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Barrinha de Esmoriz aguarda nova fase de desassoreamento mas poluição continua a concentrar-se na lagoa

A Barrinha de Esmoriz / Lagoa de Paramos é uma lagoa costeira de média dimensão, que comunica com o oceano Atlântico através de um canal no cordão dunar. Integra a Rede Natura 2000, é um sítio, de importância Comunitária e uma Área importante para as Aves e Biodiversidade.

A zona húmida é constituída essencialmente por caniçal e juncal. Esta vegetação é fundamental para as posturas dos peixes e para a alimentação ou nidificação de algumas espécies de aves (…).”

 

José Lopes

(texto e fotos)

 

Esta é em síntese a informação sobre um património ambiental, que depois de décadas ao abandono, foi devolvido a uma relação de grande proximidade com a população, estimulada a usufruir tal paisagem natural através dos passadiços e das pontes que unem as margens de Esmoriz e Paramos, concelhos de Ovar e Espinho, com vários acessos e sinalética que sensibiliza e desperta os visitantes para as características da laguna e da sua biodiversidade, fauna e flora.

Para preservar as estruturas de madeira dos passadiços, que se tornaram um atrativo acesso de lazer e mobilidade de alguma pressão humana sob um património natural como é a Barrinha. Foram dadas por concluídas durante o primeiro semestre deste ano, obras de requalificação e valorização de tais estruturas, incluindo novos espaços de acolhimento e receção aos visitantes, ainda que esta empreitada não tenha beneficiado toda a extensão dos passadiços, nomeadamente na parte norte da laguna, com falta de manutenção, como podemos registar em parte do percurso “fronteiriço”.

Com a dragagem e despoluição da laguna que faziam parte do projeto de requalificação assumido pela Polis Litoral Ria de Aveiro, no âmbito de uma candidatura ao Programa Operacional da Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos, iniciada em setembro de 2016 e suspensa um ano depois ainda antes da época balnear, ficando a dever-se a um alegado incumprimento do empreiteiro. Ao fim de cinco anos, a componente ambiental do desassoreamento ainda está por concluir, com várias tentativas fracassadas.

As grandes preocupações ambientais persistem numa comunidade, que ficou mais próxima deste património natural, através de pontes e passadiços que tornaram a sua intervenção cívica mais vigilante e incisiva na defesa de tal ecossistema lagunar, para continuar a ser reabilitado e valorizado.

 Mas, proporcionar um autêntico miradouro sobre a Barrinha e o mar, numa zona húmida ainda visivelmente manchada por focos de poluição depositados entre os sedimentos que aguardam nova empreitada de desassoreamento, e que continua a receber a montante, ribeiras de águas escuras e pestilentas. Não é certamente coerente com o projeto de requalificação inicial, para quem ali procura usufruir da oferta de lazer e procura de contacto com a natureza e sua biodiversidade. Numa paisagem que durante décadas mobilizou as mais variadas ações de denuncia, tanto por parte das populações, como ambientalistas e autarcas, junto dos vários governos.

Fracassada mais uma vez a última empreitada do desassoreamento, que deu mesmo origem a polémicas e contestação popular sobre o lançamento dos dragados da lagoa para o mar, ainda que fosse considerado o mal menor ambientalmente, através de um sistema de tubagens instalados no areal para a repulsão dos sedimentos retirados do fundo da lagoa. Uma operação com licenciamento da Agência Portuguesa do Ambiente, que visava igualmente contribuir para mitigar a erosão costeira, e na condição de decorrer só fora do período da época balnear, para não prejudicar a qualidade da água de banhos nas praias. Preocupações que levaram à suspensão da obra de maio ao fim de setembro de 2019, e assim continuou até ao momento.

Recentemente, foi finalmente anunciada nova empreitada para conclusão da dragagem e despoluição da Barrinha de Esmoriz/Lagoa de Paramos, que se propõe recorrer a técnicas mais adequadas na relação com o chamado dique fusível na sua ligação ao mar, que podem passar, segundo a Polis Litoral Ria de Aveiro, por uma nova solução geotêxtil para aplicar no dique fusível, sistema que retém e “gere” a capacidade do nível das águas na laguna, propondo-se nesta próxima tentativa, retirar sedimentos através de draga.

Uma nova empreitada, que terá sempre em consideração não perturbar a época balnear, é aguardada com espectativa pelas populações que não querem voltar a perder esta riqueza ambiental, mesmo sem recuperar parte da sua biodiversidade que deu vida a uma importante comunidade piscatória, que lhes proporciona uma natural relação com a natureza, e se tornaram seus vigilantes ativos e sensibilizados defensores, o que dificulta qualquer atitude ou política de desleixo e de abandono por parte das diferentes entidades competentes, deixando também ao comportamento cívico dos cidadãos menos sensibilizados, a promoção da educação ambiental que a Barrinha proporciona em toda a sua plenitude.

 

 

01set21

 

 

 

 

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2 Comments

  1. José Lopes

    Caro Alexandre Duarte,
    Obrigado pelo extraordinário contributo sobre memórias desta região que muito valorizam um tal património ambiental e sua evolução nestas últimas décadas. Na verdade sao memoriasmemórias que apesar dos meus 65 anos, em parte poderia ter vivido também, mas curiosamente e sendo de Ovar, um certo isolamento e pouca aventura, nao permitiu conhecer essa tal Barrinha/Lagoa e toda a sua beleza natural e paisagistica que se perdeu no tempo, restando agora os passadiços e a continuada afronta da poluição.
    Obrigado

  2. Alexandre Duarte

    Realmente temos sido incompetentes a cuidar da Lagoa, contudo têm sido dedicados generosos fundos, e os problemas principais, poluição e o controlo da evasão maritima são bem conhecidos, não se aceita tanto insucesso.
    A minha mãe (92anos) na juventude ía do Porto a Esmoriz de comboio, e na parte da Lagoa próximo da estação embarcava até à Praia da Barrinha e ainda na minha juventude atravessava com o barqueiro de Esmoriz para a praia da Barrinha tempos em que estes problemas ainda não tinham expressam.
    Muito obrigado pela sua análise, de um território que me é particularmente querido.

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