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“Campus Paulo Cunha e Silva” oferece espaço à comunidade artística como centro de residências para artes performativas

Oferece, exatamente, 900m2. Na antiga Escola Básica José Gomes Ferreira, as salas de aula deram lugar a estúdios para criação ou ensaio, as salas de professores viraram quartos e até os antigos campos desportivos passam agora a servir a comunidade artística da cidade. O Campus Paulo Cunha e Silva é o novo centro de residências para as artes performativas e está de portas abertas.

O dia não foi escolhido ao acaso. A 9 de junho, Paulo Cunha e Silva celebraria o 59.º aniversário e, para o presidente da Câmara do Porto, a inauguração deste Campus, além de “uma celebração da dinâmica artística da nossa cidade, da sua afirmação, da sua vivacidade”, “é uma prova de que a identidade do Porto passa, incontornavelmente, pela cultura”.

Certo de que “este equipamento não poderia ter um outro nome que não este”, Rui Moreira lembrou o antigo crítico e curador de arte e vereador “pela sua enorme disponibilidade e pelo seu genuíno interesse em ouvir e sentir o pulsar do tecido artístico da cidade, pela sua capacidade ímpar para encontrar respostas e soluções, pela sua vontade inesgotável de querer saber e fazer sempre mais e melhor em prol da cultura, dos artistas e do Porto”.

Na plateia e pelos corredores do requalificado espaço, também a família e amigos do antigo vereador se juntaram à homenagem e à certeza de que, como afirmou Rui Moreira, “celebrar a cultura do Porto é, indiscutivelmente e inseparavelmente, celebrar Paulo Cunha e Silva”.

A transformação da antiga escola resulta de um investimento de quase um milhão de euros, a que se juntarão 90 mil euros destinados ao programa a desenvolver no Campus na primeira temporada (2021/22).

A necessidade de criação do Campus Paulo Cunha e Silva, lembrou o presidente da autarquia, veio da “escassez de espaços desta natureza, potenciando condições logísticas e financeiras nas fases de pesquisa e criação, preferencialmente para quem trabalha a partir da cidade, mas também para outros artistas do país e de outros pontos do globo que no Porto encontram território propício à criação artística”.

Aqui encontrarão espaço para ensaios, para a experimentação, e para a formação, num projeto pensado com a participação dos próprios artistas e companhias da cidade, “através de uma intensa e atenta auscultação e de um diálogo ativo”, sublinha Rui Moreira.

Com o papel de apresentar as características do novo Campus, o diretor artístico do departamento de Artes Performativas da empresa municipal Ágora, que dirige o espaço, Tiago Guedes, encontrou na localização um ponto positivo por excelência. “Muitas pessoas dizem que se perdem para cá chegar e eu acho isso um fator muito interessante para este espaço, porque é um espaço de recolhimento, de criação, não é um espaço de apresentação”, referiu o também diretor artístico do Teatro Municipal do Porto.

Não é um espaço de apresentação, mas é-o para todos os momentos anteriores. “É para a pesquisa, a criação, a remontagem, os ensaios. Tem a missão de explorar e experimentar as disciplinas que os teatros municipais apresentarão mais tarde”, afirma Tiago Guedes.

No Campus Paulo Cunha e Silva haverá dança, teatro, formas animadas, circo contemporâneo 24 horas por dia. Mas também aulas de práticas físicas para todos os residentes. E estará aberto à comunidade, quer nos ensaios, nas conversas, nos eventos de mediação que os residentes vão poder organizar e que se querem que incluam a vizinhança.

“OPEN CALLS” JÁ SE ENCONTRAM ABERTAS

A partir do passado dia 09 de junho, que abriu o período de open call para residências artísticas, individuais ou coletivas. Durante 56 semanas, os quatro estúdios e os espaços ao ar livre, mas também o apoio de profissionais, poderão ser utilizados por temporadas entre duas a oito semanas.

Os artistas selecionados receberão um valor semanal de 500 euros e Tiago Guedes diz querer ver o espaço a funcionar “como uma incubadora”, levando os projetos nascidos no Campus a poder conectar-se com outros espaços e eventos da cidade, como o Teatro Municipal do Porto ou o Festival Dias da Dança, por exemplo. A estas residências artísticas, juntam-se as open calls para residências técnicas, a terem lugar no Teatro do Campo Alegre, durante três períodos ao longo do ano.

A segunda edição do programa “Reclamar Tempo”, lançado no primeiro confinamento e que incitava os artistas a continuar a trabalhar, é a segunda oferta do Campus Paulo Cunha e Silva. Os projetos selecionados na primeira edição estão a trabalhar desde maio e, este fim-de-semana, 12 e 13 de junho, serão mostrados ao público em dois dias abertos.

A visita ao novo Campus Paulo Cunha e Silva contou, ainda, com a presença do diretor do Museu da Cidade, Nuno Faria, do diretor artístico do Batalha – Centro de Cinema, Guilherme Blanc, do vice-presidente da Câmara do Porto, Filipe Araújo, dos vereadores do Executivo Municipal independente, de vereadores do PS, e do presidente da mesa da Assembleia Municipal, Miguel Pereira Leite.

 

Texto: Cláudia Brandão (Porto.) / Etc e Tal jornal

Fotos: Filipa Brito (Porto.)

 

01jul21

 

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