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Filomena Rocha expõe “Retratos” no Museu de Ovar

Com o objetivo de serem os próprios visitantes a identificarem algumas das figuras expostas, a artista Filomena Rocha, que nasceu no Porto, em 1957, Licenciada em Artes Plásticas e Pintura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, apresenta na exposição “Retratos”, que vai estar no Museu de Ovar até 30 de setembro, uma série de pinturas a óleo sólido, com retratos de figuras públicas representativas e marcantes em diferentes artes e no humanismo que as suas obras personalizam, o que admira, razão da escolha das personalidades por si retratadas.

Destacam-se nos retratos expostos, o da própria mãe de Filomena Rocha, Maria Emília, ou do escultor Eduardo Tavares, que nasceu em 1918, São João da Pesqueira, e faleceu no Porto, em 1991, como alguns dos trabalhos de traços menos familiares para os visitantes surpreendidos pela ausência de qualquer referência à pessoa retratada.

Assumindo-se como pintora desde que começou a observar as pessoas, Filomena Rocha, conjugando a pintura à cerâmica figurativa, artes em que tem participado em várias exposições e bienais. Mas é à pintura que se vem dedicando com mais dedicação, com o projeto “Olhares”, que resultou numa exposição individual em 2016.

Porque “olhar é importante”, como nos referiu a pintora, esta sua exposição “Retratos” no Museu de Ovar, pretende estimular nos visitantes, o “olhar nos olhos” dos retratados, que, se nuns casos desafiam os diferentes níveis de cultura geral, outros são bem fáceis de identificar.

Na generalidade dos artistas representados, para além da admiração pessoal da pintora Filomena Rocha, há também a curiosidade das ligações ao Porto. Encontram-se, Soares dos Reis, o ilustre escultor portuense do século XIX, que nasceu em 1847, Vila Nova de Gaia, em que faleceu no ano de 1889. Com traços bem carismáticos, surge, Agostinho da Silva, o filósofo, poeta, ensaísta, professor, filólogo e pedagogo, que nasceu no Porto, em 1906 e faleceu em Lisboa, em 1994.

Entre os escritores que a autora dos “Retratos” escolheu, nesta sua mais recente série de pintura, igualmente com traços de acessível identificação, podem-se observar, António Lobo Antunes, ou o poeta e escritor Miguel Torga, bem como o escritor e médico, Júlio Dinis, que nasceu no Porto, em 1839 e nesta cidade veio a falecer, em 1871, tendo na sua curta vida deixado obras literárias como “As Pupilas do Senhor Reitor”, romance que reflete a sua relação familiar com Ovar, em que permaneceu durante algum tempo. Uma ligação entre Júlio Dinis e Ovar que Filomena Rocha quer realçar nesta exposição.

Merecem igualmente atenção desta pintora natural do Porto, outros nomes que de uma ou outra forma ficaram ligados ao legado artístico do Porto. Desde a violoncelista, Guilhermina Suggia, que nasceu e morreu no Porto, 1885-1950. Ou a pintora luso-chilena, Aurélia Sousa (de verdadeiro nome Aurélia Souza), que nasceu em Valparaíso, no Chile, 1866,vindo a falecer no Porto, em 1922.

Nos “Retratos” expostos é ainda possível chegar aos traços de Florbela Espanca, a poetisa portuguesa que veio a falecer aos 36 anos (1930) em Matosinhos. Mas também a celebre pintora mexicana, Frida Kahlp, é referência para diferentes gerações. Artista nascida em 1907 na cidade de México, em que faleceu, em 1954. Criou muitos retratos, auto-retratos e obras inspiradas na natureza.

Na cerimónia de inauguração desta exposição de pintura “Retratos”, que decorreu no dia 12 de junho no Museu de Ovar, as entidades convidadas deixaram palavras enaltecendo a temática da obra exposta, reconhecendo que muito valoriza o próprio Museu de Ovar, a quem a artista deixou o “retrato” de Júlio Dinis. Uma cerimónia em que participaram o atual diretor do Museu de Ovar, António Dias, acompanhado por Manuel Cleto e Manuel Brandão, dos órgãos sociais desta Instituição, a quem a vereadora da Educação da Camara Municipal de Ovar, Ana Cunha, deu os parabéns, tanto à artista, “por trazer a Ovar a sua arte”, como “ao entusiasmo da direção”. Já o presidente da Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira, José Fragateiro, sublinhou que, “ainda bem que não fotografou. Colocou um pouco da sua alma sobre figuras, que não colocou o nome como desafio”. O autarca realçou mesmo que para além do “nosso” Júlio Dinis, a artista, que disse, “sinto-me em casa”, lembrando o acolhimento recebido no Museu de Ovar, ainda segundo José Fragateiro, “trouxe a sua Mãe retratada”, o que, “olhando por si”, terá sido certamente “a pintura que lhe custou menos”.

 

Texto e fotos: José Lopes

 

01jul21

 

 

 

 

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