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Quartel de S. Brás está ao abandono desde 1993! Espaço já foi para ser um pouco de tudo, e de tudo foi… nada! A quem se deve o (vergonhoso!) estado em que se encontra?

A Rua de S. Brás fica, praticamente, no centro do Porto, ou, melhor dizendo, a poucas centenas de metros da Praça do Marquês de Pombal. É nessa rua e a fazer esquina com a Rua de João Pedro Ribeiro, que salta à vista algo que, muitos moradores e comerciantes da área, consideram “vergonhoso”, ou seja o Quartel de S. Brás. O Quartel, em si, não é vergonhoso. Vergonhoso é, isso sim, o estado em que ele se encontra: ruínas!

 

José Gonçalves          Carlos Amaro

(texto)                             (fotos)

 

Se se trata de um Quartel, facilmente deduz-se que tenha uma ligação, quanto mais não seja indireta, ao Exército, uma instituição de respeito e que normalmente preserva o seu património. Referimos “normalmente”, pois isso nem sempre é uma realidade; não a é com este Quartel de S. Brás, como com o da Manutenção Militar, também na cidade do Porto, e que a Câmara Municipal foi obrigada a mandar selar, já que era um centro privilegiado para venda e consumo de drogas, devido ao estado de abandono a que foi votado.

Antes de abordarmos, sucintamente, a importância deste edifício e do seu contributo para a história da cidade, deixámos, desde já, o registo das imagens que provam o estado em que o referido Quartel de S. Brás se encontrava a 15 de abril de 2021, isto depois de ter sido desativado em… 1993. Era, então, Casa de Reclusão.

Refira-se, entretanto, que este quartel é, como não podia deixar de ser, Património do Estado. Pergunta-se: alguém desejaria ter uma “coisa destas” na zona central da sua cidade?

“Laxismo”, “negligência”… muitos poderão ser os adjetivos a atribuir aos “responsáveis” que deixaram chegar este Quartel ao estado que as imagens documentam. Mas, afinal, que importância tem o Quartel de S. Brás na história da cidade? Mais e melhor ainda: quantos projetos e processos ele teve para não cair na situação em que se encontra?

A zona de S. Brás foi um dos pontos-chave da defesa do Porto, pelos liberais, na guerra contra os absolutistas (1832-33) e onde havia uma antiga fortaleza; fortaleza essa que viria a transformar-se em quartel, neste quartel. Quartel que serviu de sede para telegrafistas, e, em 1963, passou a Casa de Reclusão da 1.ª Região Militar, e assim ficou até ser desativado, em 1993, pelo Estado-Maior do Exército.

PROJETOS PARA O LOCAL DERAM EM… NADA!

Daí (1993) para cá nada se fez em prol da preservação do Quartel de São Brás, ainda que o mesmo tenha sido “cobiçado” por diversas empresas, entidades e instituições, mas sem qualquer tipo de resultados práticos. De salientar, entretanto, que a única coisa útil efetuada neste espaço foi o facto de ter albergado, temporariamente, o valioso espólio do Museu de Etnografia do Porto, proveniente do Palácio de São João Novo.

Em 1997, o, então, presidente da Câmara Municipal do Porto, Fernando Gomes, em conversações com o Ministério da Defesa, terá demonstrado interesse em a autarquia adquirir o edifício, mas nada foi avançado nesse sentido, até que, em 2001, a Câmara Municipal volta à carga pedindo somente autorização para a utilização do espaço… mas, nem isso foi avante.

Também em 2001, a Escola Carolina Michaëlis sugeriu que, no Quartel de S. Brás, fosse instalado um Conservatório de Música. Nem o Conservatório, nem a Música, acabariam por chegar ao local.

Mais recentemente, que é como quem diz: nos últimos oito anos, autarcas (incluindo vereados municipais) sugeriram que o espaço, já em pré-ruína, fosse destinado a atividades culturais realizadas por associações ou agências culturais. Nada!

Em 2015, Rui Moreira, na qualidade de presidente da Câmara Municipal do Porto, propôs que a autarquia tomasse posse do quartel, tentando negociar uma permuta com o Ministério da Defesa (por imóveis da autarquia). Resultado: nada!

Surgiu, pouco tempo depois, um projeto da Casa de Saúde de Santa Maria para a instalação naquele espaço da sua Escola Superior de Saúde. Este projeto tinha como “padrinho” (veja-se) o Ministério das Finanças e a aprovação da Câmara Municipal.

E tudo acabou por ficar em… nada!

Aparece, então, a notícia que o Ministério da Defesa iria vender o Quartel de S. Brás em hasta pública por 3,9 milhões de euros. De nada se soube sobre esta ação.

Mas, as “coisas” não ficaram por aqui.

Em 2018, o Estado-Maior do Exército (repito: o Estado-Maior do Exército) pensou transferir para o Quartel de S. Brás o Museu Militar do Porto, que, ainda hoje, se encontra sediado no edifício da ex-PIDE-DGS, à Rua do Heroísmo.

Na altura, Frederico Rovisco Duarte, chefe do Estado-Maior do Exército referiu, à comunicação social, que a ideia da “transferência” do Museu Militar precisava de “maturação”, salientando que a “deslocalização” implicaria “um “grande investimento” e obrigava “à mobilização de muitas entidades, sendo um processo demorado”. Nota-se!

A VERDADE DOS FACTOS…

Ora, como é que estão as coisas, hoje?

É só ver senhores, é só ver…

Quantos mais projetos estão na calha para o Quartel de S. Brás, isto quando o seu vizinho do Monte Pedral já tem projeto aprovado e cujo espaço será destinado a múltiplas funções e utilidades, desde a habitação, comércio e residência universitária, etc. e tal…?

 

01mai21

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1 Comment

  1. Maria Ermelinda Gonçalves José Cerdeira

    É incrível que quem de direito tenha permitido que este edifício tenha chegado ao estado de degradação em que se encontra!!! e não tenha tomado nenhuma providência para o evitar? Parece que há interesse que certas coisas cheguem a quanto pior melhor e os desgraçados dos contribuintes tem que continuar a suportar todos estes desmandos e incompetências…..sem qualquer penalização!!

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