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Tiago Barbosa Ribeiro é o cabeça-de-lista do PS à presidência da Câmara do Porto, após complexo processo de escolha… e do “Centro Histórico” sai António Fonseca que, pelo Chega, quer ocupar o lugar de Moreira

 O processo de escolha do candidato socialista à presidência da Câmara do Porto foi tudo menos, politicamente, pacífico. Após o autoafastamento de José Luís Carneiro (secretário-geral adjunto do PS) da corrida à Câmara do Porto, já que o seu nome não era tão consensual quanto o desejável, assim como o aparecimento de diversas fações, entre as quais uma que apoiava o deputado na Assembleia da República, Tiago Barbosa Ribeiro, o líder do PS achou-se no direito de, no início do passado mês de junho, intervir na escolha do cabeça-de-lista à Câmara tripeira, indicando o nome de Eduardo Pinheiro, atual secretário de Estado da Mobilidade e antigo presidente interino da Câmara Municipal de Matosinhos, após a morte do carismático Guilherme Pinto.

Eduardo Pinheiro

Mas, nem a posição de Costa foi suficiente forte para segurar Eduardo Pinheiro por muito tempo. Nem 48 horas depois do anúncio como candidato do PS à Câmara do Porto, Pinheiro bateu com a porta, criando um vazio sem precedentes na história do PS-Porto quanto à escolha de um nome para concorrer à Câmara que perdeu há cerca de duas décadas, então, para o PSD de Rui Rio.

Eduardo Vítor Rodrigues, neste entretanto, fez com que uma eventual recandidatura do eurodeputado, presidente da Distrital do Porto do PS e vereador sem pasta na Câmara do Porto, Manuel Pizarro, ganhasse vida, mas a situação foi efémera. “Existe um conjunto de pessoas que tem muita vontade de o ver (a Pizarro), até para corporizar um espírito de unidade. Na verdade, este é um processo desgastante, colocando em causa a imagem do partido no Porto”, disse, na altura (11jun21), o também presidente da Câmara de Gaia, ao “Jornal de Notícias”.

Sendo real o facto da imagem do PS no Porto não ter saído mesmo nada bem na “fotografia”, este apoio, ou esta tentativa de Eduardo Vítor Rodrigues recuperar Manuel Pizarro para um terceiro ato eleitoral autárquico, não surtiu os seus efeitos. Por certo, até pelo próprio que não estaria disposto a perder, uma vez mais, para Rui Moreira, ou, mais provável ainda, de Pizarro querer dar lugar à candidatura de um socialista mais jovem, que pode consolidar-se nos próximos tempos, ou seja, até às eleições em que Rui Moreira já não poderá concorrer por limitação de mandatos – precisamente as que se realizarão daqui a quatro anos -, e aí, voltando a ser cabeça-de-lista, poder ser um potencial vencedor.

E se Tiago Barbosa Ribeiro for convidado a assumir funções no executivo?

E eis que surge, então, ou seja no passado dia 14 de junho, Tiago Barbosa Ribeiro como cabeça-de-lista do PS à presidência da Câmara da segunda maior cidade do País, após ter “reponderado” a sua posição perante os apelos que recebeu, depois da desistência de Eduardo Pinheiro e de Rui Moreira ter anunciado a sua recandidatura (12jun21). E “reponderou” a sua posição, porque tinha antes desistido de concorrer contra Rui Moreira, numa altura em que o seu nome era apontado como o “natural” candidato do PS às próximas eleições para a Câmara do Porto, não só por ser deputado municipal, mas também por ser jovem já com uma respeitável experiência política pelo facto de ser líder da Concelhia do Porto do PS, mas também pelo facto de ter assento na Assembleia da República.

“Ao longo dos últimos dias recebi muitos apelos dentro e fora do PS para que reponderasse a posição em relação à candidatura à câmara do Porto. Após profunda reflexão quanto às condições de unidade e empenho de todos na construção deste projeto, tomei uma decisão que anuncio agora. Não faltarei ao Porto. “, afirmou Tiago Barbosa Ribeiro, ao “Jornal de Notícias”.

E, agora pergunta-se: terá Tiago Barbosa Ribeiro a tarefa de fazer parte do executivo, após acordo com Rui Moreira, tal como aconteceu com Manuel Pizarro em 2013, se este não alcançar, como alcançou há quatro anos, a maioria absoluta no executivo? Ou não aceitará o repto caso seja contactado para tal?

Tiago Barbosa Ribeiro ao… “Raio X”

Sobre Tiago Barbosa Ribeiro, saiba que ele é natural do Porto, cidade onde nasceu em 1983. Deputado do Partido Socialista na XIII Legislatura (desde 2015) eleito pelo círculo do Porto, reeleito em 2019. É Coordenador dos deputados socialistas na Comissão de Trabalho e Segurança Social na Assembleia da República, e integra a Comissão Permanente da Assembleia da República. É licenciado em Sociologia com especialização em Trabalho e Organizações pela Universidade do Porto, sendo também pós-graduado em Gestão pela Universidade do Porto, Porto Business School.

É quadro superior de uma das maiores empresas industriais nos seus setores de atividade. Tiago Barbosa Ribeiro foi dirigente da JS a nível concelhio, distrital e nacional. É membro dos órgãos nacionais do PS.

Em 2015, tornou-se no mais jovem Presidente da Concelhia do Partido Socialista do Porto, cargo que ocupou até 2018. Foi eleito novamente nas eleições de 2020. Tiago Barbosa Ribeiro foi ainda membro da Assembleia de Freguesia do Bonfim e deputado municipal entre 2009 e 2013, tendo integrado a direção da bancada do PS na Assembleia Municipal do Porto. Em 2013, ingressou na lista do PS à Câmara Municipal do Porto. Em 2017, foi eleito novamente deputado à Assembleia Municipal do Porto.

Os desafios/metas para Tiago

O candidato do PS à presidência da Câmara Municipal do Porto terá alguns desafios pela frente, sabendo-se que será difícil os mesmos passarem pela reconquista de uma Câmara que os socialistas perderam há sensivelmente, duas décadas. Aliás, criar a essa ideia de reconquista seria, por certo, dar cabo da candidatura e do projeto evolutivo da mesma nos próximos anos.

A verdade, é que Tiago Brandão Ribeiro, a nível interno pode demonstrar ou reconfirmar o seu estatuto de figura líder do PS no Porto, ao ultrapassar o número de votos (32.856) alcançado por Manuel Pizarro nas últimas eleições (2017). Aliás, num ato eleitoral marcado por um verdadeiro escândalo com uma sondagem publicada pelo “Jornal de Notícias” e que dava, no dia das eleições, um empate técnico entre Rui Moreira e Manuel Pizarro, quando Moreira acabou por vencedor a Câmara com maioria absoluta.

ANTÓNIO FONSECA CANDIDATO À CÂMARA DO PORTO PELO “CHEGA!”

António Fonseca – Foto: Mariana Malheiro

Pois é. Ele tinha dito ao “Etc e Tal” que seria candidato nestas eleições Autárquicas, mas nunca deu a entender que fosse à Câmara Municipal e logo pelo “Chega!”.

António Fonseca, presidente da União de Freguesias do Centro Histórico e eleito nas listas do atual presidente da Câmara, é mesmo o provável cabeça-de-lista do partido de direita radical populista à Câmara do Porto.

À revista Visão, e antes de ser oficialmente candidato pelo Chega, e isto num excelente (para não variar) trabalho de Miguel Carvalho, Fonseca desvalorizou o carimbo de extremista associado ao Chega: “Não é nazi, pois não? Se fosse ficava preocupado, mas é um partido legal e vivemos num País livre. De resto, nem sempre a realidade nacional se aplica ao terreno autárquico”.

Um autarca polémico

 E sobre António José Gonçalves Fonseca fica aqui a sua “biografia política”, editada por Miguel Carvalho, na revista “Visão”.

Então saiba que António Fonseca “encabeçou a lista do movimento independente de Rui Moreira nas autárquicas de 2013 e 2017 à União de Freguesias do Centro Histórico e ganhou ambas. O autarca, contudo, tem mantido uma relação tensa com a maioria camarária. Em 2015, o presidente da Câmara do Porto retirou-lhe a confiança política com base no argumento de que Fonseca assumira posições políticas e decisões executivas que se afastavam dos princípios de “lealdade e solidariedade” do movimento.

Em 2017, tudo ficaria aparentemente sanado com a recandidatura do autarca, mas, há poucos meses, a polémica reacendeu-se: confrontado pela oposição com dúvidas acerca da utilização de verbas do orçamento colaborativo da freguesia para outros fins, Rui Moreira decidiu retirar uma proposta de transferência de dinheiro para a junta liderada por António Fonseca por tender a concordar com as críticas. O ambiente nas assembleias de freguesia do Centro Histórico é, de resto, escaldante, ou não tivesse o presidente da sido alvo de duas moções de censura.

Em abril de 2014, o Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto determinou a perda de mandato do autarca por ter sido candidato à junta de freguesia já depois de declarada a sua insolvência pessoal. “Quem não dispõe de capacidade para gerir o seu próprio património, também não reúne condições para gerir o património público”, resumia a sentença. Mas em julho desse ano, os juízes do Tribunal Central Administrativo do Norte anularam a decisão, concedendo a António Fonseca o uso de todos os seus direitos, uma vez que tinham cessado todos os efeitos resultantes do processo de insolvência.

Bem relacionado com as forças policiais e os empresários de bares e discotecas localizados, sobretudo, nas zonas ribeirinhas da Invicta e de Gaia, António Fonseca lidera a Associação de Bares da Zona Histórica do Porto (ABZHP). Foi, aliás, o primeiro subscritor de uma petição enviada há meses à Assembleia da República, na qual reivindica apoios financeiros do Estado para o setor, alegadamente prejudicado pelos efeitos da crise provocada pela pandemia.

Nessa área de negócio, um dos mais próximos do autarca é Manuel Carvalho, proprietário da popular Taberninha do Manel e de alojamentos turísticos, cujas simpatias pelo Chega e por André Ventura são assumidas e conhecidas. Apoiante da candidatura de Hugo Ernano pelo Chega no Porto nas legislativas de 2019, o empresário confessou, perante testemunhas presentes no jantar-comício de Ventura em Leiria, em agosto de 2020, ter financiado a campanha eleitoral daquele militar da GNR, condenado pela morte de uma criança de etnia cigana durante uma operação policial.

Em maio do ano passado, Manuel Carvalho chocou os presentes numa conferência de Imprensa promovida pelo próprio António Fonseca em nome da AZBHP para reivindicar apoios para os empresários desta área de negócio prejudicados pela pandemia. Na ocasião, revelou ter recorrido ao lay-off, enviando para casa 25 funcionários, mas recusou descapitalizar-se ou vender prédios “para pagar ao pessoal”. Na mente, entretanto, ainda tinha a recordação do caos que vivera no Brasil semanas antes por causa da pandemia: “Fui logo para a casa de praia para não me chatear”.

CANDIDATOS (DECLARADOS) À PRESIDÊNCIA DA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO

André Eira – Volt

António Fonseca – Chega

Diogo Araújo Dantas – Partido Popular Monárquico

Ilda Figueiredo – Coligação Democrática Unitária (PCP-PEV)

Nuno Cardoso – Independente

Rui Moreira – Independente (Porto, Nosso Movimento)

Sérgio Aires – Bloco de Esquerda

Tiago Barbosa Ribeiro – Partido Socialista

Vladimiro Feliz – Partido Social Democrata

 

“PORTO O NOSSO MOVIMENTO” APRESENTA HOJE (01JUL21) CANDIDATOS ÀS JUNTAS DE FREGUESIA

A Associação Cívica “Porto o Nosso Movimento” apresenta os candidatos às juntas de freguesia da cidade, hoje, dia 1 de julho, no Parque do Covelo, a partir das 19 horas. A sessão pública contará com a participação do candidato à Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira.

Recorde-se que a candidatura dos grupos de cidadãos a estes órgãos autárquicos esteve comprometida, por alterações que foram introduzidas à Lei Eleitoral Autárquica, em julho de 2020.

“Só recentemente, após um longo processo de reivindicação pela reversão da lei na Assembleia da República – em que a Associação Cívica “Porto o Nosso Movimento” se envolveu desde a primeira hora com Grupos de Cidadãos Eleitores de todo o país – foi possível repor as condições para a apresentação de candidaturas independentes às juntas de freguesia”, salienta a associação.

  

E OLIVEIRA BATEU COM A PORTA EM GAIA

Foto: Rui Duarte Silva

António Oliveira bateu definitivamente com a porta à candidatura autárquica em Vila Nova de Gaia. A renúncia foi anunciada ao líder do PSD na tarde do passado dia 18 de junho, durante uma reunião na Distrital do Porto. O empresário foi uma escolha pessoal de Rui Rio, que apostou na ex-glória portista para tentar reconquistar o antigo feudo social-democrata da era Luís Filipe Menezes, derrubado em 2013 pelo socialista Eduardo Vítor Rodrigues.

Já em abril António Oliveira tinha dado sinais de descontentamento e ameaçou bater com a porta, ao sentir-se excluído na escolha da lista de candidatos em Gaia. Na altura, a comissão autárquica nacional do PSD convocou uma reunião e deu um voto de confiança ao candidato à presidência da Câmara.

Apesar desta garantia, e passados estes meses, o sentimento de Oliveira não mudou relativamente ao ordenamento da lista à vereação e à influência de Cancela Moura, o que levou à rutura.

PSD-PORTO DIZ QUE ANTÓNIO OLIVEIRA FOI “ERRO DE CASTING” E QUE DESISTÊNCIA FOI ENCARADA COM “ALGUM ALÍVIO”

Alberto Machado

 Alberto Machado, presidente da distrital do PSD do Porto, considerou, entretanto, que a escolha de António de Oliveira para concorrer à presidência da Câmara de Vila Nova de Gaia foi “um erro de casting”.

“Esta escolha acabou por ser um erro de ‘casting’. O PSD provou que está absolutamente aberto a envolver na política, em prol do bem comum, pessoas de fora do partido, pessoas da sociedade civil, pessoas que, não tendo uma militância partidária ativa, possam contribuir para o que as estruturas possam dar. Mas efetivamente concluímos com este percurso de três meses que foi um erro”, disse Alberto Machado, em conferência de imprensa.

Na mesma conferência de imprensa, o presidente do PSD/Porto disse ainda que é com “algum alívio” que vê esta desistência.

“Sim [e com alívio que vemos esta desistência]. Foi noticiado por vários órgãos de comunicação social que as relações não estavam fáceis. Não estavam fáceis porque não conseguíamos que o candidato comparecesse nos diferentes momentos para os quais o chamámos. Temos isso documentado (…). Portanto, de certa forma há algum alívio de que possamos começar a trabalhar”, afirmou.

 RENATO SOEIRO É O CABEÇA-DE-LISTA DO BLOCO À CÂMARA DE VILA NOVA DE GAIA

Renato Soeiro é o candidato do Bloco de Esquerda à Câmara de Gaia nas próximas eleições autárquicas, substituindo o deputado Luís Monteiro que foi anunciado pelo partido, mas depois desistiu devido às acusações de violência doméstica por parte de uma ex-namorada.

Renato Soeiro repete a candidatura à Câmara de Gaia, após já ter avançado como cabeça de lista nas eleições autárquicas de 2017. É engenheiro civil (opção de Planeamento Regional e Urbano) pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e frequentou, sem concluir, o curso de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Participou, em 1999, nos trabalhos de fundação do BE, partido onde tem exercido várias funções: foi membro da Mesa Nacional, da Comissão de Direitos, do Departamento Internacional, da Coordenadora Distrital do Porto e é hoje membro da Comissão Coordenadora Concelhia de Gaia.

O mandatário é o sindicalista Nelson Silva, licenciado em Produção e Tecnologias da Música, e para a Assembleia Municipal o Bloco designou Luísa Ferreira da Silva, diplomada em Serviço Social e em Sociologia, e doutorada em Sociologia pelo ICBAS – Universidade do Porto.

ANTÓNIO MARINHO DA SILVA É CABEÇA-DE-LISTA DO “BLOCO” À CÂMARA DE AMARANTE

O Bloco de Esquerda aprovou recentemente o candidato à câmara municipal de Amarante. O candidato é António Joaquim Marinho da Silva, amarantino, nascido no lugar da Torre – São Gonçalo, médico, licenciado pela Faculdade de Medicina de Coimbra e fundador do Bloco de Esquerda.

António Marinho da Silva, foi Presidente da Direção do Colégio de Cardiologia-Pediátrica da Ordem dos Médicos e Coordenador do Centro Nacional de Referência para as Cardiopatias Congénitas do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. É atualmente membro da Assembleia de Representantes da Ordem dos Médicos e da Direção do Sindicato dos Médicos da Zona Centro.

 

Texto: EeTj com JN e VISÃO

Fotos: pesquisa Web

 

01jul21

 

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