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Em escola de Ovar: criação de bichos-da-seda ajuda na melhoria de aprendizagens…

A planificação pedagógica que há mais de duas décadas veio a incluir a plantação de amoreiras, enriquecendo a diversidade de espécies de árvores no espaço escolar da EB (2.º ciclo) António Dias Simões, no âmbito de atividades de sensibilização ambiental junto da comunidade escolar, envolvendo os alunos na tarefa de plantação e acompanhamento do seu desenvolvimento. Pode ter tido na altura como principal propósito, introduzir também as amoreiras em espaço escolar, na época do 2.º e 3.º ciclo a exemplo de muitas outras experiencias que resultam na relação dos alunos com o ciclo da criação de bichos-da-seda, tradicionalmente vivenciada ainda ao nível do 1.º ciclo do ensino básico.

Experiências enriquecedoras que nem todos os alunos, por diferentes motivos, têm conseguido ver fora dos livros ou dos meios digitais, a conclusão das várias fases de todo o processo de transformação até há metamorfoses. Momento extraordinário que este ano letivo, vários foram os alunos que para além dos conteúdos da disciplina das Ciências Naturais do 5º ano, na abordagem da “diversidade de processos reprodutivos”, tiveram o privilégio de observarem ao vivo às transformações, desde quando o ovo eclode até à fase adulta de metamorfoses.

Sendo conhecida a dedicação e interesse de alguns alunos do 2.º ciclo na tarefa de criação de bichos-da-seda, com assumida curiosidade científica e organização metódica, mantendo ativa e cuidada criação de ano para ano. A recolha de tanta quantidade de folhas de amoreiras nas arvores da escola, nunca tinha sido vista com tal dinâmica como a que ocorreu este ano letivo, para um significativo numero de alunos, que cuidadosamente alimentavam os bichos-da-seda que foram entusiasticamente acompanhando as várias fases do ciclo de vida do bicho-da-seda, desde o ovo, lagarta, casulo e mariposa adulta, processo natural a decorrer habitualmente no interior de caixas de sapatos em cartão, nas quais guardam estas experiencias. Nuns casos ficando na sala de aula e noutros, transportados diariamente entre a casa e a escola com envolvimento familiar.

Nesta experiencia concreta da criação de bichos-da-seda e da relação com os conteúdos dos manuais de Ciências Naturais do 5.º ano, como forma prática de despertar interesse e proporcionar melhorias de aprendizagens, foi notória a influencia da partilha desta dedicação há criação de bichos-da-seda, dinamizada pela professora de Ciências Naturais e de Matemática, Carla Antunes, que se fazia igualmente acompanhar pela sua grande criação de “bichinhos” numa caixa de cartão, para distribuir pelos alunos interessados em assumirem a responsabilidade de cuidarem e estudarem as sucessivas fases destes animais, no âmbito da disciplina das Ciências que incidiu no seu caso, fundamentalmente na turma do 5.º G.

Partilha do gosto e interesse pela criação dos bichos-da-seda em meio escolar, que teve também a colaboração da assistente operacional, Célia Ramos, através de criação própria distribuída junto de alunos de outras turmas do 5.º ano, que com os seus professores da disciplina das Ciências Naturais, a exemplo do 5.ºD e 5.ºH, puderam acompanhar o desenrolar do ciclo de vida dos bichos-da-seda, que para muitas gerações ficou apenas no seu imaginário, sem nunca terem observado um tal momento quase mágico desta fase da metamorfoses, para darem inicio a novo ciclo de vida.

Ainda que não se trate de um projeto de metodologia investigativa sobre o tema, como experiencias desenvolvidas noutras escolas, a iniciativa pedagógica de articulação entre a relação estimulada nos alunos, para a criação dos bichos-da-seda e a matéria do programa das Ciências Naturais do 5.º ano sobre metamorfoses, é curiosamente, neste segundo ano letivo da docente Carla Antunes na EB António Dias Simões do Agrupamento de Escolas de Ovar, o resultado da influencia que sobre si teve a atividade desenvolvida por um colega no 1.º ciclo, professor da sua filha, na escola EB1 da Torre, em Esmoriz, através de uma experiencia de criação dos bichos-da-seda, a partir da qual começou a fazer todo o ciclo de criação de ano para ano, garantindo desta forma tal recurso natural para as suas aulas de Ciências Naturais, que não deixa de ser um desafio para a melhoria de aprendizagens e de competências, revelando-se de grande interesse pedagógico as atividades que podem ser desenvolvidas no estudo de metamorfoses, para alem naturalmente de todo o ciclo de vida que ocorre com o nascimento das larvas no inicio da primavera seguindo-se o respetivo crescimento larvar, construção de casulos e a postura pelas borboletas, cerca de dois meses após a inicial eclosão dos ovos.

Neste seu percurso profissional, a professora Carla Antunes, natural de Seia, que se efetuou na Escola de Esmoriz há cerca de 9 anos, cidade em que reside, tendo lecionado em escolas, como, Arouca, Avanca, Loriga/Seia, Figueira de Castelo Rodrigo e em Setúbal. Acabou, nesta relação profissional com a comunidade escolar e educativa da EB (2.º ciclo) António Dias Simões, por encontrar uma estratégia tão natural, capaz de estimular dinâmicas de participação e experimentação dos alunos na disciplina de Ciências Naturais, dentro e fora de sala de aula, ao fazer-se acompanhar nas suas “ferramentas” de trabalho docente, pela sua própria criação de bichos-da-seda, com que motiva e desperta o interesse dos seus alunos, resultando naturalmente na melhoria das aprendizagens. Uma prática pedagógica que não deixará de despertar mais aprofundadas curiosidades para posteriores conteúdos e aprendizagens sobre a criação de bichos-da-seda para a produção da seda crua, que está em curso há pelo menos 5.000 anos na China, de onde se espalhou para o Mundo.

 

Texto e fotos: José Lopes

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