Bruno Ivo Ribeiro (*)
Naquele caminho de luz em que as flores acesas valsam com a brisa da alvorada, reina um doce perfume a erva-mate, que de tão intenso se faz aqui presente.
Este aroma iniludível é a repercussão telúrica desses sonhos egrégios. É o sorriso ancestral de uma natureza que clama e se renova. É o incenso da terra que floresce.
Só a valsa das flores tolda a orquestra. E só esta quermesse improvisada traduz os passos das gentes.
De flores não passamos, às cinzas não escapamos.
Mas enquanto valsarmos, que em cada brinde de alvorada possamos beijar o futuro que nos habita, e que dele nasçam os sorrisos imortalizados no mármore dos artistas.
Que todo ser seja uma obra de arte, e que em cada cinzel se descortine um relógio. Que à poeira dos dias se somem os sorrisos das horas, para que o passado seja lembrado com um brinde.
Que o fio do destino se converta em sorriso delineado, e que possamos abraçar com a alma, os olhos que já nos beijaram em amor sincero.
Casem-se sol os amantes enamorados, e triunfem em paz os conquistadores dos medos.
Que o corajoso sensato sinta o crepúsculo arrepiar-lhe a epiderme. E que a subtileza de uma vela acesa se harmonize com a de o nervosismo do noivado anunciado.
Quem estoicamente persevera na noite, não tem que temer a alvorada. Antes a recebe no seu regaço, para que de si brote o presente embrenhado de luz.
É preciso dar à luz os sonhos.
É necessário cheirar o incenso suspirado pela terra ao amanhecer.
Porque é preciso ser livre, ser forte, e ser seguro.
(*) texto e foto
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01julho.21
