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Arte xávega em exposição no Posto de Turismo do Furadouro

O olhar do fotógrafo Hugo Pais Ribeiro sobre a atividade da arte xávega na praia do Torrão do Lameiro (praia dos Marretas), em Ovar, que vinha sendo dinamizada pela companha “Pedro O Pescador”, propriedade de David Oliveira e sua esposa Carolina Tavares, que ali operavam há quase duas décadas. Ainda que deixe na sua exposição de fotografia no Posto de Turismo do Furadouro (até 15 de setembro de 2021), inquietações sobre a continuidade desta faina, nas suas sequenciais movimentações no mar e em terra, que exprime, “como se de uma peça de teatro se tratasse. Peça essa que se desenrola há 19 anos ininterruptos. Até quando será assim?”. Duvidas que são entretanto uma triste ironia, quando a mesma companha, que tem como Arrais, Manuel Maria, ali retratada, acabou por ficar em terra com o barco “Pedro O Pescador” a apodrecer, sem os necessários apoios do próprio Município de Ovar.

A exposição deste fotógrafo que nasceu em Oliveira de Azeméis, em 1996, e reside em Santa Maria da Feira, que decidiu tornar a sua relação com a fotografia séria no momento em que começou a estudar no Instituto Português de Fotografia, no Porto. Insere-se na área de fotografia documental, como uma das áreas que lhe permitem criar com a liberdade desejada.

Com tantas memórias ainda bem frescas da atividade da arte xávega ali mesmo na praia do Furadouro, em que a companha “O Jovem” não resistiu na sua tentativa de regresso a Ovar, restando o barco também em terra com destino incerto e à mercê do tempo, que, sem estruturas de apoio por parte da Câmara Municipal de Apoio aos pescadores, o apodrecimento das madeiras destas frágeis embarcações características da arte xávega e dos mares ao longo do litoral, é inevitável. Tal como veio a acontecer com “Pedro O Pescador”, do qual esta exposição deixa memórias sociais e humanas.

Esta exposição, mais do que documental, é um testemunho fielmente registado fotograficamente, em que a típica arte de pesca costeira, lamentavelmente morre em terra, numa inglória agonia, sufocada por promessas que não chegaram para a salvar, como a propagandeada candidatura da Arte Xávega a Património Cultural Imaterial, que deixou as comunidades piscatórias de Ovar na espectativa que se viria a perder também com o tempo e com a pouca sensibilidade para uma tal tradição nas praias do Torrão do Lameiro a Esmoriz, de que restam em Cortegaça, a companha do “Buçaquinho”.

Como refere Hugo Ribeiro, na descrição deste seu projeto fotográfico que tem o apoio do Município local, e cujas obras expostas no Posto de Turismo do Furadouro, são acompanhadas por alguns dos apetrechos da embarcação “Pedro O Pescador”, que não voltará a fazer-se ao mar na habitual hora da manhã bem cedo, em que, “quinze audazes homens se preparam para um dos últimos dias da condenada arte de pesca artesanal conhecida por Arte Xávega” como já antevia o autor da exposição sobre uma companha que resistia com a experiencia de várias gerações de pescadores desta terra entre o mar e a ria.

 

Texto e fotos: José Lopes

 

01jul21

 

 

 

 

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