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Já estou a pensar no Natal…

Ricardo Guerra

 

Caros leitores

Quem me conhece saberá que sofro de uma febre altamente infeciosa, que apelido carinhosamente de Natalice aguda. Os sintomas são consistentes: o Michael Bublé e a Mariah Carey invadem o Spotify e o YouTube, a pesquisa incessante por decorações de Natal originais para a árvore e para a mesa da consoada aparecem no histórico e, por vezes, no silêncio da noite, surge também a vontade de me tornar um Pai Natal ao domicílio, para contribuir para espalhar a magia do Natal por todas as crianças (e pelos adultos também, que tanto dela precisam)!

Sabem, sempre fui assim, desde pequeno. Há algo na magia de Dezembro, nas cores, nas luzes, na esperança que paira no ar que me faz sentir completo e a transbordar de felicidade. E hoje, em pleno Verão, essa febre natalícia surgiu, do nada, sem se saber de onde veio. E isso levou-me a refletir, porque estes desejos repentinos ocorrem, geralmente, numa altura específica: a meio/no final do Verão, quando a poeira (ou devo antes dizer, a areia?) das férias começa a assentar e as responsabilidades que mais um ano académico acarreta se aproximam, escondidas na sombra da esquina do futuro, à espera de atacar sem dó nem piedade.

O que será que isto significa? Terá isto uma razão de ser? Vou propor uma teoria: o presente passa tão a correr e está tão atafulhado e atarefado a toda a hora, que depositamos as nossas esperanças, a nossa felicidade e os nossos objetivos sempre para depois. Um depois indeterminado e indefinido. Sinto (e sentimos) sempre a necessidade intrínseca de viver no futuro, de correr atrás de um porvir idealizado na nossa cabeça.

Por um lado, é saudável mantermos essas esperanças e expectativas vivas, pois são elas que nos dão razão para viver e um sentimento de utilidade neste mundo. Por outro, são provas de que vivemos “em contramão”, como dizem Os Quatro e Meia, num mundo em que “a vida vai ficando para depois”. Estamos sempre à espera do passo seguinte: mais umas férias, mais uma festa de anos… E a culpa não é nossa, fomos e somos formatados para isso. Mas o que é feito do agora? E como o recuperar?

Não tenho respostas concretas, pelo que me contentarei com lançar estas perguntas para o ar e focar-me noutros temas. É que percebi outra razão pela qual anseio pelo Natal. A vida conforme a vivemos é dotada, por vezes, de uma racionalidade excessiva que leva a que deixemos de acreditar na magia e na beleza das coisas. E se, por um lado, o Natal traz à tona o lado mais materialista e consumista da humanidade, por outro lado dá luz a uma voz coletiva de solidariedade e esperança que une toda a gente, independentemente do seu género, idade, estatuto social, etc. Tudo se torna mais mágico, mais leve, a celebração do amor e da união é colocada como prioridade… E não há nada, na minha opinião, melhor do que o amor, quer o próprio, quer o de quem nos rodeia…!

E por falar em magia e amor… Porque é que a felicidade e ansiedade que a maioria de nós sentia no Natal enquanto crianças se perde ao longo dos tempos? O Pai Natal não existe, mas pode existir na nossa cabeça e nos nossos corações, nem que seja um Pai Natal que não dá prendas materiais mas sim carinho e afeto. Não tem de descer pela chaminé nem voar pelo céu com um trenó para espalhar alegria e paz nos outros. E nós podemos ser o nosso próprio Pai Natal, a qualquer altura do ano.

Sei que o mundo não é de rosas e que os problemas que nele imperam não devem ser ignorados, ou então jamais serão resolvidos. E talvez me encontre numa posição demasiado privilegiada para que o que digo tenha credibilidade ou algum valor. No entanto, creio que tentar ter uma visão positiva acima de tudo é uma enorme ajuda para enfrentar a vida e todas as adversidades e desafios que ela comporta. E  a paz que o Natal representa é algo que devemos tentar manter dentro de nós sempre.

As minhas reflexões terminam por aqui. Concluo esta pequena “missiva” com um pequeno apelo: sofredores de Natalice aguda que se cruzem com este texto (e que, como grandes guerreiros, tenham chegado até ao fim), por favor identifiquem-se nos comentários! Estarei sozinho neste delírio natalício…?

Cumprimentos e desejos (bastante) adiantados de boas festas!

(e boas férias de Verão a todos!) 

 

 

Foto: pesquisa Web

 

01ago21

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