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Caros membros da banda “The Black Mamba”…

Ricardo Guerra

 

No sábado de 22 de maio, foi com imenso entusiasmo que a Europa ligou a televisãoo, aguardando um serão que pressagiava ser intenso e inovador. Após duas vibrantes semifinais, a expectativa e a emoção fervilhavam nos corações de um continente inteiro (mais a Austrália), que apostava as suas cartas e colocava todas as suas esperanças nos seus concorrentes preferidos. Em 2021, depois de um ano de interregno devido à pandemia, todos se encontravam expectantes pelo evento deste ano: o regresso do Festival da Eurovisão da Canção.

Os candidatos da 65.ª edição deste concurso fizeram jus ao lema da Eurovisão: diversidade e inclusão. De facto, todas as canções apresentadas eram bastante diversas e apelavam a muitos estilos e gostos distintos: desde o pop dançável, ao Rock N’ Roll, até ao folk futurista… E vocês, The Black Mamba, fizeram também a diferença. Não pela grandiosidade dos artifícios tecnológicos, nem pela presença exuberante em palco. Primaram, na verdade, pela vossa classe e excelência. Pela paz ponderada que carregavam, pela mensagem pura, sincera e honesta que transmitiram. Representaram Portugal tal como ele é, na melhor das maneiras. E, embora não tenham vencido, estão de parabéns!

Trajados nos vossos ecléticos fatos e cantando, pela primeira vez, uma música portuguesa inteiramente em inglês neste evento, trouxeram a magia clássica de outras eras à Eurovisão. De facto, a língua escolhida foi motivo de altas críticas e polémica. No entanto, vocês voaram mais alto e, no dia da final, todo o nosso país se encontrava rendido à vossa performance. Por todo o lado, nas redes sociais, transbordou a comoção, o orgulho e o arrepio na alma que apenas algumas canções proporcionam. Há músicas que, apesar de não vencerem, são imortalizadas no curso da História e a vossa terá lá um lugar garantido.

Não granjearam tanto reconhecimento do público estrangeiro como se desejava, é verdade. Apesar disso, obtiveram 126 pontos do júri internacional, 12 pontos da República Checa e um 12.º lugar de entre 26 países em competição. Apenas Salvador Sobral obteve uma melhor classificação nos últimos 25 anos! Com o vosso carisma e forma única de compor e cantar, moveram o mundo com a vossa história, tão simples mas tão comovente.

Esta letra retrata a vida de uma senhora que a banda conheceu em Amesterdão, durante uma tournée em 2018. Originária do Leste, ela emigrou para a Holanda, com muitas paixões e sonhos por realizar. No entanto, acabou por se deparar com problemas de toxicodependência que a levaram à prostituição. Ainda assim, ela continuava a acreditar na prevalência do amor, apesar de tudo o que já sofreu. Esta é uma mensagem muito inspiradora e é muito, muito nobre terem escrito esta canção, não só para eternizarem esta história de superação, mas também para que a senhora talvez a possa escutar e saber que, apesar de não terem nenhuma forma de a contactar, ela ficou para sempre nos vossos corações. Esta é uma canção escrita com verdade e sentimento e isso é o que mais importa.

O amor está do nosso lado. Acho que é essa a lição que esta edição da Eurovisão nos ensina. Em tempos de pandemia, a paixão que nos reúne em volta da televisão todos os anos, para assistir a um dos maiores espetáculos internacionais de todos os tempos, não se desvaneceu. De facto, permaneceu e tornou-se mais forte. E, apesar de todos os desafios que o setor da cultura tem encontrado nos últimos dois anos, esta noite provou que o amor está sempre do nosso lado e que os sonhos valem a pena. Sempre.

Cumprimentos,

Ricardo Guerra, um grande fã de 19 anos.

 

 

Foto: pesquisa Web

 

01jun21

 

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