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Rua de Sousa Viterbo

 

Esta rubrica dá a conhecer a toponímia portuense, através de interessantes artigos publicados em “O Primeiro de Janeiro”, na década de setenta do século passado, da autoria de…

 

Cunha e Freitas (*)

 

“No decorrer da quarta década do século XIII, o bispo D. Pedro Salvadores chamou á cidade do Porto os padres pregadores da Ordem de S. Domingos e doou-lhes para casa conventual «uma igreja acompanhada de umas moradas de casas, edificadas em quadro, a modo de claustro, com um pedaço de terra bem largo, que dava lugar para fazer oficinas e plantar hortas», tudo situado entre o rio da Vila e o mosteiro que andavam edificando os franciscanos.

A nascente desta quadra, desde a Ponte de S. Domingos, ao correr dos dormitórios dos frades, até à Ribeira, surgiu, se é que não existia já, uma rua muito estreita que talvez por isso mesmo se chamou «das Congostas». Menciona-a um prazo da Coroa de 1372. Em 1391 mandavam-se fazer aí duas estalagens «grandes e boas». Os dominicanos fomentaram a sua urbanização, aforando chãos junto á sua cerca, para se edificarem casas.

Em carta de 14 de Junho de 1524, dizia el-rei D. João III que os frades de S. Domingos «pela testada da sua horta que vai ao longo da Rua das Congostas» davam de foro chãos para se fazerem casas, e a Câmara queria que deles se lhe pagassem também pensões, por terem as casas portas para a rua; manda o o monarca que se não cobre tal foto «por ser mais enobrecimento da dita cidade a dita rua ser cheia de portas e casas».

O beneditino Pereira de Novais, na sua Anacrisis, mais de um século depois, chama-lhe «calle perfeitíssima aúnque estrecha», e informa-nos que nela se fazia então muito calçado. Era arruamento de sapateiros.

Em 1872 esta rua, tão celebrada nos romances de Camilo, foi condenada a desaparecer e no lugar dela surgiu a Rua Nova de S. Domingos, que depois se chamou do Dr. Sousa Viterbo, médico, poeta e sobretudo o grande benemérito investigador que tantos e tantos documentos carreou para a história da arte portuguesa – honra da cidade onde nasceu.

Da velha Rua das Congostas subsiste ainda uma recordação no Pátio de S. salvador, antiga viela do mesmo nome, com a sua capela, legítima sucessora do velhíssimo Hospital do salvador das Congostas, fundação do DR. Martim Domingues Barcelos, em data que o rodar dos séculos deixou esquecer.”

 

(*) Artigo publicado em “O Primeiro de Janeiro”, em 27 Março de 1973, na rubrica “Toponímia Portuense”.

 

Na próxima edição de “RUAS” DO PORTO destaque para a RUA DAS TAIPAS

 

 

Foto: pesquisa Web

 

01jun21

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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