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Educação…

Humberto Martins

 

A Educação deveria ser o pilar e a base de toda a sociedade, ela deveria ter a função de segurar toda a estrutura de uma nação. O modelo social e educacional em Portugal e no mundo seguiram caminhos errados na minha modesta opinião. Podem-me perguntar? Prove isso com factos? É bonito dizer que se é contra o sistema. Ser contra está na moda, etc. Mas, contra os factos não há argumentos. O nosso modelo de ensino começa mal, logo que mandamos os nossos filhos para a escola, Uma criança devia frequentar a creche ou jardim-escola até aos 7 anos pelo menos, para aí desenvolver as suas capacidades de socialização. Saber interagir com os seus colegas, tudo na base da brincadeira e sem qualquer espécie de repressão da parte dos educadores. A amizade, a socialização e a partilha deveriam ser o objetivo desta fase de aprendizagem.

A inocência é o que há de mais belo nas crianças, mas não é o que acontece hoje em dia, os nossos filhos terminam a creche (os que têm creches!) aos 5 anos e aos 6 anos e são colocadas nas escolas para aprender. Então aí, a competição começa! Os professores afirmam logo de início que brincar só na hora do recreio, agora é só estudar, isso é tão violento que vai afetar essa criança até à vida adulta, desse modo o que vemos acontecer hoje em dia? Só podemos nos divertir nas horas vagas, então toda a gente fica louca pela sexta-feira e deprimida na segunda-feira, outra ideia errada que eles (professores) dizem com toda a convicção para ser alguém e vencer na vida tem de ganhar dinheiro, de possuir bens materiais, mas nós não somos matéria, estamos passando pela matéria, depois não olham a meios e atropelam toda gente para “triunfar ” na vida. Temos uma sociedade doente, causada por uma má educação. A escola não pode ser uma incubadora de pequenos monstros, mas é isso que incentivamos, a educação deve pelo contrário ser libertadora.

Vincular a felicidade a ter coisas, é medir a vida pela régua da frustração. A competição humana leva muitas das vezes à depressão e por isso também se toma toneladas de antidepressivos, mas tudo isto tem um propósito, a maioria tem de ser mantida na alienação e no desejo de consumo e nada de realização pessoal, nada de solidariedade, é cada um por si. Interessa aos “dominantes” que isso seja assim, a nós cabe nos denunciar esta desumanização. Neste mundo competitivo a minha derrota é a minha vitória.

O que é então uma educação libertadora? É respeitar os indivíduos que estão estudando, é perguntar qual é a sua vocação! O que é que você gosta de fazer? Você vai fazer o que gosta! É desenvolver o potencial de cada um e não enquadrar em qualquer lugar como se faz atualmente, isso é uma Educação libertadora, é aquela que você senta em roda e não em fila como se faz hoje, alguns professores em tempos não muito passados colocavam os melhores alunos à frente e os outros mais atrás nessas mesmas filas, ações essas eram e são castradoras e revelam uma desumanização intolerável, é cortar as asas e impedir os alunos de voar. Ignorante todo o mundo é!  O encontro de estudo, é um encontro de oportunidade de aprendizado e todo mundo que está presente pode aportar conhecimento, depois a troca, a igualdade, a conservação da autoestima, é se sentir respeitado. Um método assim, faz desenvolver todas as capacidades de cada aluno e não deixa ninguém para trás, resumindo é se sentir que se pertence a um coletivo e o sentimento de grupo dá prazer, todos sentem que estão integrados, depois isso repercute de modo positivo na sociedade.

Uma Educação libertadora desenvolve o ser humano e não um profissional para o mercado, essa educação humanista não interessa ao sistema, “eles” só querem pessoas de baixa qualificação para poderem explorar e pagar o mínimo, não tendo saída, os trabalhadores aceitam para não cair na miséria. Desculpem mas é a verdade, a intenção do ensino público não é instruir nem qualificar, a intenção é criar uma massa de pessoas com pouca instrução, fácil de dominar e controlar com o objetivo de colocar a trabalhar nos serviços básicos, e criminosamente ainda implantam nessas pessoas os desejos de consumo e nada de realização pessoal, e quando alguém não concorda e se revolta o que acontece? É despedido!  E o patrão tem a descarada ainda de afirmar que tem milhares de outros para ocupar o teu lugar, portanto é a sociedade da perversidade, para a elite que domina, interessa criar operários máquinas em vez de operários homens. Custa afirmar mas é a realidade o ensino público em Portugal vive uma sabotagem propositada, a conscientização deste facto é necessária para cada Português entender.

O que devemos ensinar então? Devemos ensinar a Solidariedade à Partilha. Devemos colocar o sentimento a comandar a nossa vida. Eu não consigo usufruir de privilégios diante da pobreza, acho constrangedor e vergonhoso. Temos que ensinar que os benefícios materiais trazem prejuízos morais. Isso sim é uma educação com garantia de vida. Temos que ensinar que quando vemos um sem-abrigo ou um desdentado na rua estamos perante uma vítima de um crime social. Temos de ensinar e aconselhar as pessoas a consumir só o essencial, o nosso planeta não é sustentável com o que estamos comprando. A publicidade e o marketing nos enganam a todo o momento. Temos de ensinar que não estamos aqui para competir, mas sim para viver. Viver para quem? Para as nossas famílias, para contemplar a Natureza, para o bem-estar dos Animais, pois não vivemos sozinhos neste planeta, no fundo temos de ensinar que as verdadeiras necessidades humanas são as do sentimento, tais como:
– Útil ao coletivo – A troca de afeto – A troca de conhecimento – A harmonia das relações – O aprendizado permanente – O entendimento constante – A troca de tomada de consciência.

 

Foto: pesquisa Web

 

01out21

 

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