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“Arrendamento acessível” e “rede de creches e pré-escolar mais alargada” são duas das “bandeiras” do socialista Tiago Barbosa Ribeiro na “corrida” para a presidência da Câmara Municipal do Porto

 Tiago Barbosa Ribeiro, o jovem socialista, de 37 anos de idade (completará 38, sete dias antes das eleições autárquicas, agendadas para 26 de setembro próximo), apresentou, no passado dia 25 de julho, no mais importante espaço do edifício da Alfândega, a sua candidatura à presidência da Câmara Municipal do Porto.

Sala cheia (pelo que vimos em direto através da página do candidato no Facebook), e algumas caras conhecidas do PS a nível local e nacional, marcaram um final de tarde em cheio para Tiago Barbosa Ribeiro que apresentou as linhas programáticas da sua candidatura à presidência da edilidade tripeira, depois de, em todo o processo desenvolvido pelo seu partido quanto ao cabeça-de-lista a apresentar às eleições de 26 de setembro, ter sido, quer queiramos, quer não, uma terceira escolha.

Seja como for, o jovem socialista, que não se esqueceu de enfatizar algumas indiretas e outras bem diretas críticas ao trabalho que Rui Moreira efetuou à frente dos destinos da Câmara Municipal do Porto nos últimos oito anos, destacou duas linhas do seu programa eleitoral: o “arrendamento acessível e o alargamento da rede de creches e pré-escolar, tudo tendo em vista o regresso da classe média à cidade Invicta.

AUGUSTO SANTOS SILVA PEDE PARA O PS ENCONTRAR UM FORTE PROTAGONISTA NA CIDADE E ÁREA METROPOLITANA

Antes da sua (muito aguardada) intervenção, usaram da palavra, o mandatário da candidatura, José António Ramos, que “se não fosse o Tiago, não estaria aqui de certeza”, Alberto Martins, candidato “número um” à Assembleia Municipal e que fez lembrar, na sua intervenção, a morte – nesse dia (25jul21) do estratega da revolução do 25 de Abril, Otelo saraiva de Carvalho, Manuel Pizarro, candidato socialista à presidência da Câmara Municipal nos dois últimos atos eleitorais e presidente da Federação Distrital dos socialistas, para quem o PS não tem uma visão umbilical da cidade, Rosário Gambôa, que será – revelação feita pelo candidato mor nesta sessão – o braço direito de Tiago Ribeiro num executivo por ele liderado, e de Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, e um portuense que quer ver o PS a trabalhar, nos próximos tempos, na criação de um forte protagonista não só na cidade como na Área Metropolitana, palavras que lhe valeram poucos – muito poucos – aplausos. A “coisa” não caiu lá muito “no goto” dos socialistas.

TIAGO BARBOSA RIBEIRO: “A CIDADE TEM DE MUDAR DE VIDA E TEM DE SER O PS A LIDERAR ESSE NOVO CICLO

E depois foi, então, a vez de Tiago Barbosa Ribeiro subir ao palco, e fazer o discurso que publicamos na íntegra, como é apanágio deste jornal, quando as intervenções são importantes para o público leitor, em acontecimentos especiais, como foi o caso.

“Candidato-me com a absoluta convicção que a cidade do Porto tem de mudar, tem de mudar de vida, e tem de ser o Partido Socialista a liderar esse novo ciclo, assente em novas propostas, novos rostos e novas ideias.

Conheço o Porto como a palma das minhas mãos. Esta é a cidade onde nasci, onde estudei, onde sempre vivi e trabalhei, e não me imagino a viver numa outra cidade, e esta não é mesmo a segunda cidade do País. Eu candidato-me mesmo à primeira cidade do País, porque é a nossa cidade do Porto”. Palavras do candidato do PS à presidência da Câmara Municipal do Porto .

“O Porto é indissociável daquilo que eu sou. Eu conheço os problemas dos portuenses, as suas expectativas, a sua forma de ser. Os portuenses também não gostam que se critique a cidade do Porto, eu também não! Sou autarca da cidade, em diferentes órgãos, há cerca de 12 anos. Já ouvi milhares de portuenses e visitei centenas de instituições, tenho um diálogo permanente com quem faz na cidade o seu dia-a-dia; moradores de todas as freguesias e não apenas de uma parte da cidade; presidentes de IPSS, empresários, trabalhadores, dirigentes do movimento associativo, ativistas, académicos, professores alunos, avós, filhos, netos, dos mais velhos ou dos mais jovens, portuenses de sempre, portuenses de ontem, porque é assim que nos gostamos de estar na cidade do Porto, a cidade plural, a cidade aberta… falamos com todos, porque o Porto é esta pluralidade, esta vida… este sentimento!”

O PORTO É UMA CIDADE EM PERDA ACELERADA…

E Tiago Barbosa Ribeiro diz conhecer bem os portuenses, os tais que vivem numa cidade que, em seu entender, “não está bem”.

“Eu sei bem quem eles são. Conheço-os, sei o que esperam de nós e sei o que esperam de uma candidatura do Partido Socialista, e portanto, eu exponho as razões porque me candidato à Câmara Municipal do Porto. Eu candidato-me porque o Porto não está bem! Sei que todos os portuenses preferiam que a cidade fosse a espuma festiva das redes sociais da Câmara Municipal do porto, mas infelizmente todos sabemos que assim não é. O Porto é hoje uma cidade em perda acelerada. O Porto tem vindo a perder habitantes, tem vindo a perder jovens, tem vindo a perder riqueza, tem vindo a perder vitalidade. O Porto corresponde hoje à imagem de um Donut, tem um grande centro social, político e económico, que sempre uma importante voz para além do seu espaço geográfico, mas que, progressivamente, vai perdendo essa escala, porque o Porto está, hoje, mais pequeno, mais pobre, mais envelhecido, menos dinâmico, e isso nenhum portuense pode aceitar, porque isto inverte a nossa identidade que temos de voltar a recuperar com toda a pujança e com toda a ambição.

A CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO EXISTE PARA ATUAR, PARA INTERVIR, E NÃO APENAS PARA SE VITIMIZAR COMO HOJE ACONTECE…

Referindo-se à realidade tripeira, o candidato socialista salientou que “nos últimos oito anos, o Porto perdeu vinte mil habitantes. Desde que o PS deixou os destinos da Câmara Municipal do Porto, em 2001, que nós perdemos, praticamente, um por cento da população todos os anos… ano após ano. Nos últimos quatro anos perdemos quase sete mil e quinhentos eleitores. Para além dos que partem, dos que não conseguem aqui viver, os que ficam vão envelhecendo sem que a cidade lhes garanta infraestruturas e equipamentos, sendo que hoje a população com 65 ou mais anos, já é quase trinta por cento do total da população da cidade, e este é um cenário que não é passível de disputa política, são os factos. E este cenário só se inverte trazendo mais jovens para o Porto e permitindo que todos nele possam viver e não somente a quem é rico e poder comprar a casa onde nela quer viver. Nós não podemos ceder a este lento declínio; a este destino de decadência social; de decadência política; de decadência económica, porque há mesmo uma Câmara Municipal do Porto que existe para atuar; que existe para intervir, e não apenas para se vitimizar, como hoje em dia acontece com a Câmara Municipal do Porto”.

OS PREÇOS DA HABITAÇÃO NO PORTO SÃO UMA PROFUNDA LOUCURA E A CÂMARA NADA FAZ PARA RESOLVER ESTE PROBLEMA…

Em pré-campanha…

Relativamente à sua principal bandeira política, a Habitação, o cabeça-de-lista do PS à Câmara do Porto lançou críticas à “gestão” de Rui Moreira, e apresentou alternativas.

“Os preços da habitação no Porto são uma profunda loucura, e a Câmara nada faz para resolver este problema. E nada faz porque quem lidera o Município apenas acredita no mercado e não nas políticas públicas para corrigir um grande problema que é o do acesso à habitação na cidade do Porto, naquilo que é preciso fazer para corrigir o que está mal. Os preços da habitação no Porto subiram vinte por cento no primeiro trimestre deste ano. Continuam a subir há anos! A criação de um programa de arrendamento acessível será a minha primeira prioridade, a minha segunda prioridade e a minha terceira prioridade. Nós temos de garantir que as classes médias podem voltar a viver no Porto. Nós temos de acreditar que aqueles que ganham os salários médios podem voltar a viver no Porto. A inoperância da Câmara Municipal do Porto perante este problema é gritante e o programa de arrendamento que apresentou chamado Porto Com Sentido, mais valia chamar-se mesmo Porto Sem Sentido porque não tem tido qualquer tipo de adesão à realidade da cidade”.

…TUDO ISTO IRÁ DISPONIBILIZAR INÚMERAS CASAS PARA ARRENDAMENTO ACESSÍVEL, E EU GARANTO, QUE O PORTO VAI SER UMA CIDADE ONDE AS CLASSES MÉDIAS VÃO PODER VOLTAR A VIVER!

Eis, então, as linhas programáticas, e as soluções apresentadas.

“Mas, neste momento, e para que não fiquemos somente pela crítica, eu apresento neste caso concreto, algumas soluções que teremos em todas as áreas do programa que iremos apresentar. Entre muitas outras medidas, nós vamos fazer um plano para captarmos os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência para a construção de nova habitação financiada a cem por cento para as 25 mil casas que sejam inscritas no plano. Vamos captar edifícios e terrenos desocupados do Estado central, da Defesa e da Segurança Social, mas também do Município. Apoiaremos unidades de alojamento local em arrendamento residencial de longa duração. Vamos estabelecer pontes com a Misericórdia e com outras instituições com vasto património na cidade para integrarem este património. Vamos fomentar as cooperativas de habitação em regime de propriedade coletiva com direito do uso-fruto. Vamos fazer isto e muito mais porque há medidas, assim haja um presidente que as queira executar.

Tudo isto irá disponibilizar inúmeras casas para arrendamento acessível, e eu garanto – garanto, mesmo! – que o Porto vai ser uma cidade onde as classes médias vão poder voltar a viver!”

Já em termos de mobilidade, Tiago Barbosa Ribeiro é da opinião que “hoje em dias perdem-se horas em deslocações pela cidade, e é preciso intervir nos estrangulamentos na Via de Cintura Interna e na Circunvalação em diálogo com os municípios à nossa volta… em diálogo com a IP. Mas, também é preciso resolver os erros crasso que a Câmara tem cometido em toda a acidade, como por exemplo os autocarros que não conseguem rodar na sua faixa como na Avenida Montevideu e Brasil; ciclovias desligadas de uma rede de ciclovias de toda a cidade. Alterações de sentido de trânsito que não fazem qualquer sentido, como é o caso da Rua de Camões. E as intervenções na Avenida de Fernão de Magalhães, a segunda maior do Porto, que não tem ciclovias, nem estacionamento, sem diálogo com quem vive ou quem trabalha naquela zona. Nós precisamos de uma autarquia capaz de resolver estes e outros problemas melhorando a vida diária dos portuenses articulando estas decisões com as mobilidades suaves que corresponderão às deslocações do futuro”

TEMOS ZONAS NA CIDADE QUE SÃO TERRITÓRIO SEM LEI

Quanto à Segurança, o candidato socialista diz que esa é uma problemática que “temos de encarar de frente, e o Partido Socialista como a esquerda democrática não têm que fugir a nenhum debate sobre Segurança. Nós não temos de deixar o debate sobre a Segurança aos populistas de direita e extrema-direita eles têm soluções erradas para problemas que, efetivamente, existem.

Temos zona na cidade que são território sem lei, e nós sabemos porquê. Os erros que foram cometidos com a demolição do Aleixo levaram à expansão do tráfico para várias zonas da cidade, e hoje vemos todos, se lá passarmos, o que se passa em Lordelo do Ouro, Massarelos, Campanhã e Ramalde, entre outras zonas da cidade. Nós precisamos de políticas de saúde pública; precisamos de sala de consumo assistido. Ainda bem que temos eleições autárquicas em setembro, porque a Câmara Municipal do Porto anunciou que, precisamente em setembro, inaugurará a sala de consumo assistido. Se tivéssemos autárquicas todos os meses, se calhar mais problemas se teriam resolvido na cidade até hoje.

Mas, nós, para além das salas de consumo assistido, precisamos de tolerância zero contra o tráfico de drogas que semeia a insegurança e que sequestra vários moradores de bairros sociais da cidade do Porto. Temos de resolver este problema envolvendo os moradores e não estando contra os moradores. Nós vamos resolver este problema”.

A CÂMARA DO PORTO FOI UMA DAS QUE NO PAÍS MENOS APOIOU, DURANTE A PANDEMIA, O SETOR DO COMÉRCIO, DA RESTAURAÇÃO E DA HOTELARIA…

Quanto à Economia…

“A cidade do Porto, já foi aqui dito por outros antes de mim, já teve uma economia pujante que, infelizmente, tem vindo a enfraquecer-se e tem vindo a enfraquecer-se por várias razões, e não exclusivamente por causa da Câmara Municipal do Porto, mas ela tem vindo a ser incapaz de envolver parceiros da Academia, de fomentar o empreendedorismo com verdadeiros polos tecnológicos com o melhor que se faz na Universidade do Porto e no Politécnico do Porto.

E, hoje, por causa disso, temos um turismo com salários baixos e com vínculos laborais mais precários. A pandemia veio, entretanto, expor certas fragilidades. Até ao final do ano passado estavam em processo de licenciamento na Câmara Municipal do Porto, oitenta e quatro novos hotéis que se somam a todos os outros que já existem, a maioria no centro Histórico do Porto. Qualquer portuense entende que isto é excessivo e que prejudica o direito à cidade, incluindo o direito à habitação”.

PRECISAMOS DE QUALIFICAR A OFERTA TURÍSTICA DO PORTO

E como não podia – nem devia – deixar de entrar no discurso, o Turismo foi também nota dominante na intervenção do candidato socialista.

“O Turismo é para o PS um setor muito importante e relevante na nossa cidade, aliás como no País, que valorizamos e apoiamos, e isto ao contrário da Câmara Municipal do Porto que, durante a pandemia, foi ma das que no País menos apoiou o setor do comércio, da restauração e da hotelaria quando eles mais precisavam. Portanto, não precisamos de entrar num debate absurdo de se é a favor ou se se é contra o Turismo… nós queremos é equilíbrio em toda a cidade, até porque nenhum turista vem ao Porto para ver outro turista, como nós não vamos a outras cidades ver turistas como nós. Precisamos, assim, de qualificar a oferta turística do Porto e enquadrá-la em planos de expansão que sejam delineados, articulados, pensados e geridos pela Câmara Municipal do Porto, ao mesmo tempo que ela tem de trabalhar para diversificar a base da nossa economia local. E há muitas oportunidades para isso, mas a Câmara Municipal do Porto não as está a agarrar”

VAMOS CRIAR UMA EQUIPA, EXCLUSIVAMENTE, DEDICADA AO ‘PRR’ E UMA AGÊNCIA DE INVESTIMENTO NA CIDADE

E, continua, “vamos ter a oportunidade, nos próximos sete anos, em média, de investir o dobro do que tivemos desde que aderimos à União Europeia e para isso precisamos de autarquias com uma visão clara da estratégia que querem seguir; do que querem para os seus territórios, pelo que iremos criar uma equipa exclusivamente dedicada ao PRR para desenhar projetos que possam ser implementados, pensados e executados ao abrigo deste plano e puxar para o Porto os fundos que o Porto precisa.

Mas, mais ainda: iremos também criar uma agência de investimento para captar riqueza, empresas e postos de trabalho para a cidade so Porto, ultrapassando o verdeiro inferno burocrático que qualquer investidor enfrenta quando tem de lidar com qualquer processo na Câmara Municipal do Porto. Nós vamos criar uma agência de investimento e vamos, assim, ajudar quem quer investir na nossa cidade.

O QUE FOI FEITO, EM ESPECIAL NOS ÚLTIMOS OITO ANOS, QUE NOS FAÇA TER ORGULHO QUANDO OLHARMOS PARA A CIDADE? EU RESPONDO: NADA! ZERO!

 Tiago Barbosa Ribeiro aproveitou a ocasião para relembrar também as obras realizadas pelo PS na cidade do Porto, principalmente, quando Fernando Gomes foi presidente da Câmara Municipal-.

“Durante os anos de governação do PS na Câmara Municipal do Porto, sob a liderança do nosso camarada Fernando Gomes, a nossa cidade foi capital da Cultura, nós fizemos o Parque da Cidade e o Parque Oriental, sob a responsabilidade do engenheiro Orlando Gaspar, aqui presente. O Porto passou a ser Património Mundial da Humanidade. Arrancámos com o Metro do Porto que a nossa oposição, e alguns deles ainda por aí andam, chamavam de Metro de papel, mas esse metro hoje em dia transporta cerca de 600 milhões de pessoas por ano. Recuperámos o Rivoli, o Coliseu, o Teatro do Campo Alegre. Construímos a Casa da Música. Construímos duas ETAR, do Freixo e Sobreiras. Acabámos com as lixeiras concelhias. Construímos novas vias em toda a cidade. Acabámos com três mil barracas na cidade. Cobrimos o Saneamento a cem por cento.

O que seria do Porto, hoje, sem isto?! Seria uma cidade muito diferente, e, certamente, muito pior. E o que todos os portuenses têm de refletir é no que foi feito ao longo dos últimos vinte anos e em especial nos últimos oito, que nos faça ter orgulho daqui a uns tempo quando olharmos para a cidade? Eu respondo: nada! Zero!

Que portuense consegue encontrar concretizações dignas desse nome? Nenhum, porque elas não aconteceram; elas não foram pensadas; porque não temos tido autarcas com ambição que o Porto merece e o Porto quer. Essas concretizações não existiram e todos os portuenses o sabem”.

O PORTO VAI MARCAR ENCONTRO COM O FUTURO…

Quanto aos dias futuros…

E é por isso que o Porto tem de marcar o encontro com o futuro. Nós vamos fazer isso alavancando isso com realização do Porto do futuro, a partir do Porto do presente. E fá-lo-emos dando resposta ao maior desafio existencial das nossas vidas: as alterações climáticas. E vamos antecipar na cidade do Porto as metas de neutralidade carbónica em 10 anos, e com isso vamos desenvolver um conjunto muito diversificado de investimentos na mobilidade, na sustentabilidade energética, na eficiência ambiental, que vão mudar a face da nossa acidade e marcar encontro com o futuro”.

PRECISAMOS DE UM PORTO QUE NÃO SE PENSE PEQUENO

“A Câmara do Porto tem recusado, sistematicamente, competências; competência que o Governo, o Estado central querem transferir para cá, ao mesmo tempo que acusam o centralismo existente no Terreiro do Paço. Isto é completamente disfuncional. Mas, o que me preocupa mesmo é que a inação de Rui Moreira prejudicou os portuenses que aqui vivem, e portanto eu quero mais competência em todas as áreas que nos queiram dar e vamos lutar por mais competências na Câmara Municipal do Porto. Mais competências significa mais autonomia para decidir os destinos da nossa cidade. E é importante haver um diálogo a partir dessas competências com os municípios à nossa volta, afastando um ceto paroquialismo que temos visto; um paroquialismo de quem se acha autossuficiente, de quem se fecha sobre si próprio; de quem é incapaz de liderar decisões à escala da região, como é o caso da mobilidade, em que cerca de setenta por cento das viaturas que passam, diariamente, pelo Porto não são de portuenses.

Nós precisamos de um Porto que não se pense pequeno; de um Porto que não se feche na arrogância, na pequenez, porque isso transforma-nos a todos pequenos, embora não necessariamente, mais arrogantes.”

COMPROMETO-ME A LANÇAR UM PROGRAMA MUNICIPAL PARA REFORÇAR A REDE DE CRECHES E PRÉ-ESCOLAR…

Já em matéria de qualidade de vida… Tiago Barbosa Ribeiro candidata-se porque o Porto precisa de mais qualidade de vida. Precisamos de ter uma cidade atrativa para todos que vive na cidade. Queremos mais espaços verdes, mais parques infantis, mais circuitos de manutenção para os idosos, e queremos uma cidade que responda às necessidades dos jovens casais que queremos atrair com o nosso programa de arrendamento acessível. Por isso eu comprometo-me com o lançamento de um programa municipal para reforçar a rede de creches e pré-escolar, envolvendo o Estado central, envolvendo as IPSS, dando a todas as crianças do Porto uma vaga numa creche financiada pelo Município do Porto.

E o Porto precisa de mais justiça social. O Porto é hoje uma cidade socialmente dividida e profundamente estratificada. A ‘cidade postal’ que gostam de anunciar muitas vezes lá fora, tem gente dentro… mora gente dentro da ‘cidade postal’, e o PS não se esquece dessas pessoas. Recuso-me a aceitar a visão de uma cidade elitista; de uma cidade que divide politica e socialmente os seus cidadãos, porque o Porto sempre foi intergeracional, interclassista, e assim tem de continuar, como área social que responda às necessidades agravadas pela pandemia, mas também às necessidades de sempre… aquelas que não são tão visíveis por autarcas que vivem e sobrevivem nas suas bolhas de privilégio. O PS vai investir na área social na cidade do Porto!”

A ATUAL MAIORIA MUNICIPAL É, PERIGOSAMENTE, POPULISTA, SEM NUNCA DEIXAR DE SE ENREDAR NAS TEIAS DO QUE, MUITAS VEZES, OS PARTIDOS TÊM DE PIOR

A concluir a sua intervenção, Tiago Barbosa Ribeiro justificou a sua candidatura porque vivemos um tempo de perigosos populismos, anti-partidos e antissistema. A atual maioria municipal é, perigosamente, populista sem nunca deixar de se enredar nas teias do que, muitas vezes, os partidos têm de pior.

É uma maioria profundamente desnivelada à direita, e podemos aproveitar esta ocasião, para dar os parabéns ao líder do CDS, que conseguiu na cidade do Porto uma das maiores representações autárquicas a nível nacional. Mas também à Iniciativa Liberal, que candidata a uma junta o seu antigo candidato presidencial e tem quota assegurada em todas as listas lideradas pelo Dr. Rui Moreira. E, já agora, o Chega, que conseguiu recrutar para candidato à Câmara um presidente de junta de Rui Moreira, que já se apresentou como candidato, sem que ninguém lhe retire a confiança política, continuando, assim, a exercer o seu mandato…

Tudo isto e mais algumas coisas, nada tem de independência. Tudo isto nem é bem uma lista, isto é uma espécie de um bazar do pior que a direita tem. E desta lista, gostava dizer, com muita clareza, que não recebemos nenhuma lição de independência, de seriedade, nem de compromisso fundamental com os interesses da cidade do Porto. Esses valores são defendidos na candidatura liderada pelo PS à Câmara Municipal do Porto.

Rosário Gambôa

Portanto, eu candidato-me por tudo isto. Por um Porto onde todos têm lugar. Por um Porto onde seja possível viver. Por um Porto coeso e plural. Por um Porto dinâmico. Por um Porto com voz na região e no País. Por um Porto que não se resigna ao lento declínio destes anos, por um Porto que quer tirar bilhete para se encontrar com o futuro.

Mas nada disto se faz sem equipa. Já conhecemos o nosso candidato à Assembleia Municipal do Porto, Alberto Martins. Já conhecemos os nossos candidatos às juntas de freguesia, pelo que gostaria de aproveitar esta oportunidade para anunciar quem me acompanhará como ‘número dois’ à Câmara Municipal do Porto. Alguém que vai fortalecer o nosso projeto e que será uma extraordinária vereadora ao serviço do Porto. É uma personalidade destacada da cidade; uma cidadã do conhecimento, da ciência e da cultura, tem um percurso extraordinário em prol do Porto, e é com muito gosto que anuncio que a Rosário Gambôa será a número dois da nossa lista à Câmara do Porto.

Esta sessão demonstra que temos ideias, equipa, projetos, e que nós, em nome do Partido Socialista vamos à luta em nome desta Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta cidade do Porto. O Porto quer mais e nós vamos fazer!”.

Finalizou.

 

Texto: José Gonçalves

Fotos: página de Tiago Barbosa Ribeiro no Facebook, e pesquisa Web

 

01ago21

 

 

 

 

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