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A Quarta Revolução Industrial

Humberto Martins

 

Muitos trabalhadores ainda acreditam que a digitalização total nas empresas, veio para criar mais postos de trabalho, para empregar mais gente! Puro engano! A realidade não é essa! Poderá sim gerar meia dúzia de novos empregos, mas de topo, para esses lugares irão jovens recém-licenciados em informática, mas na base, irá isso sim, destruir centenas ou milhares de empregos, porque esses deixarão de ser necessários. O avanço tecnológico a isso obriga, a produção aumentará substantivamente. Hoje o antigo proletariado de transformação está substituído pelo proletariado de serviços.

A “internetização” das coisas significa que tudo que se puder digitalizar, robotizar e informalizar será feito, ao fazer isso vai haver uma redução brutal de empregos, porque o objetivo principal da indústria 4.0 é aumentar a produtividade e reduzir os custos, e o custo, que custa mais digamos assim, (“para eles”) é a força do trabalho humano (os empregados). A revolução industrial veio para suprimir os empregos e a “uberização” veio para suprimir os direitos.

A terceirização é uma criação da 4.ª revolução industrial, mas ela é o retorno da escravidão, antigamente, a uns séculos atrás, o proprietário de terras comprava o escravo, o capitalista do nosso tempo aluga o trabalhador, e a terceirização é isso, aluguer de trabalhadores. Os trabalhadores são alugados e desalugados a bel-prazer. Os trabalhadores têm trabalho, recebem, os trabalhadores não têm trabalho não recebem. A terceirização tem três elementos que são vitais para o capital, primeiro reduz custos, segundo aumenta os lucros e terceiro ela fratura a classe trabalhadora entre terceirizado e não terceirizado, direitos do trabalho ganhos com anos de luta estão a ser jogados fora.  Ela também afeta a dimensão de género, pois maltrata duramente as mulheres. A Humanização do trabalho tem de ser divulgada com mais intensidade, o capitalismo não pode derreter tudo que se conquistou no passado.

O trabalho é um valor, tem de ser preservada a sua dignidade e sendo  um trabalho que gera valor e tem dignidade, ele tem que ter direitos e não é legítimo tirar direitos, é preciso honrar o trabalho. O trabalhador tem que ter o mesmo salário quer seja homem ou mulher, tem de ter jornada de oito horas, tem de ter descanso semanal, tem de ter férias etc…, caso contrário é uma selva. A Humanidade não pode aceitar uma barbaridade destas, uma sociedade que não pode garantir o futuro imediato dos jovens, é uma sociedade perdida. É preciso um sentido humano para o trabalho, estamos a viver uma realidade onde tudo está fora de ordem. O trabalho que estrutura o capital, ele desestrutura a humanidade, todos temos de perceber este paradigma e lutar contra ele.

O capitalismo tem autonomia própria, ninguém controla o capitalismo, ele opera através do nosso egoísmo nessa nossa vontade de vencer, nessa nossa vontade de comprar. Um dos nossos ouvidos ouve constantemente, compra, compra, compra o outro ouvido também ouve o paga, paga, paga. Nós não temos que vencer nada, nós temos de convencer que somos um ser humano capaz de viver neste mundo, porque na hora que este mundo entender que nós estamos a fazer muito mal para ele! Ele nos vai exterminar, ele vai se renovar e arranjar outra espécie para continuar a vida neste planeta, não tenham dúvidas disso. Termino com esta frase de um famoso filósofo que tem todo o sentido: “Quando o último rio secar, a última árvore for cortada e o último peixe for pescado, vocês entenderão que o dinheiro não se come.”

 

Foto: pesquisa Web

 

01jun21 

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