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Vasco Gonçalves – A Obra e o Homem

Não sou um conhecedor profundo do Vasco Gonçalves já que, com ele pouco ou nada privei, mas o facto de ser militar e de ter sido um capitão de Abril, ainda por cima crismado de ‘Gonçalvista’, permite-me ser um razoável conhecedor daquela que foi também a sua circunstância de militar e de ‘Capitão de Abril’, e é dessas duas circunstâncias que vou procurar falar-vos.

Assim dir-vos-ia que Vasco dos Santos Gonçalves nasceu em Lisboa em 1921. Inicia a sua carreira militar em 1946. Fez a sua primeira Comissão na Índia de 1955 a 57. Fez a Guerra Colonial em Moçambique de 1965 a 67 como Comandante Interino do Agrupamento de Engenharia de Moçambique e em Angola de 1970 a 72 como Comandante do Agrupamento de Engenharia de Angola e é aqui que é promovido a Coronel em 13 de Agosto de 1971. Finda a comissão regressa a Lisboa e é colocado na direcção da Arma de Engenharia. Como Coronel, viria a ser o militar mais graduado a integrar o Movimento dos Capitães. Fez parte da Comissão Coordenadora do Programa do MFA.

Comecemos então por falar um pouco do que foi ser militar durante a Guerra Colonial, tanto mais que Direita e Extrema-direita política, mediática e militar trouxeram muito recentemente o assunto para debate público a propósito da morte de Marcelino da Mata.

Spínola no seu livro “Portugal e o Futuro” afirma que “pretender ganhar uma guerra subversiva através de uma solução militar é aceitar de antemão a derrota a menos que se possuam ilimitadas capacidades para prolongar indefinidamente a guerra, fazendo dela uma instituição” e acrescenta numa outra passagem “se não podemos aceitar a ideia que seja em vão tanto sacrifício, tão pouco podemos admitir que hoje se morra para que amanhã continue a morrer-se”.

Vamos ver então, quanto, em sangue, custou aos portugueses este sacrifício que durou 13 anos, e que os políticos não quiseram resolver.

Em Angola tivemos 3.251 mortos, em Moçambique 2.968 e na Guiné 2.070. Resumindo um total de cerca de 8.300 mortos. Feridos graves foram 15.500.

Mas, em termos de números não me quero ficar por aqui. Spínola retira do Programa do MFA a ‘Descolonização’ substituindo-a pelo ‘lançamento dos fundamentos de uma política ultramarina que conduza à paz’. Vamos ver o resultado que, pelo menos como militar, tinha obrigação de saber que iria causar: Mortos em combate do Exército em 1974 até ao 25 de Abril; em Angola 29, em Moçambique 45 e na Guiné 68. Mortos em combate do Exército em 1974 depois do 25 de Abril; em Angola 67 (antes tinham sido 29), em Moçambique 72 (antes tinham sido 45) e na Guiné 9 (antes tinham sido 68). Porquê esta diferença na Guiné? Porque o MFA na Guiné estava preparado para tomar o poder em Bissau, caso falhasse o Golpe de Estado em Portugal. O General Bettencourt Rodrigues, Comandante-Chefe da Guiné não declara o seu apoio ao MFA e à Junta de Salvação Nacional, o que leva os capitães a confrontarem-se com ele e a exigirem-lhe a demissão e o seu regresso a Lisboa.

Tenho também aqui mais um número “engraçado”, que de engraçado nada tem; se quisermos estabelecer uma comparação com a Guerra do Vietnam – e isto é proporcional à população portuguesa e americana – nós empenhamos nove vezes mais efectivos que os americanos e tivemos 5 vezes mais baixas do que as que eles registaram no Vietnam. Quando vemos nos filmes americanos o horror que foi o Vietnam a verdade é que nós passamos por todos esses horrores e pagamos um preço 5 vezes superior ao deles. O nosso ‘filme’ só foi ‘corrido em velocidade mais reduzida’. Demorou 13 anos e não 8.

No entanto, não foi apenas a direita a pronunciar-se sobre a Guerra Colonial. Também alguma esquerda veio colocar a questão dos “crimes de guerra” radicalizando uma discussão, que tendo razão de existir, acaba por passar ao lado do fundamental que é a discussão da própria guerra em si, da forma como a fizemos e da maneira como o Povo Português a viveu e onde a generalização da prática de crimes de guerra, a todos os ex-combatentes, apenas por nela terem participado é mesmo uma ideia que não cabe na cabeça de ninguém, ou talvez mais correctamente, não devia caber na cabeça de ninguém, mas a verdade é que cabe.

Não posso terminar sem repetir o apelo do Vasco Lourenço, porque também é meu: “A todos, governantes ou não, o nosso apelo: Não endeusem os ex-combatentes, não os glorifiquem ou não os refiram apologeticamente, mas Respeitem-nos!”

Deixemos em paz, a nossa Guerra Colonial e falemos um pouco do apoio que a Região Militar Norte deu a Vasco Gonçalves durante o chamado PREC.

É facto assente que a conspiração contra o 25 de Abril tem início em 26 de Abril de 1974; não quero começar tão cedo mas começo em Junho de 1974 com aquele que ficou conhecido como o “Golpe Palma Carlos”.

Em princípios de Julho de 1974 Spínola convoca para Lisboa uma reunião a que vão assistir o Coronel Corvacho, Chefe do Estado-Maior da RMN, o Major Nogueira de Albuquerque, o Capitão Afonso Gonçalves e eu. Iniciada a reunião Spínola dá a palavra a Sá Carneiro que durante bastante tempo fala sobre a necessidade da realização em Outubro de 1974 das eleições presidenciais e, simultaneamente, de um referendo a uma Constituição Provisória. Ainda refere que as presidenciais ocorreriam, antes das eleições constituintes, relegando estas últimas para finais de 1976. Esta é, portanto, a estratégia de Spínola e da direita portuguesa, e não da esquerda como às vezes se procura fazer crer.

Depois de ter falado, Sá Carneiro abandona a sala e Spínola pergunta pelo Brigadeiro Esmeriz, comandante da RMN. É informado que o Brigadeiro Esmeriz está no Porto. Manda um avião buscá-lo, interrompe a reunião, e os 4 oficiais acima referidos vão esperá-lo ao aeroporto. Almoçamos no café Martinho e colocamos o Brigadeiro Esmeriz a par daquilo que Spínola pretende dele. A reunião continua durante a tarde e Spínola ao ver-se derrotado acaba por a abandonar. Palma Carlos demite-se a 9 de Julho alegando não poder governar no clima de indefinição vigente. Com ele solidariza-se Sá Carneiro.

A título de curiosidade – nunca vi isto referido em lado nenhum, e neste momento seremos apenas três os que o terão vivido – é Vasco Lourenço quem vai pedir a estes 4 oficiais o apoio do Norte à nomeação como 1º ministro de Vasco Gonçalves; informamos Vasco Lourenço que nenhum de nós o conhecia, mas que se ele, Vasco Lourenço, entende que deve ser Vasco Gonçalves o futuro 1º ministro, tem todo o nosso apoio para o propor. Vasco Gonçalves toma posse como 1º ministro do 2º Governo Provisório em 18 de Julho de 1974.

Depois do 28 de Setembro, cai o II Governo Provisório e Costa Gomes ascende à Presidência da República. É nomeado o III Governo Provisório e Vasco Gonçalves é novamente nomeado primeiro-ministro. Começa então o período da institucionalização do MFA. Em 31 de Janeiro de 1975, Ranito (homem que denunciou o ELP) contacta um oficial seu conhecido e ambos, já de noite, dirigem-se ao Quartel-General da RMN, e informam o Oficial de Permanência, capitão David Martelo, sobre a existência de uma organização clandestina, o ELP, e sobre as finalidades que ela se propunha atingir.

Em 17 de Fevereiro de 1975 a RMN fica a saber, através do Ranito, da existência de um plano spinolista para desencadear um golpe militar. Fica a saber também que está iminente o desencadeamento do golpe, notícias que são confirmadas em 22 de Fevereiro.

Em 25 ou 26 de Fevereiro o coronel Corvacho e o major Albuquerque deslocam-se a Lisboa, à Secção de Apoio da 2ª Divisão do EMGFA, para dar conhecimento destas informações. Sou testemunha presencial, embora acidental, desta reunião onde me recordo de ver os almirantes Rosa Coutinho, Pinheiro de Azevedo e Vasco Lourenço, entre outros elementos do Conselho dos 20.

O golpe spinolista é desencadeado a 11 de Março sobre o Ralis, exactamente como havia sido descrito pelo Ranito e transmitido pelo Coronel Corvacho a todos os elementos que estiveram presentes nessa reunião.

O ELP, conhecia as intenções dos spinolistas, com quem tinha contactos, como Alpoim Calvão vem a admitir, ao afirmar que ‘o ELP se propunha finalidades e formas de actuação com que não concordávamos. Só nos unia o anticomunismo, factor importante, mas não suficiente.’

No dia 11 de Março, Lisboa dá ordem para que os elementos do ELP já referenciados sejam detidos.

No final do mês de Março o Chefe do Estado Maior da Região Militar Norte, Coronel Corvacho, na presença do Comandante da Região Brigadeiro Esmeriz, apresenta aos jornais, rádios e televisão o resultado das investigações, das quais tinham resultado diversas prisões. Eram objectivos do ELP “libertar Portugal do marxismo através do uso do assassínio político, do terrorismo dirigido, da sabotagem e da guerra psicológica”.

Passados 4 meses Corvacho pagou um ‘alto preço’ por este acto de coragem.

Depois do 11 de Março, cai o III Governo Provisório. Em 26 de Março de 1975 é nomeado o IV Governo Provisório e Vasco Gonçalves é novamente nomeado primeiro-ministro.

Abril é um mês calmo, mas em 05 de Maio de 1975 é formalmente constituído o MDLP. A 26 de Maio é atacada a sede do MDP em Bragança onde foram deixadas inscrições do ELP. De Junho a Agosto sucedem-se as violências, os incêndios, as destruições, as bombas e as mortes no Norte, resultado de o Porto ter sido o escolhido para ‘santuário’ da direita e da extrema-direita para o ataque à ‘Comuna de Lisboa’.

O ‘Documento dos Nove’ sai em 07 de Agosto de 1975, mas, e passo a citar Melo Antunes: “Os Nove já tinham procedido à substituição das chefias das Regiões Militares por homens da sua confiança. Os fins justificavam os meios.”

Mas não foi apenas isto o que fizeram. Dentro do tal princípio de que ‘Os fins justificam os meios’, encarregam Sousa e Castro de, no Norte, conseguir a ‘revolta’ das Unidades contra o Corvacho que encaram como apoiante indefectível de Vasco Gonçalves. Sousa e Castro chega a pedir a um camarada a eliminação física do Corvacho.

Em 31 de Julho as várias Unidades da Região Militar Norte pedem ao Corvacho a realização de uma reunião, que ele faz e em que é violentamente contestado.

Passado algum tempo os Comandantes de quase todas as Unidades da Região insubordinam-se e colocam-se às ordens do Comandante da Região Militar Centro, brigadeiro Charais, também ele um dos Nove.

O IV Governo Provisório cai a 08 de Agosto de 1975. É nomeado o V Governo Provisório e Vasco Gonçalves é novamente nomeado primeiro-ministro.

No princípio de Setembro Corvacho pede a demissão.

Não posso deixar de citar o que dele diz, no Jornal de Notícias o jornalista José Saraiva, militante do PS: “…. Corvacho não pertence a nenhuma linha política, mas é incómodo para a direita. O PS entrou na jogada, apesar de não ser essa a vontade de muitos dos seus militantes (e até dirigentes, especialmente nortenhos …)”. Acrescento que vi, com alguma frequência, alguns desses dirigentes no Quartel General da Região Militar Norte.

É minha convicção profunda que para os militares, mais grave do que ser comunista era não ser anticomunista e todos os crismados de ‘Gonçalvistas’, no mínimo, dessa ‘maleita’ sofriam. Estou convicto que a maioria era mesmo a única ‘maleita’ de que sofriam.

Pires Veloso chega ao Porto a 12 de Setembro.

Como diz o Jorge Sarabando “o 25 de Novembro a Norte, aconteceu em Setembro”.

O V Governo Provisório cai a 19 de Setembro de 1975. É nomeado o VI Governo Provisório e Pinheiro de Azevedo é o primeiro-ministro. O coronel Pinto Soares, para mim, um dos mais proeminentes entre os crismados de ‘Gonçalvistas’ em entrevista publicada teria o seguinte desabafo:

“A propósito de Vasco Gonçalves gostaria de dizer o seguinte: além da competência e sentido patriótico da sua acção, não esqueçamos a sua lealdade, a sua honradez, a sua preocupação de Unidade política.

Raramente os seus governos tomaram decisões antes de as medidas em causa serem debatidas na Comissão Coordenadora, no Conselho de Estado ou, mais tarde no Conselho da Revolução.

A missão que lhe foi cometida era o cumprimento do Programa do MFA. Foi isso que fez. O resto é baixa política”.

Se a História estivesse bem contada, coisa que nunca se quis desde 26 de Abril, com a queda do V Governo Provisório, Vasco Gonçalves deixava de poder “assustar os dirigentes ocidentais com os seus discursos”, desabafo de Melo Antunes e os crismados de ‘Gonçalvistas’ sem comandante, não serviam para nada ao PCP. Bem vistas as coisas, em nenhuma altura serviram para nada, já que nunca vi que tivessem conseguido evitar, ainda que minimamente, aquele “Terrorismo Bom” que o general Azeredo refere no seu livro.

Só que, estranhamente, a perseguição a Vasco Gonçalves e aos crismados de ‘Gonçalvistas’ não termina aqui. Ouçamos novamente Melo Antunes: “A destruição da Rádio Renascença por um grupo de pára-quedistas ligado ao AMI e a saída dos 123 oficiais de Tancos foram acontecimentos considerados como as causas próximas do 25 de Novembro; não foram, porém, planeados pelo Grupo dos Nove.”

Refere ainda que o “AMI – Agrupamento Militar de Intervenção, – entretanto constituído para apoiar as forças moderadas, recebe a missão de fazer explodir o emissor, da Rádio Renascença, cujas instalações em Lisboa continuavam ocupadas por trabalhadores afectos a posições da extrema-esquerda.”

Depois desta afirmação de Melo Antunes, penso legítima a pergunta que fiz a mim mesmo: bom, se não foi o Grupo dos Nove quem planeou e desencadeou o 25 de Novembro então que Grupo terá sido? O meu camarada e amigo Albano Pinela, do meu curso de Infantaria e na altura capitão paraquedista, esclareceu algumas das minhas dúvidas e esclarecerá com certeza algumas das que acabei de criar.

De forma muito abreviada vou tentar explicar o que me disse:

Os sargentos paraquedistas obtêm do Chefe de Estado Maior da Força Aérea, General Morais e Silva a garantia de não serem utilizados em operações de carácter controverso. Passados poucos dias uma companhia de Paraquedistas e uma unidade de explosivos da PSP destruíram com explosivos a Rádio Renascença. O Chefe de Estado Maior da Força Aérea vai a Tancos explicar aos sargentos as razões dessa decisão. Os sargentos decidem não comparecer à reunião.

Os oficiais paraquedistas consideram que se trata de um acto de grande indisciplina, abandonam a Unidade e vão apresentar-se no Estado-Maior da Força Aérea. Aí é decidido extinguir a Unidade, situação em tudo idêntica aquela que Pires Veloso tinha executado com êxito no CICAP.

Estes oficiais iriam para a Base de Cortegaça onde já se encontravam os 500 paraquedistas do Coronel Almendra que tinham regressado de Angola, numa acção concertada com o nome de código “Operação Vermelho 8”. Penso que é esta Operação que leva Pires Veloso a afirmar ter sido ele a fazer o 25 de Novembro e não Ramalho Eanes.

Como oficial que sou, não tenho dúvida em afirmar que oficiais que abandonam a sua Unidade, seja porque motivo fôr, não são oficiais que devam ser respeitados.

Para responder à dúvida que vos criei e que já deixou de ser há muito tempo a minha, vamos então buscar a resposta ao próprio Melo Antunes.

Diz ele e cito: “Os elementos militares escondiam no fundo uma operação política de enorme envergadura, que era o aniquilamento do 25 de Abril”.

E confessa, cito novamente: “Não podíamos era evitar que viesse uma onda favorável à disciplina militar. Daí uma vertiginosa recuperação da direita militar depois do 25 de Novembro.”  Em Janeiro de 76, o novo comandante da Polícia Militar fez erguer na parada uma estátua de Carmona, houve o regresso dos militares ligados ao ELP, a autorização do regresso de Américo Tomás, a prisão de Otelo e a liquidação em termos militares de Vasco Lourenço. Em finais de 76, o Chefe de Estado-Maior é proibido de participar nas assembleias do MFA. Oficiais que contribuíram para a estabilização política começam a ser marginalizados.  “Todos os oficiais do Grupo dos Nove foram ostracizados e essa foi a maior responsabilidade de Eanes.”

 

Continuemos a citá-lo:

“É evidente que Vasco Gonçalves já não tinha lugar nas FA portuguesas, como sucedia com Carlos Fabião, à semelhança de todos os oficiais mais próximos do MFA que se tinham deixado instrumentalizar pelas forças com as quais estávamos em oposição: o PCP e a extrema-esquerda. O PCP foi tão longe como foi porque não foi capaz de resistir ao delírio revolucionário de certos militares.” e ainda, para concluir as citações de Melo Antunes: “Uma das críticas maiores que faço ao PS e a Mário Soares é que em nome de uma certa ideia da esquerda pactuaram com tudo isso. Aliaram-se ao que de pior havia nas FA; já se tinham aliado a Spínola e voltaram a fazê-lo. Os spinolistas integram a casa militar do Presidente da República. A culpa não é só do Eanes, mas também do PS.”

Como seria de esperar e conforme se encontrava planeado, os “militares delirantes” a que o PCP não foi capaz de resistir (embora tenha resistido à PIDE) todos participantes no 25 de Abril, tiveram ‘hotéis pagos em Custóias e Caxias’ durante 2 meses e meio ou mais, com acusações administrativas posteriormente apreciadas em Conselho Superior de Disciplina e mesmo os poucos que não estiveram presos, foram perseguidos administrativamente até ao final das suas carreiras.

Para acabar de cumprir o planeamento, no início de 1976, o Conselho da Revolução por decreto do CEME – General Ramalho Eanes – passa compulsivamente à Reforma Vasco Gonçalves, e suprema ironia, no texto do decreto consta que o motivo da decisão é ‘por não assegurar o Espírito do 25 de Abril’.

Só alguém muito ingénuo ou muito distraído não perceberia que era precisamente ‘o Espírito do 25 de Abril’ que era preciso liquidar, ainda que muito falaciosamente se tenha dito que quem o tinha, e tudo tenha arriscado para o levar a cabo, não o assegurava.

Sem dúvida nenhuma, Alberto Seixas Santos estava coberto de razão quando afirmava, ““Há uma hábil intenção de apagar os factos, de reduzir a complexidade a um único acontecimento. Farão do 25 de Novembro um feriado celebrando a vitoriosa defesa da Revolução. Sim, misturaram os dados de tal maneira que uma coisa facilmente passa por outra – os culpados por vítimas, as palavras por factos, a propaganda pela realidade”, mas também penso e em jeito de conclusão, ter sido ele a ‘Voz dos Nove’ que conseguiu evitar que tivessem sido usadas as ‘Chaves do Campo Pequeno’, nas palavras de Francisco Seixas da Costa referindo-se à infeliz frase do Otelo, ou talvez mais propriamente, que o “Chile tivesse chegado a Portugal” nas minhas palavras.

 

Castro Carneiro, coronel

 

01mai21

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1 Comment

  1. Abel Tavares

    A narrativa feita pelo meu amigo e camarada do Exército Telo Carneiro, Coronel Reformado, é de uma clareza e de uma exatidão inquestionáveis.
    Tudo o que li, encaixa, como uma luva, na narrativa histórica do que realmente se passou.
    Não retiraria nem acrescentaria uma vírgula. Eu fui acompanhando tudo isto na fita do tempo recorrendo a fontes e informações as mais diversas, por vezes bem contraditórias. Como militar de Abril tinha a vantagem extra de perceber como se provocavam ações e situações aparentemente num sentido, para, pelo princípio de ação e reação, obter o efeito contrário.
    É uma técnica muito « ciática » de demonizacão progressiva e de contra-informação.
    É assim que heróis viram vilões , vilões viram heróis, pseudo golpes de esquerda induzem e favorecem o seu contrário e vice versa.
    Invocam-se fantasmas e temores ancestrais, estabelecem-se falsos paralelismos e conotações, para provocar a mudança de cenários e actores.
    Tudo passa a valer para conseguir os fins em vista e reverter a situação criada se for achada lesiva ou inconveniente.
    Assim se fazia, se faz e se fará, cada vez de forma mais sofisticada.
    Caro camarada e amigo. Como gostei de ler, o que escreveste para a efeméride comemorado! Parecia que estava a assistir ao filme dos meus pensamentos em arquivo.
    Bem hajas.
    Abel Tavares
    Capitaine Fragata Eng° n’a Reforma

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