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Erros de “hortografia”!

Joaquim Castro

 

 

 

As redes sociais são a maior fonte de erros ortográficos que pode haver. É o “á”, pelo “à”; o “haver”, pelo “a ver”; é o “á” e o “à”, pelo “há”. São os erros mais comuns de quem escreve no Facebook. Se fôssemos a referir exemplos, nunca mais chegaríamos ao fim. No discurso falado, o problema é outro. Políticos, gente da bola e “cientistas” Covid, não se cansam de falar mal a Língua Portuguesa. Chega a ser deprimente. Palavras mal pronunciadas, como “rúbrica”, em vez de rubrica; “periúdo”, em vez de período”, são o pão nosso de cada dia. Já o disse, que estas situações são inadmissíveis, sobretudo, quando acontecem na estação pública, rádio e televisão, sem que alguém lhe ponha cobro, contribuindo para a higienização da Língua Portuguesa. Se lhes juntarmos algumas miseráveis expressões, que nos enchem os ouvidos, a toda a hora, então, temos um suplício. Não compreendo, que o nosso presidente Marcelo, um ilustre professor universitário, também já tenha “embarcado” na expressão “aquilo que”, de que a ministra da Saúde, usa e abusa, diariamente. Não convém esquecer um  tal Garcia “da Horta”, que dá nome a um hospital de Almada. O Garcia de Orta deve estar muito ofendido.

OS FALANTES PORTUGUESES

Felizmente, começa a haver muita gente que combate esta bandalheira, do mau uso da Língua Portuguesa. Sandra Duarte Tavares, mestre em Linguística Portuguesa, apresentadora do programa “Jogo da Língua, na Antena 1, é autora de uma obra, que é muito útil para quem queira melhorar os seus conhecimentos de português. Chama-se “500 ERROS MAIS COMUNS DA LÍNGUA PORTUGUESA. Considero-o um trabalho excelente.

José Amaral, de Vila Nova de Gaia, também é um grande defensor da nossa Língua, escrevendo artigos para diversas publicações. Achei oportuno transcrever este texto:

“Os falantes portugueses: Muitíssimos falantes portugueses usam inadequadamente estrangeirismos sem qualquer sentido prático e puramente desnecessários, face à riqueza lexical da nossa Língua Materna – o Português.

Tal linguajar é como o modo bacoco dos ‘novos-ricos’ de se apresentarem cheios de supérfluos penduricalhos, vazios de nenhuma utilidade social.

Assim, com o penduricalho “bullying” nas escolas, não será que a nossa Língua, logo na aprendizagem dos falantes, seja mais violentada de todo o bullying a que passivamente vamos assistindo na oralidade e na fala?”.

EMBALSAMENTO E EMBALSAMAMENTO

Ouvi num programa de televisão, o termo “embalsamento”, referindo o tratamento e a preservação de um cadáver, no caso, humano. Fiquei na dúvida e fui pesquisar, tendo lido o seguinte: “Embalsamento significa “ato ou efeito de embalsar; embalse”, enquanto embalsamamento é “ato ou efeito de embalsamar; embalsamação”. Por sua vez, embalsar é “pôr em ou trasfegar (o vinho) para a balsa (dorna); meter (o mosto) na balsa”; “formar (com troncos) uma balsa (jangada)”; e “pôr ou meter-se em balsa (transporte flutuante)”. Já embalsamar significa “tratar (cadáver) com substâncias que o isentam de decomposição” e “impregnar(-se), encharcar(-se) de bálsamos (aromas); perfumar(-se). O Dicionário da Porto Editora diz mais ou menos o mesmo, mas, ao contrário do Houaiss (brasileiro), que consultei, prefere o termo embalsamação a embalsamamento. Assim, nesse contexto, a palavra adequada é o substantivo masculino embalsamamento (ou embalsamação) e o verbo é embalsamar”. (in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/embalsamento-e-embalsamamento/18515).

ERROS NAS EMENTAS

Até nas ementas de restaurantes e hotéis, se encontra regulamente, erros ortográficos. Um caso muito frequente, é o de acentuar “menú”, quando, na verdade a palavra não é  acentuada, nem precisar de tal acento agudo, para que se leia, tal como é. Também há os bifes de “perú”, em vez de bifes de “peru”, como se deve escrever. Outro erro, com várias versões, é o das omeletas. Recentemente, um entrevistado do programa “Um Português no Mundo”, da Antena1, que se intitulou cientista, disse a propósito de condições de trabalho em Portugal, que, “não se pode fazer “omoletes” sem ovos. Pois não. Nem com ovos nem sem ovos, dado que tal palavra não existe. De facto, “Esta palavra provém do francês omelette, aquele alimento composto de ovos batidos, que depois se fritam numa gordura, geralmente azeite, e que seguidamente se enrolam, ficando com o aspecto dum travesseiro em ponto pequeno.

Sabemos que a terminação –ette das palavras francesas corresponde à terminação –eta (-êta) das palavras portuguesas; e assim temos em francês chemisette, e em português camiseta; em francês byciclette, e em português bicicleta; em francês camionette, e em português camioneta, etc., Portanto, temos em francês omelette e em português omeleta (-êta). No Português do Brasil, o corrente é omelete. Tal como equipe, cabine ou marionete (equipa, cabina ou marioneta, no Português de Portugal).’

(Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/omeleta-ou-omoleta/11210)

CENÁRIO

Uma repórter de exteriores da Antena 1, fez um directo, em 27.05.2021, relacionado com a greve de trabalhadores da CP. Entrevistou um passageiro, na estação de Campanhã, no Porto, perguntando- lhe que implicações tinha para ele a paragem de comboios, pela greve, e como iria resolver a situação para chegar ao seu local de trabalho. E outras coisas. No fim, a entrevistadora rematou: “este é o cenário deste passageiro”! A minha dúvida, diz respeito à expressão “cenário deste passageiro”. Pensei: será “o cenário para este passageiro?”, “cenário que se apresenta a este passageiro?”. Não é fácil. Por mim, escolheria a expressão, “o cenário com que se depara este passageiro”. Os leitores poderão fazer um exercício de português, tentando encontrar uma frase que fique bem, neste “cenário”.

SIM OU NÃO?

É errado dizer: “eu vi ninguém” ou “eu comi nada? Anote-se que os pronomes indefinidos “ninguém” e “nada” possuem significado negativo inerente. Deste modo, só podem integrar orações que sejam negativas.

Ora as frases *eu vi ninguém” e *eu comi nada” são afirmativas. Por esta razão são consideradas gramaticalmente incorrectas.

Assim sendo, a negação com recurso aos pronomes indefinidos “ninguém” e “nada” na posição de complemento directo exige o advérbio de negação não antes do verbo: Eu não vi ninguém e Eu não comi nada. A esta construção, comum a outras línguas românicas, dá-se o nome de “dupla negação”.

Em posição de sujeito, no entanto, e dado que exprimem negação, os pronomes indefinidos ninguém e nada dispensam o advérbio não e precedem o verbo (ex.: ninguém veio à festa; nada o impede de concorrer às eleições), sendo consideradas agramaticais as construções em que o não está presente (ex.: *ninguém não veio à festa; *nada não o impede de concorrer às eleições).

PALAVRAS DITAS

O presidente da Comissão Política do PSD, Rui Rio, é um dos dirigentes que mais usam o ”atrás”, quando se refere a tempo passado: “há dois dias, atrás”; “há três anos, atrás”; “há cinco meses, atrás”…Já Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, é incansável a pronunciar “responsablidade”,  comendo o i a seguir ao b. Este erro de pronúncia tem sido utilizado pelo autarca, no caso da partilha de dados de elementos da oposição russa, residentes em Lisboa. Já Rúben Dias, jogador da Selecção Nacional de Futebol, disse: “Portugal tem de meter os pés no chão”, no jogo contra a Alemanha, no Euro 2020 (2021), mas que Portugal acabou por perder por 4-2. Mas este “meter” é muito usado, como sinónimo de pôr, colocar… São bons jogadores, mas em português, nem todos são grandes exemplos. Esta do “meter”, já tinha sido tratada na edição de Junho de 2021. Mas esta é uma situação recorrente. O jornalista Frederico Moreno disse, na Antena 1, a propósito das medidas de distanciamento nas praias portuguesas que: “não é só afastar a toalha e meter creme. Tem de levar máscara até ao areal”. No programa “Casa Feliz”, da SIC, falou-se em piolhos. No rodapé, apareceu a legenda: “Meteu veneno para formigas na cabeça das crianças para combater piolhos”. Meteu!

O ADJECTIVO E O VERBO

A falta de um acento gráfico pode mudar por completo o sentido de uma palavra. Quando queremos dizer “público” (gente, pessoas), estamos perante um adjectivo. Significa que é relativo ou pertencente ao povo, à população. Que serve para uso de todos. Também pode ser relativo .à governação ou à administração de um território. Outros exemplos: que é do conhecimento de todos, a população em geral, conjunto de pessoas que assiste a um filme, uma peça de teatro, uma palestra. Recordo que a falta de um acento pode ser um caso sério. Costumo dar o exemplo de “cágado”, ao qual não convém tirar o acento gráfico, por razões óbvias. Se em vez de “público” escrevermos “publico”, sem acento no u, estamos a falar do verbo publicar, que nada tem que ver com “público”. Ora, publico é uma forma do verbo publicar. É tornar público, divulgar, apregoar ou afixar, como um edital ou um aviso. Pelo que se diz, bem se vê que não se pode deixar de colocar o acento em “público” (povo), mas não em “publico” (divulgar).

 

Nota: Por vezes, o autor também erra!

 

Fotos: pesquisa Web

 

01jul21

 

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