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Dia do Município de Ovar em ano eleitoral teve… outro “encanto”

A habitual sessão solene do Município de Ovar para assinalar o Dia do Município (25 de julho), que se realizou no Centro de Artes de Ovar, em que tradicionalmente a oposição não tem qualquer papel a não ser a participação na cerimónia de atribuição de medalhas a instituições, personalidades e munícipes com supostos serviços relevantes prestados à comunidade, segundo uma proposta de atribuição de medalhas apresentada pelo presidente da Câmara Municipal de Ovar, Salvador Malheiro, apesar de ter sido aprovada por todo o executivo.

 

José Lopes

(texto e fotos*)

 

A postura do presidente foi criticada pelos vereadores da oposição (PS), que chamaram ainda a atenção, em reunião de Camara, “esperamos que este ano ao contrário do que se passou em 2020, o Município não venha atribuir mais medalhas Salvador Malheiro, mas sim as medalhas do Município de Ovar. Se tal acontecer queremos deixar clara a nossa oposição a esse tipo de comportamento”. Indiferente à oposição e às muitas reações públicas nas redes sociais, no verso das medalhas de cada homenageado, lá foi inscrito Salvador Malheiro, que justifica, assumindo-se representante máximo do Município de Ovar.

Envolta mais uma vez em polémica a cerimónia de entrega das medalhas, a exemplo de 2020, em que idêntica prática de gravar o nome do autarca nas medalhas foi assumida na cerimónia do Dia do Município que a pandemia proporcionou a presença do Presidente da Republica, Marcelo Rebelo de Sousa, entre várias outras entidades e personalidades, que foram igualmente agraciados com a medalha de “Salvador Malheiro”.

Este ano foi atribuída a Medalha de Ouro do Município ao Orfeão de Ovar, e a Medalha de Mérito Municipal Ouro a Manuel Ferreira (Russo), a título póstumo. Um dos momentos altos em que mereceu ainda destaque a entrega da Medalha Municipal Prata a Tony Amaral, um emigrante valeguense nos Estados Unidos da América, em Palm Coast, na Florida, estado em que criou a Fundação Amaral, instituição criada para atribuição de bolsas de estudo a jovens de origem portuguesa. Foram também atribuídas medalhas de mérito prata e cobre a várias outras personalidades individuais ou coletivas.

Mas a tradição de uma cerimónia sem oposição, foi este ano perturbada, não só pela insistente distribuição de medalhas “assinadas” por Salvador Malheiro, mas também pelo teor do seu discurso, que levou de forma inédita, o Secretariado Concelhio do Partido Socialista de Ovar a tornar público um comunicado em que manifesta, “repúdio pelas desprestigiantes palavras de achincalhamento e perjúrio sobre os autarcas e executivos do Partido Socialista, anteriores aos mandatos do atual executivo do PSD, com início em 2013, e que no passado dia 25 de Julho foram proferidas em discurso pessoal, por Salvador Malheiro”, a quem a nota do PS acusa de, “trajetória de falsidades, mentiras descaradas, chantagem e impunidade, continuam a ser apanágio de um Presidente de Câmara completamente enredado numa visão ditatorial do Concelho de Ovar que construiu à dimensão do seu egocentrismo pessoal e partidário, levando-o a fazer tábua rasa da permanente e afincada Construção Cívica deste Município, nos mandatos passados do Partido Socialista, protagonizados por Armando França, Manuel Oliveira e presidentes de Junta de Freguesia, que deram a Ovar e às suas gentes, mais de vinte anos de Prosperidade, Progresso e Bem-estar Económico e Social”, acrescentando que, “foi ainda mais longe, tentando enfatizar e insinuar no seu vingativo e indecoroso discurso, que Ovar nunca existiu como tal, antes de 2013!? Em que município vivia esta abstrusa personagem!”, interroga desta forma o PS em comunicado, a que também não é naturalmente alheio o ano eleitoral autárquico que se vive.

O PS refere-se ao Dia do Município, em que curiosamente o presidente da Junta da UFO e vários outros autarcas da União de Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira Jusã, que assumiram programa próprio do Dia do Município, através de concerto com a Sociedade Musical Boa União, em que Salvador Malheiro participou lado a lado com Bruno Oliveira, que se recandidata pelo PS, como tendo sido “transformado narcisísticamente em Dia Municipal do PSD, de forma absolutamente vergonhosa (…)”, denuncia o principal partido da oposição através do seu Secretariado numa nota de 27 de julho.

A toda esta polémica seguiram-se as também habituais cerimónias em diferentes pontos das freguesias do concelho, para apresentações de projetos de execução e de requalificação, que este ano, marcada que já estava a data das eleições autárquicas, resulta certamente em violações da Lei Eleitoral, como aliás denunciou o Bloco de Esquerda junto da Comissão Nacional de Eleições (CNE), a propósito desta prática da Camara Municipal de Ovar que, afirma, “veio a intensificar-se com recurso a Publicidade Institucional sobre obras de requalificação a exemplo da rede viária com 1.ª e 2.ª fase terminada e outras em consignação, colocada em freguesias como, Válega e Cortegaça. Publicidade Institucional de um órgão da Administração Pública que viola claramente a Lei Eleitoral, publicado que foi o decreto que marca a data das eleições autárquicas para 26 de setembro”.

Ainda segundo esta denuncia à CNE, de quem se aguarda que seja “cumprida a Lei no sentido de determinar que a CMO cumpra a Lei, procedendo à remoção imediata da referida publicidade, que só pode ter por finalidade influenciar diretamente o eleitorado”, o Bloco começa por considerar, que “a estratégia política da maioria absoluta que lidera a Câmara Municipal de Ovar, durante os últimos meses e em ano de eleições autárquicas, tem investido significativamente em Publicidade Institucional alusiva a projetos e obras em curso no concelho, em alguns casos, como na rotunda do Carregal, em que foram colocados outdoors publicitários lado a lado sobre o projeto de requalificação da EB1 do Furadouro e a candidatura autárquica do PSD ao município de Ovar”.

PROGRAMA CULTURAL “VI(R) VER OVAR 2021” PARA ASSINALAR O DIA DO MUNICÍPIO 

Se o “encanto” na sessão solene e nas cerimónias de inaugurações que se seguiram, só pode ser irónico para as várias oposições, da direita à esquerda, que tem agora mais e atual matéria para polemizar durante a campanha eleitoral das autárquicas. Já o programa cultural Vi(r)Ver Ovar 2021, para assinalar o Dia do Município, foi verdadeiramente inédito e diversificado durante os dias 22 a 25 de julho, com eventos em diversos pontos do Concelho, segundo o executivo camarário, “visando potenciar a coesão social e territorial e a dinamização da economia local”, tendo como “premissa”, os artistas envolvidos “terem ligação direta ao Município”.

Com algumas das ruas da cidade de Ovar que foram palco de eventos, devidamente decoradas, como uma simpática homenagem às varinas representadas na figura “Zélia” exposta junto da Praça da República, e com o senão ecológico de na decoração serem mais uma vez utilizados materiais com base no plástico, que no final da “festa” os ventos vão derrubando partículas derivadas do petróleo, pouco coerentes com as preocupações ambientais que se promovem em meio escolar.

No entanto o programa de “encantar”, não deixou de ser manchado pelos significativos custos (cerca de 30 mil euros) que resultam de uma exposição de fotografia PHOLI/A/O de Frederico Martins, sobre o “Carnaval de Ovar de Corpo b & Alma” que vai estar na Praça da Republica até 23 de agosto.

 Bem mais consensual e “encantador” foi um vasto programa recheado de oferta musical, teatro, marionetas, dança e literatura ao que aderiram diferentes públicos durante os quatro dias, sempre sob pressão dos efeitos da pandemia que já tinha colocado de novo Ovar nos concelhos de risco elevado, com medidas mais restritivas a que os cinco espaços para 25 eventos se adaptaram para garantir medidas de segurança da DGS.

Com a animação musical deambulante durante estes dias, a cargo da Sociedade Musical Boa União, da Banda Filarmónica Ovarense e da Banda do Lau, a diversidade de espetáculos tiveram a participação de temas, artistas, grupos e companhias, como: Ana Andrade e Rui Manarte; Lola Muff; Rui Pedro; Sunset com João Doce e Paulo Furtado; Jóni O & Convidados; The Treehouse Experience; Papo de Samba; Sambalizado; Dj Set Ricardo Figueiredo; Tiago Sabina & Convidados; Sonhos de Violeta; Teatro de Marionetas; “Canções Difíceis Fáceis de Saber; Atividade Física ao Ar Livre; Projeto Tela Branca; Performance de Rua Para Mar (adaptação, encenação e direção artística, de Leandro Ribeiro. Sol d´Alma); Companhia Vareira; A Voz e a Vez dos Livros (com Carlos Nuno Granja e Paulo Salvador Lopes); Prima-Vera-Vera-Prima (exposição de trabalhos de 6 instituições escolares); Univeil – Catarina Borges e Rita Gaspar; Pedro Piaf.

Uma aposta cultural interessante que apenas deixou dúvidas sobre a influencia do ano eleitoral em curso, uma vez que só ironicamente poderia ser promovida para evidenciar resiliência à pandemia a que objetivamente também fica associada esta diferente e inovadora programação para Vi(r)Ver Ovar no âmbito do Dia do Município.

 

(*) com Facebook/Salvador Malheiro

 

01ago21

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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