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Verão (quase!) sem Covid

Ricardo Guerra

 

Estou a escrever-vos esta crónica diretamente da praia, fora do nosso querido Portugal. Há um ano, viajar para fora do país era virtualmente impossível (ou, aliás, só seria possível de forma virtual). Além disso, o conceito de viajar provocava-nos temor, tanto por nós como por aqueles que pudéssemos vir a contagiar, no caso de contrairmos a Covid-19.

No entanto, nos últimos tempos, tudo mudou. Uma viragem de 360 graus, que há uns tempos era não mais que uma miragem, sucedeu na nossa sociedade. Finalmente as estatísticas mostradas na televisão e nos jornais dão luz e ânimo aos nossos dias! Neste momento, em Portugal, cerca de 7,58 milhões de pessoas já tomaram pelo menos uma dose da vacina e 2,7 milhões estão completamente vacinadas. A partir de 21 de junho, os maiores de 35 anos começaram já a agendar a administração da sua vacina e a meio deste mês poderão fazê-lo os maiores de 20 anos! Só boas notícias!

E estas novidades apresentam, claramente, um impacto positivo quando se fala de viajar, principalmente num ano como este, em que tanto precisávamos de “laurear a pevide”…! A partir deste mês, o Certificado Digital Covid-19, um documento reconhecido pela União Europeia que comprova que se foi vacinado contra a Covid-19, se recebeu um resultado negativo no teste ou se recuperou da doença, poderá ser finalmente utilizado para facilitar a circulação na UE. Esta é, sem dúvida, uma medida louvável que contribuirá decerto para o crescimento económico do turismo. Esta área, tão fustigada pelos ventos adversos da pandemia, demorará a recuperar a sua hegemonia de outrora, mas como se costuma dizer, este é “um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a Humanidade”!

E como também é usual afirmar-se: “grão a grão, enche a galinha o papo”. E é nesse sentido que reitero que a pandemia, infelizmente, ainda não terminou. Não nos encontramos em perfeitas condições para participar em festas de grandes dimensões, sem distanciamento, sem álcool, sem máscaras. Hoje escrevo-vos da praia, mas ontem, assistia da varanda do hotel onde estou hospedado a um espetáculo vergonhoso: uma festa com várias dezenas de pessoas num espaço reduzido, sem máscaras nem demais medidas de proteção à vista.

Aparentava ser um delírio, uma alucinação coletiva. Por um lado, sentiam-se alucinados os espectadores, que contemplavam, incrédulos, aquele filme distópico. Por outro lado, loucos estavam os intervenientes daquela celebração, que pareciam olvidar-se da realidade em que vivemos. Encafuados numa bolha de ilusão, divertiam-se à brava, com tudo o que uma festa pré-pandémica exigia. Mas esqueceram-se que, como todas as bolhas, aquela iria rebentar, mais tarde ou mais cedo. E a bolha rebentou. O alfinete derradeiro foram as luzes azuis e o som peculiar das sirenes da polícia, que, ao irromperem naquele cenário, causaram o pânico e dispersaram a multidão.

Concordo que o verão e as viagens são bolhas de sabão em que nos esquecemos do mundo em volta, aproveitamos o calor e o sol e criamos memórias com aqueles de quem mais gostamos. E nós precisamos de verão, com urgência. Porém – e é este o meu apelo – aproveitar não significa descuidar!

Ainda há muito caminho para fazer até este vírus terrível, que nos tem paralisado a vida e o tempo, desaparecer. E temos de remar todos no mesmo sentido se queremos chegar a bom porto! Há que relembrar, sempre, que está nas nossas mãos salvar o verão!

 

Foto: pesquisa Web

 

01jul21

 

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