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Palmilhar Matosinhos

Miguel Correia

 

Tenho especial admiração pelos programas culturais implementados pelas autarquias. Compreendo que possam dizer que não se assemelham aos festivais de Verão – patrocinados por grandes marcas de álcool que promovem o consumo mas, num gesto irónico de grande preocupação pelo interesse público, aconselham moderação. Contudo, a minha admiração aumenta quando temos a oportunidade de verificar que, os referidos programas, são estipulados conforme a vontade do engravatado de serviço e não pela preferência generalizada das populações.

Gesto altruísta – dirão os seguidores, filiados do partido ou os “lambe-botas”. Os restantes munícipes restringem-se à ignorância e desprezo que a iniciativa merece. Como autor local, que valoriza a sua cidade, foco a minha atenção para Matosinhos (mesmo sabendo que há quem defenda que o melhor a fazer às vozes criticas é atar-lhes um pedregulho aos pés e atirá-los ao rio!).

Por cá, a cultura manifesta-se sob a forma de comida e isso explica-se com a relação do número de restaurantes por metro quadrado. A malta tem de comer, mesmo que, a grande maioria esteja destinada aos turistas e suas carteiras mais abonadas… A fome é uma necessidade que atravessa os diferentes estatutos sociais e, como tal, sendo um autêntico zero à esquerda na cozinha, fui à procura de um “take-away”…

Esqueci-me que era Domingo e que os meus restaurantes habituais estavam encerrados. Nas redes sociais consegui encontrar páginas que mostravam as especialidades gastronómicas servidas há três meses! Alguns até já fecharam portas por causa da pandemia.

Resolvi palmilhar, pelas redondezas, um local que servisse meias-doses com menos de dois dígitos no preço. Lamento escrever, mas não encontrei e, pelo menos, quatro cardápios ofereciam os mesmos pratos. Quase como se tivessem combinado ou partilhassem o cozinheiro! Quem não gostar de tripas, lombo, vitela ou cabrito é preferível passar pelo supermercado e aviar-se nas latas de conserva ou frango assado semi-raquítico.

Trouxe, numa mísera saca de plástico – equivalente a um terço do meu ordenado – e mais indignado fiquei por saber onde aquilo vai parar dentro de algumas horas. Numa das ruas deparei-me com uma iniciativa do Município (exposta num painel publicitário) referente à degustação do melhor marisco de Matosinhos. E, mais que as imagens de cascas no prato, reparei no preço: 60,00 euros por travessa.

Compreendi, naquele momento, que o meu problema está centralizado no orçamento e não na oferta disponível. Eu, como cidadão, que não prezo por ter uma carteira tão recheada, como algumas sapateiras do cartaz, jamais poderei aspirar a tamanho luxo.

Caso estejam solidários – e se revejam nesta situação – não hesitem em contactar-me. A solução é simples e tenho todo o gosto em disponibilizar o contacto de alguém especializado no comércio da máquina “Bimby”. Acreditem, funciona até com verdadeiros aselhas na cozinha… como eu.

 

Foto: pesquisa Web

 

01jul21

 

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