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Estar ligado aleija…

Miguel Correia

 

Confesso que este mês arrasei por completo a paciência do diretor do jornal, porque demorei mais que o costume a enviar o meu artigo. Não que tenha tido um ataque momentâneo de preguiça – o que às vezes acontece – mas porque fui obrigado a aproveitar a luz do dia para conseguir juntar um punhado de linhas e compor esta crónica. Tenho de agradecer aos nossos queridos governantes e à malta (não menos querida) que gere a empresa da eletricidade por mais um aumento da tarifa do preço do quilowatt. Ora, mesmo não sabendo que raio é um quilowatt, os consumidores sabem que a carteira vai sofrer e, tal como em alguns filmes de ficção científica, temem a chegada da escuridão da noite e o simples gesto de acionar um interruptor chega a ser de uma crueldade atroz! Para poupar alguns cêntimos optei por escrever, às prestações, enquanto a luz entra no meu escritório de forma natural e gratuita. Também escolhi não utilizar o computador: tenho uma esferográfica e um papel de rascunho e, mesmo sabendo que a minha caligrafia é terrível, preparo-me para rasurar aquilo que me vai na alma…

Outros consumidores, vítimas deste ataque financeiro, podem aproveitar a oportunidade para resolver um dos problemas demográficos do país: a natalidade. Os casais que se encontrem disponíveis, depois de um jantar romântico à luz das velas compradas nas lojas chinesas, podem aproveitar o aconchego dos lençóis e dar largas à imaginação e procriação. Desta forma combatem o aumento do custo da eletricidade através do pedido de subsídios de abono ou rendimento mínimo. Seguramente não faltarão ideias a este povo que não sucumbe, mas vai definhando.

E, agora que penso nisso, será uma boa oportunidade de explicar aos mais novos o grau de evolução tecnológica no nosso tempo. Desde a internet com modem ruidoso (que alertava o prédio inteiro) até aos jogos de tabuleiro. Ah, haverá coisa melhor que os serões de família, horas a fio, em redor do monopólio?! Ou recomeçar a escrever cartas! Até para recuperar a alegria e emoção de receber um envelope… Desde que não seja de uma qualquer empresa de serviços a exigir dinheiro! Tenho a firme certeza que não faltarão ideias e da minha parte está feito! Terminei a crónica e agora vou atar o papel a um pombo e esperar que o sacana do pássaro encontre o caminho para o escritório do jornal…

 

Foto: pesquisa Web

 

01out21

 

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