceirização é quando uma empresa contrata outra empresa para fazer uma prestação de serviço na sua própria empresa, digamos por exemplo; uma determinada empresa precisa de serviços de limpeza, em vez dessa empresa contratar funcionários para fazer esse serviço, ela contrata uma empresa que vai lá limpar tudo, todos os dias. Não é de estranhar que os baixos salários impere.

O terceirizado tem dois patrões, isso dificulta a organização e a garantia de seus direitos, a terceirização veio para dividir e colonizar o mundo do trabalho, inclusive serviço público, tal como a “uberização”, a Terceirização está invadindo todas as atividades laborais, anos de luta estão a ser jogados fora, temos de dizer não à terceirização. A força do trabalho para os patrões são custos, como é possível designar assim os que produzem riqueza? Alguém tem de dizer a essa gente que esta contabilidade está equivocada!

O plano é tão maquiavélico é tão engenhoso, eles patronato nos querem impor e nos fazer entender que hoje em dia é uma sorte ter um emprego precário, a alternativa é a tragédia do desemprego e a miséria, a isso chama-se o privilégio da servidão, sim é um privilégio servir os outros por um mísero salário. Você está empregado?! Que sorte! Dê-se por feliz! O objetivo dos capitalistas é, e não tenham dúvidas, devastar os direitos dos trabalhadores. No Reino Unido já existe o contrato zero horas, o trabalhador vai trabalhar quatro a cinco horas num máximo de vinte horas por semana e recebe e desconta sobre esse valor.

Agora, pergunto: Como vai ser a reforma dessa pessoa na segurança social? Já não há acordos nas negociações entre patronato e sindicatos, as cedências acabaram. O desigualmente combinado é o lema, decorem bem este chavão, “O desigualmente combinado” estará em tudo que é sítio! Já estão a imaginar para que lado será a desigualdade!

 

Cartoon: pesquisa Web

 

01mai21

 

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